Sempre fui mais prosa que poesia.
Tenho algum bloqueio que me faz passar a ler sem absorver mais nada após a vigésima linha.
Acabo, e não tenho idéia do que li.

Mas houve uma época em que, influenciada por minha irmã, inventei de escrever.
A Dani teve uma poesia publicada, quando éramos crianças, em um jornal da Ilha.
Eu, no auge da minha sensibilidade de menina de 8\9 anos, escrevi um lindo poema (dentre outros tão inspirados quanto), que assim começava:
“Toc, toc.
Quem é?
É seu maridinho querendo café”.

Até hoje, quando juntas nos lembramos desse versinho, morremos de rir. É incontrolável.
Mas o tempo passa.
E eu ando sensível. E questionadora. Tenho várias idéias, mas quando tento escrever, só sai prosa.
Portanto, fiquei muito orgulhosa da minha quadrinha do tanto e pouco aí embaixo. Disse exatamente o que queria, e ainda ficou bonitinho.

Minha irmã escreve até hoje. Juntas, com a ajuda dessa internet maravilhosa, estamos dando sequência a minha quadrinha.
Assim que chegar no ponto que quero, publico aqui.
E toda essa coisa poética e fraternal, me lembrou da primeira (e talvez única) poesia que eu me lembro de ter decorado. Eu e minha irmã. Juntas de novo 🙂

Ismália – Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar.
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar.
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar.

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar.
Estava perto do céu,
Estava longe do mar.

E como um anjo pendeu
As asas para voar.
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar.

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par.
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar.

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