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Estou aqui escrevendo pra vcs, e em breve rumo à Praga. Mas nao sem antes fazer um resumo das minhas impressoes sobre Berlim.

Antes de tudo, preciso dizer que adorei essa cidade. Eh super cosmopolita e inacreditavelmente reconstruida nos ultimos 50 anos. Grande parte da populacao eh jovem, todo mundo muito moderninho.

Alguns comentarios:

+ Como eu disse aih embaixo no post anterior, bicicletas sao efetivamente utilizadas como meio de transporte. Ha ciclovias praticamente em toda a cidade, e gente pedalando para ir trabalhar, para ir pra nigth, velhinhas voltando das compras. O transito da cidade me pareceu otimo (ok, so tive um dia de semana – a sexta – mas eu nao vi engarrafamento). Deu uma inveja… E uma observacao: todas as bicicletas tem farol na frente e atras – uma coisa tao simples, nao sei pq nao usamos no Brasil.

+ A noite de Berlim eh realmente excelente – acho que vale o titulo de “best night life in Europe”. Super ecletica, tem espaco pra todo mundo, e muita, mas muita diversao.

+ Curiosamente, a parte mais interessante e movimentada da cidade hoje em dia eh a do lado oriental. Eh onde esta a maior parte dos pontos turisticos, museus, os melhores clubs/bares.

+ Percebe-se que a cidade vive de turismo atualmente. Lembro de um alemao que conheci em Caracas, nascido em Berlim. Esse cara sempre me dizia que Berlim eh uma cidade maravilhosa, porem falida. Apos a queda do muro, grande crise financeira, a maior parte das empresas que existiam do lado ocidental mudou para o sul da Alemanha – Frankfurt, Munich. Isso me lembra o Rio de Janeiro. Soh falta aprendermos a organizar melhor nosso turismo.

+ Por algum motivo, na maioria dos lugares, os banheiros sao no subsolo. Alguem sabe me dizer porque?? Serah que meu arquiteto preferido consegue me explicar?? Alias, serah que meu arquiteto preferido anda lendo esse blog? Boa forma de descobrir 🙂

+ Para a minha felicidade, a mania de beber cerveja loucamente parece estar concentrada no sul da Alemanha. Por aqui, vi muita gente bebendo cerveja sim, mas nada que se comparasse aos pubs ingleses por exemplo. Nas ruas, a maior parte das pessoas a noite caminhavam bebendo alguma coisa transparente – que me parecia vodka. Ah, e eles sabem preparar uma boa caipirinha.

Acho que eh soh. Tambem estou cansada de escrever.

Rumo a Praga.

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“Inspirada” pelo anoitecer a partir das 04:30 da tarde nessa cidade, comecei a fotografar dentro das estacoes do metro e do S-Bahn (um trem que nao eh subterraneo). As estacoes sao bem claras, uma luz amarela, e as do S-Bahn ainda contam com um pouco de luz natural, jah que a grande maioria eh aberta.

Juntando essas fotos com meu eterno “fetiche” por bicicletas – que sao efetivamente utilizadas como meio de transporte por aqui – dei inicio a um projeto fotografico sobre meios de transporte. Estou gostando da brincadeira, jah tenho algumas fotos e sequencia de fotos bem boas.

Pretendo continuar o projeto pelo resto da viagem. Assim que conseguir, posto algumas fotos para vcs verem. Me aguardem.

Em ano de Copa e em plena Alemanha, eu esperava encontrar referencias ao futebol – mesmo depois da Copa. Mas ateh hoje nao tinha visto nada.
Ateh que me deparo com uma exposicao sobre futebol  em um lugar totalmente inusitado – a nova sinagoga!!!

Eh chamada de Nova Sinagoga pq esta sendo reconstruida, depois de ter sido praticamente toda destruida na guerra. Era a maior sinagoga de Berlim, icone do movimento de “modernizacao” do judaismo. A fachada jah foi toda reconstruida, mas o interior conta apenas com algumas salas e a cupula. E algumas exposicoes, dentre elas uma sobre futebol!

Uma exposicao composta principalmente por fotos e videos. Fotos de atitudes anti-semitas atuais nos estadios da Alemanha – varias bandeiras nazistas sem a suastica, frases como “voces sao judeus e nos somos brancos”, nos jogos com times que contam com jogadores judeus. Inacreditavel que ainda exista esse movimento neo-nazista.

O video era sobre o <a href=”http://www.makkabi.com/page/browse.php”>Makkabi</a&gt; – time de futebol judaico que acaba de celebrar sua passagem para algo como a quinta divisao do futebol alemao 🙂 Fundado em 1970, em um centro esportivo judaico de Berlim, desativado ateh entao desde a guerra. O interessante eh que este centro, amplamente frequentado pelos judeus, foi “esquecido” pelos nazistas e permaneceu praticamente intacto.  O video mostra o depoimento emocionado de uma judia contando que eles se encontravam secretamente ali, em tentativas de momentos de alegria. Alem de varias cenas do Makkabi e da celebracao pela conquista do titulo da sexta divisao 🙂

Em meio a isso tudo, uma camisa da selecao brasileira – ja com as 3 estrelas e assinada por Pele – que foi doada ao time na sua fundacao.

Futebol eh o esporte mais popular do mundo. E o Brasil eh definitivamente o pais do futebol.

A principio, eu visitaria alguns museus hoje – um de Bauhaus, um museu de arte moderna, talvez algum da Museum Island – um deles esta com uma exposicao sobre o Egito e Nefertite.
Mas enfim, nao estava em clima de museus.
Decidi entao caminhar pela vizinhanca, animada pelas descobertas da noite anterior. Voltei ao tal beco do bar para fotografar.
O beco abriga tambem o “Anne Frank Zentrum“, e eu decidi visitar. Anne Frank foi uma judia, morta aos 15 anos em um campo de concentracao. Ficou famosa desde que seu pai – o unico sobrevivente da familia que contava ainda com outra irma – decidiu publicar seu diario, escrito desde o inicio da repressao aos judeus em Amsterda (onde a familia morava e tinha negocios) ate o dia-a-dia da familia escondida por amigos no anexo de um escritorio, quando foram descobertos e levados para campos de concentracao.
Acabaram de inaugurar uma exposicao definitiva que eh bem interessante. De um lado, fotos e depoimentos cronologicamente organizados de Anne e sua familia. Do outro lado, seguindo a mesma cronologia – os avancos de Hitler, desde sua chegada ao poder com o partido nazista ateh o fim da guerra. Interessante mesmo sao varias fotos da guerra, que certamente foram feitas clandestinamente, pois retratavam momentos proibidos de serem registrados, como a invasao de esconderijos e casas de judeus.
Tudo bem documentado, organizado. Tem tambem uma area interativa/educativa para jovens/adolescentes sobre liberdade e outras guerras que ainda ocorrem pelo mundo, jah que o objetivo do Centro eh a conscientizacao pela liberdade de expressao.
Enfim, interessante. Recomendo a visita. Pra quem quer fugir dos museus, eh otimo 🙂

Continuei meu dia caminhando pelas ruas, comprando fruta em feira, fotografando. Com paradas na Nova Sinagoga e no C|O Berlin – um centro de fotografia, bem ao lado da nova sinagoga.

No C|O Berlin, exposicao de Karl Lagerfeld, denominada “One Show Man”. O conceito eh interessante. Karl – um fashion designer com gosto pela fotografia – descobriu o modelo Brad Kroening, e o fotografou nos ultimos 5 anos – com o objetivo de mostrar sua transformacao do anonimato ao estrelato (Brad eh atualmente o modelo masculino mais bem pago do mundo), retratando como sua inicial naturalidade foi sendo aos poucos substituida por poses de um personagem criado – que toma consciencia de sua propria beleza (e que beleza!!). Boas fotos, tudo em P&B. Mas nada fenomenal.

Pra galera do RioFotoClube: desde o inicio de 2006, a C|O Berlin dedica um espacao para novos fotografos. Alguem se anima??

Timidez (def):
Vc estah em um lugar onde ninguem te conhece ou sequer fala a sua lingua, e sente vontade de fazer uma coisa simples. Muito simples.
Aih vem uma vergonha que nem vc sabe de onde vem.  Algo que te impede de fazer a tal coisa tao simples. Vc pensa, repensa, faco ou nao faco – ai, mas eu tenho vergonha.
Enfim, vc nao faz.

Ha quem nao acredite que eu sou timida. Mas eu sou.

Terceira noite em Berlim. Queria sair por perto de onde estou – que eh uma zona bem movimentada (proxima ao Hackesher Market). Sigo a dica de um cara no albergue, e vou para um club proximo. Estava as moscas e com musica ruim.

Decido voltar e entrar em um beco que havia visto no caminho, com varias pessoas entrando. E me deparo com um passado cravado bem no centro dessa Berlim toda reconstruida.  Predios antiquissimos, mal cuidados,  marcados por alguns buracos de bala. Tudo meio sujo, posters para todos os lados, grafite nos muros.

Encontro um bar e entro. Chama-se Eschschloraque, e promete show de “<a href=”http://www.paintedbird.net/”>Daniel Kahn and The Painted Bird</a>”. Dentro do bar, umas esculturas de ferro mucho loucas – uns monstros, uma coisa meio Gremlin, dentro de umas caixas de vidro com um pouco de agua. Com uma moeda, os monstros se mexiam. Descobri tratar-se do trabalho de um alemao, conhecido como <a href=”http://www.deadchickens.de”>Dead Chickens</a>. Tudo muito louco.

Comeca o show. 4 caras, barba e chapéu – concluo serem todos judeus. Eu nao sei descrever o que estavam tocando porque nunca ouvi nada parecido. Mas era bom. Um violoncelista, um saxofonista, um baterista e um vocalista tocando acordeao. As musicas eram metade em hebraico, metade em ingles. Comecei a me sentir em um lugar proibido, escondido no meio de Berlim, que seria invadido a qualquer momento pelos nazistas e seriamos todos presos e levados para campos de concentracao. Mas eu estava gostando 🙂

No intervalo, descubro que o unico judeu do grupo eh o vocalista – o tal Daniel Kahn. Um americano, que vive em Berlim ha 1 1/2 ano, que gosta de bossa nova e da tropicalia e eh fa de Caetano Veloso. Ele me explica que a musica eh meio judaica, mas com influencias de rock, folk e outras coisas mais. Ok, entao. A banda eh totalmente multi-nacional: o violoncelista tb eh americano,  o baterista sueco, o saxofonista alemao.

O show recomeca, e eu realmente gostei. Virei fa. Comprei um CD. Toco pra vcs qndo voltar ao RJ.

E fui embora sa e salva – o refugio judaico nao foi descoberto. Nao nessa noite 🙂

A Alemanha eh desconfortavel com seu passado e nao sabe lidar com ele. Dito por um alemao.
Na queda do muro, decidiram derrubar tudo. Deixaram apenas uma parte bem pequena proxima ao Checkpoint Charlie – que era o posto de controle de imigracao entre os lados oriental e ocidental.
Anos depois, perceberam que estavam destruindo seu passado e provavelmente deixando de ganhar dinheiro com turismo.
Em 2000, resolveram reconstruir 1200m do muro. Chamaram varios artistas para expressar no muro seus sentimentos sobre a guerra, o muro, a guerra fria. Eis que surgiu a East Side Gallery.
Vale a caminhada, e fica como dica do dia. Tem pinturas bem interessantes, e inumeras interferencias de gente que vai passando e deixando seu recado. Fotografei as que me chamaram mais atencao. Inclusive um capixaba de Vitoria (viu, Dani???) que deixou seu recado. Pena que ainda nao consigo postar fotos aqui.

No final dos 1200m de muro, tem uma ponte que eh uma das unicas (senao a unica) sobrevivente depois da guerra. Acaba de ser restaurada. Eh bem bonita e destoa do resto da paisagem dessa Berlim reconstruida. Tambem vale passar por ela.

Vale ressaltar que, durante a guerra fria, o lado oriental do muro nunca foi pintado, mas somente o ocidental. As famosas imagens de pessoas quebrando o muro com marretas foram todas feitas do lado ocidental, e portanto todos os pedacinhos de muro coloridinhos e vendidos como souvenirs sao do lado ocidental. Apesar da midia ter noticiado como a alegria do lado oriental com a queda do muro.

Os movimentos estudantis/juvenis que pipocavam do lado oriental eram pela liberdade de expressao – nao pela queda do muro necessariamente. Do lado oriental, nao houve ninguem marretando muro.

Um pouquinho de historia pra vcs 🙂

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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