Passei o primeiro dia caminhando, vendo tudo, sem parar em lugar algum. Eh uma boa forma para adquirir uma visao geral da cidade. Estava acompanhada de um “guia local” – Marcelo, meu amigo que estah me hospedando por aqui. Entao foi um passeio acompanhado de algumas explicacoes 🙂

Segundo dia, resolvi voltar a Old Town, Jewish Quarter e Charles Bridge para fazer algumas paradas. Como apreciadora de fotografia, dei sorte e encontrei duas exposicoes fotograficas:
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2006 Czech Press Photo.
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Jan Saudek – eu nao conhecia, mas parece ser o mais ilustre e conhecido fotografo tcheco. Seu trabalho eh pautado por dualidades tais como: juventude e velhice, nascimento e morte, beleza e feiura. Fotos produzidas e muito manipuladas – desde os idos de 1960, muito antes da era Photoshop. Muito nu, muita foto para chocar. Eh interessante, gostei de conhecer. Mas confesso que, para meu gosto pessoal, eh tudo manipulado demais.

A dica do dia, sem duvida alguma vai para o Franz Kafka Museum. Eh novo, portanto nao consta em varios guias. Fica no final da Charles Bridge, na descida para o Little Quarter. Ha uma placa bem grande, que pode ser vista da ponte. A historia de Kafka eh contada de uma forma que te faz entender seus sentimentos de clausura, de impotencia diante de inumeras situacoes. Nao soh entender, como sentir. A trilha sonora vai te acompanhando, algumas vezes vc se ve dentro de um labirinto ou de um circulo fechado, com uma sensacao de clausura. Arquivos tambem podem ser vistos, lembrando “O processo”. No acervo, uma replica da carta que escreveu a seu pai – de inumeras paginas – que vai ” permeando a exposicao”. Muitas fotos, edicoes originais de livros, manuscritos.

Kafka era alemao, judeu e vivia em Praga, na Old Town. Constantemente dizia que tentou escapar varias vezes de Praga, mas nunca teve sucesso. Apesar de ter vivido fora, e dizer adorar Praga. Por varias vezes, disse que sentia que sua vida era um circulo – formado pela praca da Old Town, onde estava sua casa, sua escola e posteriormante sua faculdade. Sendo alemao e judeu, nao era exatamente bem vindo em Praga no inicio do seculo XX. Filho de um judeu ortodoxo, passou por uma educacao extremamente rigida e severa. Culpou o pai por seus problemas existenciais por uma vida. Por muito tempo, renegou sua religiao. Era advogado, e trabalhava para o departamento de acidentes de trabalho de Praga. A vida dupla – burocratica durante o dia e totalmente literaria durante a noite – o consumia terrivelmente. Ate que em 1917, foi diagnosticado com tuberculose – o que ele acreditou ser uma doenca psicossomatica. Pediu baixa do trabalho, e passou seus ultimos 7 anos decicando-se a sua saude e a literatura. Morreu em 1924, em Vienna, e pediu ao amigo de escola Max Brod que queimasse todos os seus manuscritos. O amigo, nao sem algum sentimento de culpa, nao cumpriu com o prometido. E o mundo veio a conhecer sua obra. Todos os irmaos de Kafka morreram na guerra. Seus pais sobreviveram.

Quanto ao Little Quarter, ele vale um paragrafo. Eh uma “cidade” construida no seculo XIII, pela burguesia, aos pes do castelo de praga. Mais parece um set cinematografico. De fato, varias producoes hollywoodianas foram filmadas ali, e em toda Praga, como Identidade Bourne, por exemplo. O Little Quarter eh uma gracinha, e hoje esta tomado por bares e restaurantes.

Apos a passagem pelo museu do Kafka, resolvi parar na Charles Bridge e, munida de meu tripe, fazer algumas fotos noturnas. Em breve, estarao no flickr.

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