Acometida por um incontrolável desejo de ler, obedeço.

Escolhas argentinas: Borges e Cortázar.

O primeiro sempre quis, me remete a aulas de física quântica (!), e faço minha estréia. O segundo chegou pelo Foto na Parede, e me trouxe curiosidade.

Recomendo os dois. E transcrevo um pequeno texto do Borges. Se você gostar desse, pronto: você irá gostar de Borges, como eu.

as unhas.

Docéis meias os afagam de dia e sapatos de couro bem pregado os protegem, mas os dedos dos meus pés não querem saber. Nada mais lhes interessa além de emitir unhas: lâminas córneas, semitransparentes e elásticas, para defender-se; de quem? Brutos e desconfiados como eles só, não deixam nem por um segundo de preparar esse tênue arsenal. Renegam o universo e o êxtase para continuar elaborando infindavelmente pontas inúteis, que aparam e tornam a aparar as bruscas tesouradas da Solingen. Em noventa dias crepusculares de resguardo pré-natal estabeleceram essa única indústria. Quando eu estiver recolhido no La Recoleta, em uma casa cinzenta guarnecida de flores secas e talismãs, continuarão seu obstinado trabalho, até que os modere a decomposição. Eles, e a barba em meu rosto.

Jorge Luís Borges.

Acabo de assistir o primeiro filme que “baixei” na vida. Estou até emocionada. Pelo ato e pelo filme: “My sister’s keeper” – não lembro o nome em português, talvez ainda esteja nas salas de cinema. Com a menininha fofa de “Little Miss Sunshine”, cuja personagem foi concebida para ser doadora da irmã que tem leucemia. Gosto de ver filme que me faz chorar, será que é normal?

Registro também que baixei o 2o filme: “Abre los ojos”, do Amenabar, versão original e espanhola de Vanilla Sky. Ainda não vi.

A onda do momento inclui também baixar trilha sonora de filmes. Contabilize: “Beleza Roubada” (linda!), “Kill Bill” (1&2), e ainda em andamento “Before Sunrise” e “Before Sunset” e “Pulp Fiction”.

Será que dura a nova onda? Se durar tanto quanto a mania de limpar paredes, sei não.

(registrado por Deise Lima)

“Em uma das historias de ‘Peter Pan’, Peter perde sua sombra que, cheia de vontades, decide ficar na casa de Wendy. No universo infantil, a sombra parece autonoma – se movimenta quase que sozinha – num eterno jogo de imitar o mestre. Damiao Santana transforma a sombra em personagem principal desta imagem, cheia de cor, movimento e fantasia.”

Vc lembrava dessa história? Eu não. Coisas de Dani Lima para me lembrar, e ainda com imagem para ilustrar. Ah, e Foto na Parede está com imagens que remetem ao universo infantil em promoção, até dia 19. Confira!
balanco

O que eu sempre lembro é do sorriso sem gato da Alice (no país das maravilhas). E do medo que eu tinha da Rainha de Copas. E do coelho sempre muito apressado. Adorava Alice.

Alice também me lembra que, recentemente, vi um travesseiro da FOM (esses deliciosos, com bolinhas de isopor dentro) no formato do gato da Alice! Vi numa loja de roupa de cama, não lembro qual. Seria ótimo presente de aniversário pra mim, viu? Só não sei se estou pronta para me despedir de Serenata – quem o conhece, sabe. Amo Serenata, me acompanhou em tantos momentos mas ele tá tão velhinho…

E Feliz Dia das Crianças!!

convite_digital

Será a primeira de muitas, mas isso não é desculpa para você não aparecer, viu?
No Espaço Figura, na Lapa. Próximo fim de semana, sabado 17 de 16 as 22h, domingo 18 de 16 as 20h.
Todos os quadros estarão a venda. Eu repito: você não pode perder!

Alguém que goste de mim, por favor, peça para as lojas pararem de me ligar?
Mês de aniversário é sempre isso. Muitas ligações com ofertas de descontos.
Podia ser presente de graça.

Me pergunto se sabem que sou consumista. Talvez pelo valor da minha última compra? Pelo signo?
Eu não quero gastar dinheiro. Alguém – que me aprecie – me ajuda, por favor?

Nunca tinha ouvido Sting cantando “Ne me quitte pas” até poucos dias atrás. Amei e não consigo parar de ouvir.

Sempre fui fã da música e de Edith Piaf. Tenho lembranças dos LPs de minha mãe.

A versão de Edith Piaf é linda, mas o Sting… deu uma cara diferente, e tem uma carga de emoção tão grande. Deu até vontade de falar francês, idioma que não domino mas que meu laptop fala. Queria saber fazer biquinho pra falar “je ne vais plus pleurer”, o som é tão gostoso.

E isso me lembrou “Piaf” – o filme – que se você não viu, veja. Quando penso em “Piaf”, me vem imediatamente a cabeça a última cena com “Non, Je ne regrette rien”. Não poderia haver música mais perfeita para encerrar o filme, aliás difícil achar música mais perfeita para Edith Piaf.

E no meu francês capenga e mambembe das minhas memórias de professora Cleonice-dos-quadris-largos, eu sempre soube:
Ne me quitte pas = Não me abandone.
Non, je ne regrette rien = Não, não me arrependo de nada.
(super aula de francês, você não poderia perder. também sei falar – e escrever – abajour, sutien, pas-des-deaux, plié, menage, menage a trois. sei também que menage é limpeza, e portanto não faço idéia de onde veio o menage a tróis. também pergunto “qu’est-ce que c’est” e respondo “c’est une table”. só porque eu sei. e praticamente acabou-se meu francês.)

E deixo vocês com Sting:

E para exercitar seu francês, tente entender a letra:
Ne me quitte pas, il faut oublier
Tout peut s’oublier qui s’enfuit déjà
Oublier le temps des malentendus
Et le temps perdu à savoir comment
Oublier ces heures qui tuaient parfois
A coups de pourquoi le coeur du bonheur
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Moi, je t’offrirai des perles de pluie
Venues de pays où il ne pleut pas
Je creuserai la terre, jusqu’ après ma mort
Pour couvrir ton corps d’or et de lumière
Je ferai un domaine où l’amour sera roi
Où l’amour sera loi, où tu seras reine
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Ne me quitte pas, je t’inventerai
Des mots insensés que tu comprendras
Je te parlerai de ces amants là
Qui ont vu deux fois leurs coeurs s’embraser
Je te raconterai l’histoire de ce roi
Mort de n’avoir pas pu te rencontrer
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

On a vu souvent rejaillir le feuDe l’ancien volcan
qu’on croyait trop vieux
Il est parait-il des terres brûlées
Donnant plus de blé qu’un meilleur avril
Et quand vient le soir pour qu’un ciel flamboie
Le rouge et le noir ne s’épousent-ils pas?
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Ne me quitte pas je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler, je me cacherai là
A te regarder danser et sourire
Et à t’écouter chanter et puis rireLaisse-moi
devenir l’ombre de ton ombre
L’ombre de ta main, l’ombre de ton chien
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Ontem, recebi um pedido inusitado:
“Ok, entendi o que você quer. Você consegue me passar por fax esses detalhes todos?”
(hein?! fax? )

- Não serve se eu te mandar por email?
- Serviria, se eu tivesse email.

pausa. risos. não controlei.

- Não me lembro a última vez que conheci alguém sem email!
- Pois é, sou um excluído digital por opção. Me permito o telefone celular.

e o rapaz é empreendedor, parece que bem sucedido, dono de estabelecimento comercial e a oferta que me fez é boa.
é, nem todo mundo tem email.
mas não consegui mandar o fax. não tenho aparelho.

E já dizia Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra.”

Chuto – de leve, só para dar uma desarrumada – o jornal na porta do vizinho barulhento da frente. Não seguro a porta do elevador pra quem nunca foi gentil comigo. Ou praqueles caras pra quem tudo é motivo de cantada barata. De madrugada, mesmo com a chave na mão, bato na porta do prédio até o segurança que nunca é gentil acordar e abrir a porta pra mim. Aquele amigo que não me ligou no meu aniversário recebe ligação minha apenas no dia seguinte ao seu próprio. Levo a sério essa coisa dos parabéns. Cobro cada centavo de troco do taxista que não fez menção alguma de me dar meus míseros centavos (as vezes, poucos reais) de troco voluntariamente. Se são centavos, e reparo que o taxista tem a intenção de me entregar, sorrio simpática e digo: “pode ficar com o troco”. Subo da forma mais devagar que sou capaz no ônibus do motorista que parou a metros do ponto. Não atendo ligação telefônica quando não estou a fim. É comum nas manhãs de sábado. Pode ser o papa ou ligar 15 vezes. Deixo pra caixa postal. Quanto maior a insistência, maior minha rebeldia solitária. Escolho bebida e prato caro do cardápio e, na hora da conta, não faço nem menção de tocar na carteira pro mis-en-céne do “vamos dividir?” durante o jantar com aquele cara que não está tão merecedor assim de minha confiança. Ele que agradeça por estar tendo o privilégio de pagar minha conta. Ouço música alta de manhã e torço pro vizinho barulhento da frente – o do jornal – estar dormindo.

* tudo isso me lembra o dia em que minha amiga Malu – no auge de sua rebeldia adolescente de 14 anos – declarou: “a partir de agora, vou ser rebelde. vou usar chinelos na rua!” :) Malu querida, você realmente nunca levou jeito pra menina rebelde. pelo visto, nem eu
** por vezes, faço o blog de confessionário. não sei o que me dá. só sei que gosto.

de admitir que acho “Manhattan Connection” um saco porque não entendo xongas do que eles estão falando.

de admitir que eu acredito e que me engano. que espero e me frustro. acabo sofrendo.

de admitir que tenho meus momentos ‘mulherzinha’. frágil, indefesa e chorosa.

estou tão sem-vergonha hoje que resolvi registrar, pra lembrar amanhã. e depois.

Miriam Leitão tirou férias e foi ao teatro. Escolheu “Viver sem tempos mortos”, como eu.
Juro que pensei em abordar vários dos pontos abordados por ela, e no final acabei resumindo tanto mas tanto que deu nessa coisa simplória aí embaixo. Portanto, se Sartre, Simone de Beauvoir, a estranha relação dos dois, existencialismo, “O segundo sexo”, Fernanda Montenegro e\ou teatro te interessam, leiam a coluna da Miriam aqui.

Lembro da Fernanda Montenegro na capa da Bravo, edição de alguns meses atrás, falando sobre essa peça que havia acabado de estreiar no subúrbio: São João de Meriti, se não me engano. Lembro que achei interessante. Quis falar sobre o olhar de Fernanda que é algo hipnotizador. Sobre a beleza do teatro, e o poder de alguém que é capaz de sentar numa cadeira, falar por 1h e prender cada segundo da minha atenção. Pensei em comentar o relacionamento de Sartre e Simone destacando o que sempre achei interessante perceber: eles eram contra o casamento, por não acreditar na viabilidade de uma promessa para uma vida – já que o ‘eu’ que promete hoje pode já não existir no ‘eu’ de amanhã – mas prometeram companheirismo um ao outro e, esta promessa mantiveram até o fim. Quis falar sobre esse relacionamento tão estranho dos dois. Sobre “O segundo sexo” que não li, e sobre a afirmação de Simone: “Ninguém nasce mulher” e sobre minha curiosidade para entender melhor porque ela mudou de idéia sobre o segundo sexo mais pro fim da vida – fato citado na peça. Quis, mas não escrevi. Ainda bem que a Miriam escreveu :)

ps: Na minha sessão, não teve bate papo com Fernanda. Uma pena.

De tudo um pouco:

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