eu quis falar sobre a abertura das para-olimpíadas, da chinesinha de 11 anos que perdeu a perna no terremoto faz apenas 4 meses e protagonizou um dos números de dança mais sensíveis que já vi, ao som de Bolero de Ravel que só me lembra o Baryshinikovski em pliés ritmados na torre Eiffel, na celebração dos 200 anos do início da revolução francesa. foi em 1988. também ano de olimpíadas de seul, eu na 6a série do ginásio, 11 anos, ápice da paixão pela ginástica olimpíca que me fez acompanhar atentamente cada tenso momento da disputa da romena Daniela Silivas com a russa que agora esqueci o nome, mas que fazia um mortal lateral de pernas afastadas que terminava em rolo que eu achava o máximo. no fim, por alguns décimos, deu primeiro lugar para a antipatia da Chouchounova – lembrei o nome – que continuou com a mesma cara feia no primeiro lugar do pódio do individual geral, com a romeninha simpática e sorridente ali do lado. quanto a revolução, além do ballet, confesso que só lembro mesmo do Robespierre, da guilhotina e do meu trabalho datilografado na máquina elétrica que trocava as margaridas, em folhas que juntei em uma capa de cartolina forrada em papel-camurça azul, vermelho e branco remetendo a bandeira francesa, com uma imagem da torre eiffel colada no centro, boleada, com a ajuda do boleador da minha mãe e também da minha mãe, que boleava muito bem e me obrigou a fazer o cursinho de datilografia – por isso meu primeiro trabalho datilografado – mas o diploma eu nunca consegui, pois nunca passei na prova de gráfico apesar de haver passado com louvor na prova de texto e ainda hoje explico a quem pergunta que foram as salsas e fadas do cursinho que me fizeram assim ágil nos teclados. e de volta a bailarina da sapatilha única vermelha, descobri que chama-se Li Yue, mas não encontrei vídeo para colocar aqui, o que me lembra a aberração que é a censura a internet na china e me obriga a fazer mais propaganda gratuita do Sportv – pena que não é canal aberto e não dá para todo mundo assistir – mas eles têm repetido várias vezes a coreografia da chinesinha envolta pelas bailarinas que trocam os pés pelas mãos. e já que estava pela internet, aproveitei para checar alguns fatos aqui escritos e, para não passar vergonha, já corrijo que a revolução francesa iniciou-se em maio de 1789 e portanto seus 200 anos celebrados em 1989, ano da minha colônia de férias preferida em São Sebastião e também, muito provavelmente, o ano em que tentei escrever Baryshinikovski pela primeira vez, com dificuldade naquele mundo sem internet, a dificuldade persiste mas – três vivas a internet, por favor – recorri ao santo google e aqui corrijo: Mikhail Baryshnikov, como garante o resultado da busca certeira que fiz, e quem imaginaria isso em 1989?, por ‘bailarino russo sex and the city’. finalmente, explico que escrevo assim, em frases longas todas em minúsculas numa humilde referência ao escritor português josé saramago, a quem nunca li mas ainda lerei, porque hoje é dia de assistir a ‘ensaio sobre a cegueira’, baseado em obra honônima, dirigido por fernando meirelles, esse sim já cansei de assistir, quer dizer, cansei nada, assisto de novo e de novo e de novo. vamos ao cinema?
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3 comentários
Feed de comentários deste artigo
20 setembro, 2008 às 11:27 pm
Minha mente me trai. « Jardim das Margaridas
[...] 20 Setembro, 2008 in Meu querido diário Sempre tive essa imagem na cabeça: um bailarino dançando ao som de Bolero de Ravel, à frente da Torre Eiffel, numa coreografia de pliés ritmados. Lembro que achei bonito, lembro de ter sido uma das primeiras vezes que vi um ballet contemporâneo. Lembro do dorso nu do moço. Lembro que tinha muita luz. E lembro que tinha algo a ver com celebrações da Revolução Francesa. Tinha Baryshnikov. E foi em 1989, e essa parte eu já contei aqui. [...]
20 setembro, 2008 às 11:30 pm
Jardim das Margaridas
[...] 20 Setembro, 2008 in do cotidiano para o mundo! Sempre tive essa imagem na cabeça: um bailarino dançando ao som de Bolero de Ravel, à frente da Torre Eiffel, numa coreografia de pliés ritmados. Lembro que achei bonito, lembro de ter sido uma das primeiras vezes que vi um ballet contemporâneo. Lembro do dorso nu do moço. Lembro que tinha muita luz. E lembro que tinha algo a ver com celebrações da Revolução Francesa. Tinha Baryshnikov. E foi em 1989, e essa parte eu já contei aqui. [...]
17 setembro, 2011 às 10:19 am
Joao
Tem a certeza que era Baryshnikov? Não seria Jorge Donn?