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1. Se é Natal, porque toca pagode na minha rua? Escrevo aqui ao som de “…que se chama amoooooooor…….. tomou conta do meu seeeeeeeeeeerrrrrrrr…. dia a dia, pouco a pouco, só por causaaa (pausa) de vocêeeeeeeeeee”.

2. O que é pior? Este pagode ou Simone cantando “Então é Natal! E o ano novo também! Que seja feliz quem (pausa) souber o que é o bem” ???

Será que eu comemoro o pagode?? Ou será que torço pela Simone, para despertar meu adormecido espírito natalino??

Ó dúvida cruel…

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Amsterdã não fez sua fama por ter bons museus. Além do Van Gogh, o outro único razoável que achei por lá foi um museu de fotografia, chamado FOAM.

Dentre outras exposições, estava em cartaz uma chamada “The Kate Show” – inspirada no ícone da moda e dos fofoqueiros de plantão Kate Moss. Eis a definição oficial:

“The Kate Show is an investigation into an image that reflects an age in which the fashion world feeds the art world, and vice versa, in which photo models have become super-women and in which minor private misfortunes become inflated out of proportion into world news. The artists in this show explore the rise of a phenomenon, the effect of the media and the creation of an icon based on images. Kate Moss is the personification of an empty canvas on which everyone projects his or her own desires, ideas or frustrations.”

Dentre outras coisas, a “exposição” contava com um longo e estreito espelho no chão com fileiras de cocaína (supostamente, claro), que ficava entre várias fotos alteradas da carreira da modelo. No centro da exposição, uma suposta matéria de jornal informando que Kate Moss morreu aos 33 anos, vítima de overdose, deixando uma filha pequena, e que contava detalhes das circunstâncias da morte e da vida banal, fútil e sem sentido da modelo. Entre outras coisas de um mau-gosto similar.

Ok, entendi o conceito de uma investigação sobre o poder da mídia na criação de ícones. Só que mais me pareceu uma ode a esse tal de poder do que uma investigação imparcial. E um desrespeito enorme a Kate Moss que, vale ressaltar, é das figuras mais reservadas (e conturbadas, ok) do mundo da moda – dificilmente aparece em entrevistas ou topa ir para alguma ilha passar um feriado em troca de algumas páginas de revista. E que, ironicamente, por isto mesmo deve ter sido a figura escolhida como protagonista da exposição.

Quando vejo coisas assim, fico me questionando que diabos é essa tal de arte moderna. E quais limites existem pra isso. Não sei dizer exatamente quais são os limites, mas “The Kate Show” certamente os ultrapassou.

E você, o que acha?

Cute girl and pigeonRecentemente, ando tendo muitas lembranças da infância. Hoje recordei que – quando criança – eu tinha medo de fio de cabelo. Isso aí, de fio de cabelo. Fio de cabelo quando cai no banho e fica no corpo. Ou então fio de cabelo molhado que fica no ralo. Me lembro de escândalos no banho até a minha mãe tirar o fio de cabelo do meu corpo.

Na Europa, outro medo antigo veio à tona: de árvores sem folhas. Acho sombrio demais, elas me dão arrepios. Parecem monstros cheios de braços que sairão andando a qualquer momento. E por algum motivo, me lembram o Charlie Brown – para mim um desenho sombrio e símbolo da solidão durante toda a infância.

Até hoje, não gosto da sensação de fios de cabelo no meu corpo. Quanto às árvores, convivo com elas. Até fotografo, como nessa foto da menininha super feliz brincando de seguir pombos. Mas confesso uma pontinha de medo, andando sozinha à noite no meio dessas árvores-monstro.

E você? Algum medo inexplicável e completamente sem sentido?? Ou eu sou a única louca??

A história é sobre a busca pela vida eterna, aceitação (e medo) da morte, amor. Temas batidos, poderia ter dado em um filme muito piegas. Deu em um filme lindo de morrer.

Roteiro pra lá de original. Duas histórias contadas em paralelo: uma passada na Espanha do século XVII – onde Conquistador e sua rainha tentam salvar seu reino da perseguição da inquisição, e outra nos tempos atuais – onde um cientista tenta incansavelmente descobrir a cura para a doença que está matando sua esposa. A história do passado é narrada por uma história escrita no presente e que acaba no futuro – nos levando a terceira história que funciona como um “elo” de ligação entre as duas primeiras, se passa no espaço e é onde respostas são encontradas. Nas 3 histórias, um amor que se repete. E ainda, em meio a isso tudo, referências a poética crença maia sobre a Shibalba – nebulosa para onde os maias acreditavam irem os mortos.

Hugh Jackman é definitivamente dos melhores atores dos últimos tempos – impressionante como é capaz de anular qualquer traço do marcante Wolverine. Rachel Weisz, como sempre, está maravilhosa. Interpretações inspiradíssimas. Alguém imagina Brad Pitt e Cate Blanchett naqueles papéis? Darren Aronofsky só saiu ganhando com a desistência de Pitt. Por falar nele, virei fã. Preciso sanar esta falha no meu projeto cinematográfico, e assistir a “Pi” e “Requiém de um sonho”. E outros.

Fotografia lindíssima por todo o filme. Destaque para as cenas no espaço que, acabo de descobrir na internet, não utilizaram efeitos especiais digitais, mas manipulações químicas. Lindo de morrer.

Fonte da Vida é mais que alternativo. É para se ver em dia de mente aberta. Pena que na minha sala tive que conviver com 2 velhinhas que riam sem parar achando tudo ridículo, e um senhor cansado que, não satisfeito em dormir, roncava. Tentaram estragar a magia do filme, se esforçaram, mas não conseguiram.

Eu recomendo. Pena que eu vi sozinha, não pude conversar com ninguém após o filme. Se alguém aí já viu, me avise para marcarmos um chopp 🙂

Quando eu morrer, plantem uma árvore. E minhas tatuagens foram decididas ao longo do filme.

…são duas atividades complementares para mim.
A câmera, além da Florisbela, é sem dúvida minha melhor companheira de viagem.

Berlim. Céu cinza. Noite a partir das 4 da tarde. Muitas bicicletas. Muito trem, muito bonde, um pouco de metrô. Foi onde surgiu a inspiração para o projeto sobre meios de transporte – afinal assim dava para fotografar até tarde, sem precisar de um tripé. Algumas boas fotos.

Praga. Um charme de cidade, mas super pequena. Meios de transporte não são lá muito necessários. Poucas linhas de metrô que, para mim, foram totalmente desnecessárias. Bonde. O céu continuava cinza, mas a noite iluminada era linda. Tripé inaugurado na viagem. Projeto sobre meios de transporte deixado um pouco de lado. Fotos noturnas.

Paris. Céu ainda muito cinza. Metrô para todos os lados – excelente para o projeto sobre meios de transporte. Dois dias depois já não aguentava mais fotografar reflexos no metrô, vagões em movimento, estações. Fui a várias exposições fotográficas. Inspiração. Aos poucos, o projeto sobre meios de transporte tornou-se um projeto sobre o simples ato de transportar-se. De um continente a outro, de uma cidade a outra, da casa ao trabalho, de um andar a outro. Liberdade de ir e vir. Fotos de crianças correndo, pessoas caminhando nas ruas, mamães e seus carrinhos de bebê, cadeiras de rodas, escadas rolantes. Simplifiquei o conceito, e ampliei o projeto. Surgiram boas fotos.

Amsterdã. Quando achei que o tempo não poderia piorar, ele piorou. Frio úmido, céu ainda cinza, chuva. Bicicletas para todos os lados, mas não me inspirei muito. Aliás, Amsterdã não me inspirou. Me deprimiu. Carrie Bradshaw salvou o projeto transporte na cidade.

Roma. E fez-se a luz! Um céu azul lindíssimo. E aquelas ruazinhas, paralelepipedos, becos, ruínas. Já disse antes que me apaixonei por Roma – e a cidade me inspirou. Um sol sempre baixo, muita sombra, muito flare. Projeto transporte esteve lá, com várias pessoas caminhando em direção a luz 🙂

Após uma rápida edição, acabo de postar algumas (muitas!) vezes no flickr:
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/europe/
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/berlin
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/prague
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/paris
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/amsterdam
http://www.flickr.com/photos/89046378@N00/tags/rome

Voltar pro Brasil é meio estranho.
Um gostinho de quero mais. Um misto de tristeza e alegria.

É bom ver o mar, sentir o calor, rever a família, ouvir português, música brasileira, falar com os amigos.

Mas o trânsito me irritou, o guardador da minha rua mais ainda. A maré no caminho de volta pra casa. Fechar a janela e ligar o ar porque é perigoso. Lembrar que, apesar de ser elite por aqui, tenho que ralar muito para levar uma vida descente. 1000 impostos, plano de saúde, previdência privada. E a consciência de que reclamo de barriga cheia, porque sou a minoria da minoria da minoria que pode se dar ao luxo de largar o trabalho, viajar e decidir dar um tempo para repensar a vida. E na Europa, todo mundo viajando pra todo canto… Tudo é tão mais fácil.

Talvez o meu destino não esteja aqui. Talvez eu durma e acorde melhor amanhã. E ainda esqueci meu caderninho com todas as anotações da viagem no avião. Fiquei arrasada.

Certamente acordarei melhor amanhã. Enquanto isso, vou postar mais historinhas da viagem.

Brasil.
No cinema, só se retrata a pobreza.
Nas novelas, só riqueza.
Pobre assiste novela.
Rico vai ao cinema.

Esse mundo é muito louco.

Ontem foi o dia do aeroporto.
Fui de Roma a Frankfurt, passando por Vienna. De Frankfurt, vim pro Brasil.

Chegando em Vienna, o sol se punha. Um colorido laranja-avermelhado-azulado no céu por entre as nuvens, uma luz linda dentro do avião. No momento do pouso, ainda pudemos ver aquele sol enorme se escondendo atrás de uma montanha.

Aplausos. Por um instante, não entendi se aplaudiam o pouso ou o por-do-sol.
Eu aplaudi o por do sol.
Um instante depois, aplaudir o pouso me pareceu uma idéia bem estúpida.
Sim, todos aplaudiram o por do sol junto comigo.

Não é exclusividade de carioca em posto 9…

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu to voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu to voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar…Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu to voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu to voltando
Pega uma praia, aproveita, ta calor, vai pegando uma cor
Que eu to voltando

Quero lá.. lá.. lá.. ia…..porque eu to voltando!

…por Roma.

Em meio ao caos total – trânsito louco, scooters para todos os lados e direções (o que torna um eterno desafio atravessar uma simples rua), gente andando no meio da rua, gente falando alto, gritando entre outras coisas mais – há uma Roma encantadora.

Não a Roma do Vaticano, da igreja. A Roma do Império Romano, e suas ruínas lindas. Engraçado ver beleza em ruína, mas é a pura verdade. Coliseu, Pantheon, Foro Imperiale e outras que nem sei o que são tem um charme incrível.

Ok, dou meu braço a torcer e admito que a era católica também deixou seu charme, com as inúmeras fontanas pela cidade, o “re-aproveitamento” de algumas construções da época do império, as praças enormes, a arte renascentista de Michelangelo, Raphael.

O Museu do Vaticano em si é parada obrigatória porque não se poder ir a Roma sem ir lá. Mas pra mim, é só isso. É sufocante, claustrofóbico, megalomaníaco. E a Capela Sistina com suas pinturas de Michelangelo não é nem metade da beleza do que eu imaginava que seria.

Já as ruas de Roma… As ruínas – deixadas por um império não menos megalomaníaco, eu sei – a cada esquina. As ruazinhas, os predios baixinhos com suas sacadinhas floridas, os becos escuros que de repente acabam numa enorme praça com um Pantheon no meio. O rio, com sua água esverdeada, e suas pontes – tendo algumas sido construídas antes de Cristo!!

E a luz… Dias de céu azul lindíssimo, e a luz refletindo nos paralelepipedos, nas pedras das construções antigas, nas ruínas, nas fontes. Aquele clarão no final de um beco escuro. Lindo.

E em meio a tanta antiguidade, exposição do Andy Warhol. Adoro esses paradoxos 🙂 Exposição excelente por sinal.

Dois dias em Roma foi pouco. Muito pouco. Ficaria mais. Faltou ver muita coisa.

E foi amor à primeira vista.

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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