Depois da emoção do Pan, Marisa Monte inicia seu show, no escuro, avisando: ‘só não se perca ao entrar no meu infinito particular’. Como é linda essa música, não? E não poderia ouvi-la, nesse clima, num dia melhor – quando me sinto num infinito de emoções.

Do tom minimalista do início – com direito a banquinho e violão – ela vai se soltando aos poucos. Levanta, canta, dança. Peça de arte no show, os imensos retângulos brancos que confesso ter achando feios no início do show, ganham cor, imagens, movimento. Palco que sobe e desce, músicos ao seu redor – desde sua banda, até violinista, violoncelista e flautista. MM me pareceu mais solta, a vontade, além de mais sexy que nunca. Fez piadas com Arnaldo Antunes (que acabou subindo ao palco no final) na platéia, quebrando o fluxo do show claramente exaustivamente ensaiado.

E aquela voz da Marisa, eternamente afinada, meio rouca, gostosa de ouvir. Ela parece cantar sem nenhum esforço, e o resultado é simplesmente divino. O repertório está ótimo, bem equilibrando entre músicas dos novos CD’s, músicas antigas (‘Eu sei’, ‘Beija eu’, e algumas do melhor CD da carreira ‘verde anil amarelo cor de rosa e carvão’ como ‘Dança da solidão’ e ‘Maria de verdade’) e algumas das melhores dos Tribalistas, como a lindíssima “Carnalismo”.

É o tipo do show que fica melhor a cada música. Pra ser aplaudido de pé, por minutos seguidos. Lindo, lindo, lindo.

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