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Aproveitando meu dia de descanso, finalmente consegui colocar as fotos no Flickr.
Espero que gostem! Fiz uma selecao, mas tive que reduzir a qualidade de todas as fotos para conseguir fazer o upload.

Para ve-las:
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/europe/

Quem quiser ver somente o projeto sobre transporte:
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/transportation

Quem quiser ver somente Berlin:
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/berlin

E quem quiser ver somente Praga:
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/prague

Aproveito para fazer o agradecimento especial ao Marcelo – que me hospedou em Praga, serviu de guia turistico e ainda me deu internet de graca 🙂 Dank ui. Ou algo parecido com isso.

Amanha, parto para Paris.

Beijos a todos!!

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Apos 1 semana de viagem, muita caminhada, pouco sono e uma alimentacao capenga, meu corpo resolveu dar sinais de cansaco.

Resolvi descansar hoje e fazer um turismo rapido, pois jah havia conhecido bastante de Praga. Alias, Praga eh linda sim, mas bem pequenininha.

Concentrei o turismo do dia na cidade nova, aproveitando para andar mais de bonde. Alias, acho que nao comentei – tanto aqui qnto em Berlim – bondes fazem parte do transporte publico.

Apos ir ver (para crer) uma sinagoga em estilo arabe, fui a 2 museus proximos:
+ Mucha Museum: dedicado ao artista tcheco e icone da Art Nouveau – Alphonse Mucha. O acervo eh bem pequeno, algumas poucas litografias. A visita vale por um video bastante informativo sobre a vida dele, que eu desconhecia. Descobri que ele fez fama e dinheiro desde que Sarah Bernhardt o contratou para fazer os posters de suas pecas. Viveu anos em Paris e posteriormente nos EUA, criando ilustracoes para decorar um pouco de tudo – tapetes, vitrais, cupulas, moveis. Mas sempre alimentou a ideia de voltar ao seu pais de origem e deixar seu legado por lah. Com o final da primeira guerra, voltou e foi o responsavel por quase todas as ilustracoes do novo governo – de cedulas a condecoracoes. Decidiu iniciar, com o patrocinio de uma entidade americana, o Slavic Epic – varios paineis com o objetivo de exaltar o nacionalismo de sua patria e divulgar valores como a importancia da educacao, da cultura e folclore locais. Trabalhou 7 anos neste epico, que nao foi bem recebido pela critica. Logo depois veio a segunda guerra, logo depois o comunismo, e sua grande obra ficou arquivada. Ainda hoje, nao estah exposta em lugar nenhum. Mucha foi um dos primeiros artistas levados pelo Gestapo na ocupacao da Thecoslovaquia e, apesar de liberado, morreu logo depois.

+ Museu do comunismo – Interessante, mas me pareceu meio tendencioso demais e pouco historico. Ao falar sobre a tentativa de liberalizacao do comunismo – ampla e rapidamente reprimida pela URSS (a tal primavera de praga), os movimentos estudantis, e a grande marcha – totalmente pacifica – em 1989 apos a queda do muro e que culminou na queda do governo comunista, me lembrou a tal piadinha que os tchecos me contaram por aqui – e que eu contei em um post lah embaixo.
A historia recente do pais eh realmente muito pacifica. Talvez por terem sido um grande imperio entre os seculos XII e XVI – quando brigaram contra Roma e Alemanha, e perderam. Desde entao, passaram por 3 seculos de opressao e destruicao da cultura tcheca, que soh foi retomada apos o fim da primeira guerra com a criacao da Thecoeslovaquia. Poucos anos depois, veio a segunda guerra, depois o comunismo. Talvez tenham entendido que sempre ha alguem mais forte, apesar de seus esforcos. Eu nao entendo muito de historia mesmo, entao eh soh uma teoria.

Desde meu primeiro dia aqui, estava intrigada por ver tantos souvenirs com desenhos e pinturas de gatos. Todos sempre na Old Town ou no Jewish quarter. Eh gato para todos os lados.

Nao preciso nem dizer pra quem, mas inspirada pelos gatos, resolvi comprar um presente. Havia visto no dia anterior, e soh lembrava que era nos fundos do antigo cemiterio judeu. Cheguei ao cemiterio judeu, mas nao achava o tal beco. Enfim, resolvi comprar o ticket para o tour no jewish quarter, pq assim poderia entrar no cemiterio e sair pela porta dos fundos, chegando ao tal beco. Pequena fortuna de 29 reais, em um lugar onde eu venho pagando no maximo 12 reias para qualquer museu ou exposicao. Para ver um cemiterio, e algumas sinagogas – sendo que nao eh permitido entrar na sinagoga. Basicamente, vc ve a entrada e uma ou outra sala aberta. Os judeus mantem sua fama.

Mas enfim, achei o tal beco e o presente foi comprado. Eh uma gracinha, mas mesmo que nao goste, terah que dizer que AMOU, viu???

Perguntei ao cara que me vendeu o presente o porque de tantos gatos. Ele disse ser porque as senhoras judias que habitavam aquele quarteirao gostavam muito de gatos, e sempre tinham varios. Nao me pareceu muito convicto dessa explicacao nao, mas tudo bem, resolvi acreditar 🙂

E finalmente, o jazz. Encerrei meu dia numa jazz house – eu e mais meia-duzia de gatos pingados – jah que a noite por aqui nao eh muito agitada durante a semana. O jazz tcheco eh muito conceituado, pq foi desenvolvido por aqui jah que ficaram isolados do mundo durante o comunismo. Atualmente, o jazz tcheco moderno impressiona a critica americana, e Praga se diz a capital do jazz na Europa.
Eu gosto de jazz, apesar de nao ser profunda conhecedora, mas com vocal. Sem um vocalzinho, eu canso rapido. Mas valeu a ida.

Passei o primeiro dia caminhando, vendo tudo, sem parar em lugar algum. Eh uma boa forma para adquirir uma visao geral da cidade. Estava acompanhada de um “guia local” – Marcelo, meu amigo que estah me hospedando por aqui. Entao foi um passeio acompanhado de algumas explicacoes 🙂

Segundo dia, resolvi voltar a Old Town, Jewish Quarter e Charles Bridge para fazer algumas paradas. Como apreciadora de fotografia, dei sorte e encontrei duas exposicoes fotograficas:
+
2006 Czech Press Photo.
+
Jan Saudek – eu nao conhecia, mas parece ser o mais ilustre e conhecido fotografo tcheco. Seu trabalho eh pautado por dualidades tais como: juventude e velhice, nascimento e morte, beleza e feiura. Fotos produzidas e muito manipuladas – desde os idos de 1960, muito antes da era Photoshop. Muito nu, muita foto para chocar. Eh interessante, gostei de conhecer. Mas confesso que, para meu gosto pessoal, eh tudo manipulado demais.

A dica do dia, sem duvida alguma vai para o Franz Kafka Museum. Eh novo, portanto nao consta em varios guias. Fica no final da Charles Bridge, na descida para o Little Quarter. Ha uma placa bem grande, que pode ser vista da ponte. A historia de Kafka eh contada de uma forma que te faz entender seus sentimentos de clausura, de impotencia diante de inumeras situacoes. Nao soh entender, como sentir. A trilha sonora vai te acompanhando, algumas vezes vc se ve dentro de um labirinto ou de um circulo fechado, com uma sensacao de clausura. Arquivos tambem podem ser vistos, lembrando “O processo”. No acervo, uma replica da carta que escreveu a seu pai – de inumeras paginas – que vai ” permeando a exposicao”. Muitas fotos, edicoes originais de livros, manuscritos.

Kafka era alemao, judeu e vivia em Praga, na Old Town. Constantemente dizia que tentou escapar varias vezes de Praga, mas nunca teve sucesso. Apesar de ter vivido fora, e dizer adorar Praga. Por varias vezes, disse que sentia que sua vida era um circulo – formado pela praca da Old Town, onde estava sua casa, sua escola e posteriormante sua faculdade. Sendo alemao e judeu, nao era exatamente bem vindo em Praga no inicio do seculo XX. Filho de um judeu ortodoxo, passou por uma educacao extremamente rigida e severa. Culpou o pai por seus problemas existenciais por uma vida. Por muito tempo, renegou sua religiao. Era advogado, e trabalhava para o departamento de acidentes de trabalho de Praga. A vida dupla – burocratica durante o dia e totalmente literaria durante a noite – o consumia terrivelmente. Ate que em 1917, foi diagnosticado com tuberculose – o que ele acreditou ser uma doenca psicossomatica. Pediu baixa do trabalho, e passou seus ultimos 7 anos decicando-se a sua saude e a literatura. Morreu em 1924, em Vienna, e pediu ao amigo de escola Max Brod que queimasse todos os seus manuscritos. O amigo, nao sem algum sentimento de culpa, nao cumpriu com o prometido. E o mundo veio a conhecer sua obra. Todos os irmaos de Kafka morreram na guerra. Seus pais sobreviveram.

Quanto ao Little Quarter, ele vale um paragrafo. Eh uma “cidade” construida no seculo XIII, pela burguesia, aos pes do castelo de praga. Mais parece um set cinematografico. De fato, varias producoes hollywoodianas foram filmadas ali, e em toda Praga, como Identidade Bourne, por exemplo. O Little Quarter eh uma gracinha, e hoje esta tomado por bares e restaurantes.

Apos a passagem pelo museu do Kafka, resolvi parar na Charles Bridge e, munida de meu tripe, fazer algumas fotos noturnas. Em breve, estarao no flickr.

Praga!
De fato, a cidade eh linda. Uma mistura de estilos arquitetonicos, que vao de 1300 ao inicio do seculo XX.
Um passeio pela Old Town eh deslumbrante. A Charles Bridge – que leva ao Castelo de Praga – data de 1350, eh linda, oferece uma linda vista da cidade e o castelo no final como presente. Vale dizer que nao eh um castelo, mas um complexo de predios, ruas e igrejas que formavam a “casa” do rei – que estah mais para cidade que para casa.
O Jewish quarter – grudadinho a Old Town – tambem vale a caminhada. Eh totalmente preservado, nenhuma sinagoga foi destruida. Ali, moravam judeus ortodoxos. Dizem por aih (nao fui confirmar a veracidade), que os nazistas nao destruiram nada porque haviam decidido manter essa pequena area como um “registro historico” – para posteriormente exibir ao mundo como vivia o extinto povo judeu.
Tem ainda a cidade nova (nem tao nova assim!!), inumeros teatros, operas, igrejas. Praga eh uma cidade para se caminhar muito. E tudo eh muito pertinho, dah pra fazer tudo a pe, se houver disposicao.

Enfim, confirmo o que sempre ouvi dizer – Praga eh uma cidade linda. E diferente das demais cidades europeias (pelo menos as que eu conheco) pela diversidade de sua arquitetura e preservacao.

Segunda de madrugada, apos 5h de viagem em um onibus que nao era leito, cheguei em Praga.

Em Praga, comecei a me sentir na Europa. Afinal, Praga eh uma cidade velha. Este foi o primeiro choque – o contraste com a modernidade de Berlim.

Segundo choque: apesar de ja pertencer a comunidade europeia, a Republica Tcheca ainda nao adotou o euro. Conclusao: me sinto rica nesse lugar. Para dar uma ideia: uma coca-cola custa 2 euros, e 1500 coroas checas. 120 coroas checas = 1,2 reais.

Finalmente, ingles nao eh lah muito comum por aqui. Nem nos pontos turisticos. O que me fez concluir que o motorista do meu onibus devia ser tcheco. Terceiro choque.

5h de viagem e duas cidades tao diferentes. Berlim, nao eh novidade para ninguem, foi totalmente destruida na guerra. Durante toda a guerra, somente 3 bombas cairam em Praga.
E nao houve muita resistencia na ocupacao do territorio, que foi o primeiro a ser ocupado pelos nazistas, antes da ocupacao da Polonia – que deu inicio a guerra. Alias, a piadinha local eh que os tchecos fazem qq coisa para evitar uma guerra. Se a ocupacao eh nazista, viram nazistas. Se eh comunista, viram comunistas. Eh soh vir aqui e ocupar.
Antes da ocupacao da URSS, os tchecos eram majoritariamente catolicos. Atualmente, cerca de 60% da populacao eh ateia. Em contrapartida, a Polonia mesmo apos a longa dominancia sovietica, permanece um pais essencialmente cristao.
Mais um momento historia-curiosidades para vcs 🙂

Andam dizendo por aih que eu me pareco com uma ex-miss suica:

http://www.melaniewiniger.ch/20555/20501.html

Isso faz algum sentido ou eh mera cantada?? 😉

Domingo a noite, vou para a rodoviaria de Berlin tomar meu onibus – via Eurolines – para Praga, munida do meu numero de ticket eletronico.
Chega o onibus. Vejo todos entregando um ticket impresso ao motorista.
Minha vez. Mostro meu numero de ticket eletronico.

“No ticket, no bus! No ticket, no bus!”

Inutilmente tento argumentar que comprei pela Internet, e depois de mais 5 “No ticket, no bus” um tanto quanto agressivos, o homem profere a unica outra coisa que sabe falar em ingles: “Cash?”.

Me rendo. Entrego 50 euros e meu passaporte. O homem entra no onibus e vai conferir uma lista, e lah estah meu nome!!!!! Ele preenche um ticket em papel pra mim e me dah o troco!!! Indignacao total. Nem preciso dizer que foi inutil tentar convece-lo – em ingles – que se meu nome estava ali ao lado do mesmo numero que eu havia apresentado, eh obvio que eu havia pago.

Enfim, eram 23:00 – nao havia nenhum posto da Eurolines aberto na rodoviaria. Me conformei. Depois envio um email a Eurolines.

Passada a raiva, eu soh me lembrava de um episodio do Seinfeld – que deu nome ao post: “No soup for you!!”.

Estou aqui escrevendo pra vcs, e em breve rumo à Praga. Mas nao sem antes fazer um resumo das minhas impressoes sobre Berlim.

Antes de tudo, preciso dizer que adorei essa cidade. Eh super cosmopolita e inacreditavelmente reconstruida nos ultimos 50 anos. Grande parte da populacao eh jovem, todo mundo muito moderninho.

Alguns comentarios:

+ Como eu disse aih embaixo no post anterior, bicicletas sao efetivamente utilizadas como meio de transporte. Ha ciclovias praticamente em toda a cidade, e gente pedalando para ir trabalhar, para ir pra nigth, velhinhas voltando das compras. O transito da cidade me pareceu otimo (ok, so tive um dia de semana – a sexta – mas eu nao vi engarrafamento). Deu uma inveja… E uma observacao: todas as bicicletas tem farol na frente e atras – uma coisa tao simples, nao sei pq nao usamos no Brasil.

+ A noite de Berlim eh realmente excelente – acho que vale o titulo de “best night life in Europe”. Super ecletica, tem espaco pra todo mundo, e muita, mas muita diversao.

+ Curiosamente, a parte mais interessante e movimentada da cidade hoje em dia eh a do lado oriental. Eh onde esta a maior parte dos pontos turisticos, museus, os melhores clubs/bares.

+ Percebe-se que a cidade vive de turismo atualmente. Lembro de um alemao que conheci em Caracas, nascido em Berlim. Esse cara sempre me dizia que Berlim eh uma cidade maravilhosa, porem falida. Apos a queda do muro, grande crise financeira, a maior parte das empresas que existiam do lado ocidental mudou para o sul da Alemanha – Frankfurt, Munich. Isso me lembra o Rio de Janeiro. Soh falta aprendermos a organizar melhor nosso turismo.

+ Por algum motivo, na maioria dos lugares, os banheiros sao no subsolo. Alguem sabe me dizer porque?? Serah que meu arquiteto preferido consegue me explicar?? Alias, serah que meu arquiteto preferido anda lendo esse blog? Boa forma de descobrir 🙂

+ Para a minha felicidade, a mania de beber cerveja loucamente parece estar concentrada no sul da Alemanha. Por aqui, vi muita gente bebendo cerveja sim, mas nada que se comparasse aos pubs ingleses por exemplo. Nas ruas, a maior parte das pessoas a noite caminhavam bebendo alguma coisa transparente – que me parecia vodka. Ah, e eles sabem preparar uma boa caipirinha.

Acho que eh soh. Tambem estou cansada de escrever.

Rumo a Praga.

“Inspirada” pelo anoitecer a partir das 04:30 da tarde nessa cidade, comecei a fotografar dentro das estacoes do metro e do S-Bahn (um trem que nao eh subterraneo). As estacoes sao bem claras, uma luz amarela, e as do S-Bahn ainda contam com um pouco de luz natural, jah que a grande maioria eh aberta.

Juntando essas fotos com meu eterno “fetiche” por bicicletas – que sao efetivamente utilizadas como meio de transporte por aqui – dei inicio a um projeto fotografico sobre meios de transporte. Estou gostando da brincadeira, jah tenho algumas fotos e sequencia de fotos bem boas.

Pretendo continuar o projeto pelo resto da viagem. Assim que conseguir, posto algumas fotos para vcs verem. Me aguardem.

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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