Existem períodos em que, por algum motivo, tenho a impressão que temas se repetem na minha vida – em lugares distintos, envolvendo pessoas e circunstâncias distintas.

Ultimamente, me pego várias vezes questionando porque alguém lê um livro de auto-ajuda. Um único argumento, normalmente banal, que se arrasta por 350 páginas. E que quando faz sucesso, se desdobra em inúmeros volumes. Normalmente escritos por autores que nunca provam ter aplicado com sucesso as tais regras descritas longa e cansativamente. “Little Miss Sunshine” – filme lindo, que eu amei e vi no final de 2006 – traduz muito bem esse meu questionamento. Praticamente no dia seguinte a ida ao cinema, fui convidada para o lançamento de um livro de auto-ajuda – pelo menos no meu conceito. E, sem questionar a inteligência e competência do autor, me perguntava com qual autoridade ele escreve tal livro.

Partindo da premissa que, quem lê auto-ajuda, está em busca de inspiração para conquistar seus objetivos através de obstinação e coragem, porque estas mesmas pessoas não se inspiram em relatos reais envolvendo muita obstinação e coragem? Porque ler “Nunca desista de seus sonhos”, e não “The Scottish Himalaya Expedition”, citado no post aí embaixo? W.H. Murray sem dúvida sabe o que é obstinação e coragem. Minha amiga Simone, pelo final de 2006, andou lendo alguns livros sobre expedições e relatos de sobrevivência, e esse tema era recorrente em nossas conversas.

Hoje, em almoço de trabalho, dois colegas conversam sobre suas últimas leituras. Enquanto um diz que “Os 7 hábitos das pessoas muito eficazes” será sua próxima leitura, o outro diz que “A insustentável leveza do ser” foi o único livro que não terminou na vida, complementando logo em seguida que provavelmente foi porque leu na idade errada.

“A insustentável leveza do ser”
está na lista de meus livros favoritos e, sem dúvida, eu o li no momento certo da minha vida. O livro por si só é maravilhoso, mas a história, idéias e pensamentos contidos ali, faziam todo sentido e me ajudaram bastante naquele momento de separação pelo qual eu passava mas não compreendia. No almoço de hoje, começei a me questionar como funciona a tal da auto-ajuda. Críticas literárias a parte (por favor!!), talvez os hábitos das pessoas muito eficazes funcione para o meu colega exatamente como Milan Kundera funcionou para mim.

Dia desses no Casa no Mato, a Mari declarou seu amor a Clarice Lispector. Como amante de literatura – principalmente de romances – há muito penso que deveria dedicar-me a superar o trauma que tenho de Clarice Lispector. Aos 11 anos, tive que ler “A hora da estrela” na escola. Definitivamente, o livro errado para o momento errado. Me causou um trauma que perdura até hoje.

Finalmente, acabo de falar aí embaixo sobre textos lidos na hora certa. Mais uma vez, sinto que estou me repetindo. Auto-ajuda e momentos certos para as coisas certas – e eu me questionando de onde vem essa recorrência… Vou parando por hoje, porque já me repeti demais.

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