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Em ano de Copa e em plena Alemanha, eu esperava encontrar referencias ao futebol – mesmo depois da Copa. Mas ateh hoje nao tinha visto nada.
Ateh que me deparo com uma exposicao sobre futebol  em um lugar totalmente inusitado – a nova sinagoga!!!

Eh chamada de Nova Sinagoga pq esta sendo reconstruida, depois de ter sido praticamente toda destruida na guerra. Era a maior sinagoga de Berlim, icone do movimento de “modernizacao” do judaismo. A fachada jah foi toda reconstruida, mas o interior conta apenas com algumas salas e a cupula. E algumas exposicoes, dentre elas uma sobre futebol!

Uma exposicao composta principalmente por fotos e videos. Fotos de atitudes anti-semitas atuais nos estadios da Alemanha – varias bandeiras nazistas sem a suastica, frases como “voces sao judeus e nos somos brancos”, nos jogos com times que contam com jogadores judeus. Inacreditavel que ainda exista esse movimento neo-nazista.

O video era sobre o <a href=”http://www.makkabi.com/page/browse.php”>Makkabi</a&gt; – time de futebol judaico que acaba de celebrar sua passagem para algo como a quinta divisao do futebol alemao 🙂 Fundado em 1970, em um centro esportivo judaico de Berlim, desativado ateh entao desde a guerra. O interessante eh que este centro, amplamente frequentado pelos judeus, foi “esquecido” pelos nazistas e permaneceu praticamente intacto.  O video mostra o depoimento emocionado de uma judia contando que eles se encontravam secretamente ali, em tentativas de momentos de alegria. Alem de varias cenas do Makkabi e da celebracao pela conquista do titulo da sexta divisao 🙂

Em meio a isso tudo, uma camisa da selecao brasileira – ja com as 3 estrelas e assinada por Pele – que foi doada ao time na sua fundacao.

Futebol eh o esporte mais popular do mundo. E o Brasil eh definitivamente o pais do futebol.

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A principio, eu visitaria alguns museus hoje – um de Bauhaus, um museu de arte moderna, talvez algum da Museum Island – um deles esta com uma exposicao sobre o Egito e Nefertite.
Mas enfim, nao estava em clima de museus.
Decidi entao caminhar pela vizinhanca, animada pelas descobertas da noite anterior. Voltei ao tal beco do bar para fotografar.
O beco abriga tambem o “Anne Frank Zentrum“, e eu decidi visitar. Anne Frank foi uma judia, morta aos 15 anos em um campo de concentracao. Ficou famosa desde que seu pai – o unico sobrevivente da familia que contava ainda com outra irma – decidiu publicar seu diario, escrito desde o inicio da repressao aos judeus em Amsterda (onde a familia morava e tinha negocios) ate o dia-a-dia da familia escondida por amigos no anexo de um escritorio, quando foram descobertos e levados para campos de concentracao.
Acabaram de inaugurar uma exposicao definitiva que eh bem interessante. De um lado, fotos e depoimentos cronologicamente organizados de Anne e sua familia. Do outro lado, seguindo a mesma cronologia – os avancos de Hitler, desde sua chegada ao poder com o partido nazista ateh o fim da guerra. Interessante mesmo sao varias fotos da guerra, que certamente foram feitas clandestinamente, pois retratavam momentos proibidos de serem registrados, como a invasao de esconderijos e casas de judeus.
Tudo bem documentado, organizado. Tem tambem uma area interativa/educativa para jovens/adolescentes sobre liberdade e outras guerras que ainda ocorrem pelo mundo, jah que o objetivo do Centro eh a conscientizacao pela liberdade de expressao.
Enfim, interessante. Recomendo a visita. Pra quem quer fugir dos museus, eh otimo 🙂

Continuei meu dia caminhando pelas ruas, comprando fruta em feira, fotografando. Com paradas na Nova Sinagoga e no C|O Berlin – um centro de fotografia, bem ao lado da nova sinagoga.

No C|O Berlin, exposicao de Karl Lagerfeld, denominada “One Show Man”. O conceito eh interessante. Karl – um fashion designer com gosto pela fotografia – descobriu o modelo Brad Kroening, e o fotografou nos ultimos 5 anos – com o objetivo de mostrar sua transformacao do anonimato ao estrelato (Brad eh atualmente o modelo masculino mais bem pago do mundo), retratando como sua inicial naturalidade foi sendo aos poucos substituida por poses de um personagem criado – que toma consciencia de sua propria beleza (e que beleza!!). Boas fotos, tudo em P&B. Mas nada fenomenal.

Pra galera do RioFotoClube: desde o inicio de 2006, a C|O Berlin dedica um espacao para novos fotografos. Alguem se anima??

Timidez (def):
Vc estah em um lugar onde ninguem te conhece ou sequer fala a sua lingua, e sente vontade de fazer uma coisa simples. Muito simples.
Aih vem uma vergonha que nem vc sabe de onde vem.  Algo que te impede de fazer a tal coisa tao simples. Vc pensa, repensa, faco ou nao faco – ai, mas eu tenho vergonha.
Enfim, vc nao faz.

Ha quem nao acredite que eu sou timida. Mas eu sou.

Terceira noite em Berlim. Queria sair por perto de onde estou – que eh uma zona bem movimentada (proxima ao Hackesher Market). Sigo a dica de um cara no albergue, e vou para um club proximo. Estava as moscas e com musica ruim.

Decido voltar e entrar em um beco que havia visto no caminho, com varias pessoas entrando. E me deparo com um passado cravado bem no centro dessa Berlim toda reconstruida.  Predios antiquissimos, mal cuidados,  marcados por alguns buracos de bala. Tudo meio sujo, posters para todos os lados, grafite nos muros.

Encontro um bar e entro. Chama-se Eschschloraque, e promete show de “<a href=”http://www.paintedbird.net/”>Daniel Kahn and The Painted Bird</a>”. Dentro do bar, umas esculturas de ferro mucho loucas – uns monstros, uma coisa meio Gremlin, dentro de umas caixas de vidro com um pouco de agua. Com uma moeda, os monstros se mexiam. Descobri tratar-se do trabalho de um alemao, conhecido como <a href=”http://www.deadchickens.de”>Dead Chickens</a>. Tudo muito louco.

Comeca o show. 4 caras, barba e chapéu – concluo serem todos judeus. Eu nao sei descrever o que estavam tocando porque nunca ouvi nada parecido. Mas era bom. Um violoncelista, um saxofonista, um baterista e um vocalista tocando acordeao. As musicas eram metade em hebraico, metade em ingles. Comecei a me sentir em um lugar proibido, escondido no meio de Berlim, que seria invadido a qualquer momento pelos nazistas e seriamos todos presos e levados para campos de concentracao. Mas eu estava gostando 🙂

No intervalo, descubro que o unico judeu do grupo eh o vocalista – o tal Daniel Kahn. Um americano, que vive em Berlim ha 1 1/2 ano, que gosta de bossa nova e da tropicalia e eh fa de Caetano Veloso. Ele me explica que a musica eh meio judaica, mas com influencias de rock, folk e outras coisas mais. Ok, entao. A banda eh totalmente multi-nacional: o violoncelista tb eh americano,  o baterista sueco, o saxofonista alemao.

O show recomeca, e eu realmente gostei. Virei fa. Comprei um CD. Toco pra vcs qndo voltar ao RJ.

E fui embora sa e salva – o refugio judaico nao foi descoberto. Nao nessa noite 🙂

A Alemanha eh desconfortavel com seu passado e nao sabe lidar com ele. Dito por um alemao.
Na queda do muro, decidiram derrubar tudo. Deixaram apenas uma parte bem pequena proxima ao Checkpoint Charlie – que era o posto de controle de imigracao entre os lados oriental e ocidental.
Anos depois, perceberam que estavam destruindo seu passado e provavelmente deixando de ganhar dinheiro com turismo.
Em 2000, resolveram reconstruir 1200m do muro. Chamaram varios artistas para expressar no muro seus sentimentos sobre a guerra, o muro, a guerra fria. Eis que surgiu a East Side Gallery.
Vale a caminhada, e fica como dica do dia. Tem pinturas bem interessantes, e inumeras interferencias de gente que vai passando e deixando seu recado. Fotografei as que me chamaram mais atencao. Inclusive um capixaba de Vitoria (viu, Dani???) que deixou seu recado. Pena que ainda nao consigo postar fotos aqui.

No final dos 1200m de muro, tem uma ponte que eh uma das unicas (senao a unica) sobrevivente depois da guerra. Acaba de ser restaurada. Eh bem bonita e destoa do resto da paisagem dessa Berlim reconstruida. Tambem vale passar por ela.

Vale ressaltar que, durante a guerra fria, o lado oriental do muro nunca foi pintado, mas somente o ocidental. As famosas imagens de pessoas quebrando o muro com marretas foram todas feitas do lado ocidental, e portanto todos os pedacinhos de muro coloridinhos e vendidos como souvenirs sao do lado ocidental. Apesar da midia ter noticiado como a alegria do lado oriental com a queda do muro.

Os movimentos estudantis/juvenis que pipocavam do lado oriental eram pela liberdade de expressao – nao pela queda do muro necessariamente. Do lado oriental, nao houve ninguem marretando muro.

Um pouquinho de historia pra vcs 🙂

Segunda noite em Berlim.
Apos muito caminhar no walking tour, decidi ir a Staatsoper – a opera house de Berlim. Uma construcao belissima.
Apresentando “L’elisir d’amore” – orquestra lindissima, uma soprano maravilhosa e linda, dois tenores otimos mas nao lindos e outros varios coadjuvantes. Infelizmente, para alguem que jah nao entende muito de opera, assistir a uma em italiano com legenda em alemao nao ajuda. Tinha algo a ver com um hospicio, Tristao e Isolda, um louco que se apaixona pela linda soprano que, por sua vez, mesmo apaixonada pelo louco, aceita casar-se com um general. Tvz o final tenha sido feliz. Nao sei pq sai no intervalo. 1h de opera – mesmo que linda – sem entender muita coisa jah estava de bom tamanho.

Dali, resolvi ir ao Junction Bar – com promessas de jazz concert, segundo meu livrinho-guia. Longa caminhada depois, chego ao local. Um porao. O show nao serah de jazz, mas de american class rock. “Mr. Wiggly Band” – descricao em alemao. Reproduzo aqui uma parte:

“aber auch Balladen in Pink Floyd style sowie rock & roll songs und sogar reaggae”

Pink Floyd e Reggae na mesma frase?? Fiquei preocupada. Pedi um mojito. Minha carinha de latina nao engana – logo, fiz um amigo costa-riquenho, criado na California, vive em Berlin como guia turistico e eh amigo do vocalista da tal banda.

O show comeca. Para minha surpresa, tinha realmente algo de pink floyd. Logo em seguida, uma mistura de rock e reggae. Depois algo meio elvis, seguido de um blues levado pelo baixista e gaitista. Tudo muito ecletico. Tudo composicao propria da banda. Plateia ecletica – hype youth german with 50’s to 60’s couples. Qndo vejo, estou lah dancando com esse ecletico publico.

O amigo costa-riquenho e guia me deu varias dicas turisticas. Ganhei um CD da banda. Resolvi ir embora. O amigo costa-riquenho – que aqui vale comentar tinha seus 50 anos – me acompanha ateh o metro, e eis que resolve me converter ao catolicismo. E insiste. E eu: “ok, you’re catholic, i’m an atheist, and you can’t change it.” Enfim, ao que tudo indica, God virah ao Rio em breve para me tocar e me mostrar o caminho para a vida eterna.

Bom, eu encarei como um sinal para terminar meu divertido dia e noite por ali mesmo. E vir aqui escrever pra vc’s.

O tempo ainda nao para, passado/presente/futuro continuam na mesma. Mas eu nao consigo dormir.

Hablé espanol hoy, spoke lots of english and tried a little bit of german.

Hasta luego.
Bye.
Auf Wiedersehen.

… o Walking Tour, oferecido pela Insider Tour.
Normalmente, eu fujo de visitas guiadas – acho chato, os guias normalmente sao meros repetidores de texto, eu quero ficar mais tempo em algum lugar e tenho que sair correndo. Para fotografar eh um terror.
Mas esse vale a pena – sao 4h de caminhada e uma aula de historia. Sugiro o standard tour, focado no east side – eh aula desde a primeira guerra mundial ateh a queda do muro de Berlim e seus impactos na vida contemporanea.
Meu guia foi um half-english/half-chinese chamado Heiko Khoo – e eu recomendo. O cara eh bom. Me fez pensar que provavelmente nunca gostei de historia pq nunca tive um bom professor. Firmino nao ajudava em nada.
(Dani: vc tinha q estar aqui. O tal Heiko era um Dinaldo da historia – inclusive com mencoes a filha da p… da Margaret Tatcher !!!)

Aproveito para citar o agradecimento especial do dia: ao Joel – que foi a primeira pessoa a me dizer que o walking tour em Berlim valia a pena.

E a furada do dia ficou por conta do Deutsche Guggenheim Museum. Nao se deixe enganar pelo nome – esta versao alema (sponsored by Deutsche Bank) eh um fiasco – um misero andar de uns 100m2 – no momento ocupado por uma exposicao de artes plasticas dessas que cito aih a direita – videos sem sentido, umas pecas de cimento com resina e espelho jogadas ao chao, e figuras na parede que supostamente tinham alguma relacao com as pecas e os videos. Uma instalacao. Odeio instalacoes.

+ O bom da cerveja quente eh que vc pode passar a noite inteira com uma unica tulipa e ela nunca esquenta 🙂
(ok, sei q a piadinha soh tem graca para os que, como eu, nao apreciam uma cervejinha)

+ Berlin se auto-proclama como “the best nigth life in europe”. Verdade – inumeros bares abertos ateh tarde, clubs para todos os lados. Soh que TODOS fecham a cozinha as 11h. Depois disso, soh bebida. Cade os aperitivozinhos?? Implicancia minha, ou isso eh realmente uma enorme estupidez economica??

+ E os turcos mantem sua fama – apos inumeras tentativas frustradas encontrei um turkish snack bar aberto. Nao me pergunte o que eu comi, mas estava bom. E alguem sabe ganhar dinheiro 🙂

Vale informar que a maior comunidade turca fora da Turquia estah em Berlim. Vc sabia??

Viajar nos faz concretizar a rotacao da Terra.
Meu dia de ontem teve 21h.
Por um lado, ganhei 3h e cheguei ao futuro mais rapido que vcs.
Por outro, perdi 3h de presente.
As 3h da manha, bares fechavam, alguns bebados pelas ruas, muito frio. E eu percebendo que era impossivel recuperar minhas horas de presente perdidas, pois elas ja eram passado.
As 4:30h, eu tentava dormir e so conseguia pensar em presente, passado, futuro, relatividade, Albert Einstein.
Tudo me parecia muito filosofico, a concretizacao de algo sempre presente mas que nos eh imperceptivel na maior parte do tempo.
As 8h, acordei para meu dia de turismo, ainda pensando nisso – soh que apos 3 miseras horas de sono jah nao me parecia mais tao belo assim.
Tudo eh relativo. E o tempo nao para.

Tudo isso me fez lembrar uma musica – gravada por Marisa Monte – que eu amo: “Enquanto isso“.

“… and if we could see faster, we could watch everything” – este eh o meu sonho impossivel.

Eh isso aih. Einstein, Cazuza e Marisa Monte no mesmo post.
Deve ser efeito do tal ocio criativo 🙂

Totalmente baseado no agradecimento especial do dia, a dica do dia eh esse super albergue: CityStay Mitte – bem ao lado do Hackesher Market. Por todos os motivos citados no post abaixo.

Sim, redundante, mas eh tudo que tenho ate agora 🙂

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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