Inicia-se o último mês do ano de 2006 e morre Augusto Pinochet – de forma natural – enquanto encontrava-se em prisão domiciliar por crimes como sonegação de impostos, dentre alguns outros. Pinochet foi preso em 1998 na Inglaterra – 10 anos após a queda de seu regime – e deportado em 2002 para o Chile.

Termina o mês e o ano de 2006, e Saddam Hussein é enforcado após ser considerado culpado pela morte de 148 xiitas, em 1982. Saddam foi preso pelos EUA, em 2003, durante a guerra do bem contra o mal – dizem por aí que ocasionada pela suposta existência de armas químicas em território iraquiano.

Ambos foram acusados de crimes contra a humanidade – crimes contra todos nós e inclusive contra eles mesmos, pois me parece que eram humanos. Pelo menos Pinochet usufruiu de tal condição e, fazendo valer seus direitos internacionalmente reconhecidos, nunca foi julgado pelos tais crimes já que sua saúde sempre fraca o impediria de sobreviver a tal julgamento. É, me parece justo. O engraçado é que morreu do mesmo jeito – definitivamente era humano. Bom, talvez Saddam não o fosse.

O questionamento da condição de humano de Saddam, sem dúvidas, abre precedentes. Talvez não sejamos todos humanos. E sendo assim, nem todo ato de perseguição, agressão ou assassinato contra um grupo de indivíduos pode ser caracterizado como crime contra a humanidade. Aaaaaaaahhhhhhhhhh, agora acho que estou entendendo…

Entre uma morte e outra, e no meio dessa confusão, eu lamento mesmo é a condição de humano do meu querido GodFather of Soul – condição esta comprovada por sua morte natural, já que a morte é a única certeza que nós humanos temos nessa vida. Esse vai me fazer falta ao longo de minha humana existência. Aliás, sua morte me lembra seu velório que me traz a imagem de uma certa criatura branquela, mais pálida que o próprio defunto… Será que é humano????

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