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(voltando do meu almoço natalino)
– A senhora está indo encontrar sua família?
– Não, estou indo pra minha casa. Essa aqui é a casa da minha mãe.
– Não vão celebrar o natal?
– Já celebramos. Temos o hábito de almoçar, não costumamos ter ceia. Já comi, ganhei presente e estou satisfeita.
(pra que ser igual se podemos ser diferentes, né?)

O taxista era falante e continuou o papo. Gostou da idéia do almoço natalino, comentou que tem um filho de 9 anos e sempre precisa negociar com a ex-mulher com quem ele passará a data. O almoço natalino poderia ser uma solução. Perguntou se eu tinha filhos, se era casada e foi emendando o papo: foi jogador de basquete, uma vez largou tudo para ser técnico de um time de escola e foi feliz, morou em Vitória mas acha a cidade muito pacata, é analista de sistemas mas largou a profissão, queria ser médico mas já não enxerga direito, atualmente sonha em fazer uma faculdade de História, quer ser professor universitário mas é feliz como taxista, gosta de não ter patrão, é precavido e por isso é melhor colocar mais gasolina, não sabe dançar porque o basquete endurece a cintura mas aprecia assitir, adorou o MOMIX, não gostou de Deborah Colker, achou que Blue Man Group era dança, e estava com desejo de rabanada.

30 min após muitas perguntas com curtas respostas do meu lado, gerando enormes histórias do lado de lá, chegamos. Paguei, agradeci, desejei bom Natal, um excelente 2008 e que fizesse sua faculdade de História.
– E a senhora me faz um favor: não se case tão cedo que essa coisa de casamento não é boa não. Melhor ficar sozinha!

Puxa, moço. Também não precisa rogar praga, né???
🙂

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Saía do shopping em semana natalina. Cansada após tanto ir e vir nos corredores. Em meio a barulhos e buzinas, procurava um táxi. Avisto uma fila relativamente grande e tenho vontade de chorar. Foi quando avistei o moço da cooperativa, sozinho.

– A fila do táxi é aquela?
– Aquela é a fila para táxis de rua, aqui você pode pegar o da cooperativa do shopping. Está vindo um logo ali, você pode embarcar nele.(apontando para um táxi parado no engarrafamento formado na entrada do estacionamento)
– Mas moço, se eu entro nesse táxi, esse pessoal da fila vai querer me matar!
– Fica tranquila que antes de fazer algo contigo, terão que passar por nós!

Eu não tinha a intenção de embarcar no táxi que vinha, achei mais justo deixá-lo para a senhora idosa que era a primeira da fila. O que me atraiu na fila inexistente do táxi de cooperativa foi a possibilidade de sentar. Sentada, esperaria o tempo que fosse.

O táxi ainda parado no engarrafamento, e uma moça grávida de uns 6 meses sai do meio da fila da “rua” indignada e ignorando as demais pessoas de sua fila, inclusive a senhora idosa lá no início:

– Olha, o senhor me desculpe, mas eu estou grávida e não vou esperar mais táxi p**** nenhuma! Esse próximo táxi é meu! Isso é um absurdo, uma falta de respeito, vocês não sabem trabalhar!! Olha aí, ficam atravancando esse trânsito, ninguém pode andar, e as pessoas são obrigadas a esperar! Eu estou grávida, será que você não vê? Isso é um absurdo!!
(e o sangue subiu à cabeça do moço ofendido)
– Como assim ‘vocês’ atravancam o trânsito? Vocês é muita gente, moça. Esse trânsito é por causa do estacionamento VIP, nós não temos nada com isso. E a fila aqui é da cooperativa, a senhora escolheu aquela fila dos de rua porque quis.

E estava iniciado o barraco. O marido interveio, mandou a mulher se acalmar ao mesmo tempo em que engrossou a voz e apontou o dedo na cara do moço da calçada informando que a discussão havia acabado. O moço da calçada ainda reclamava, o marido gritava cada vez mais alto, cada vez mais grosso. Até que todos calaram a boca. E o táxi lá parado.

Quando finalmente veio o táxi, o moço da calçada olhou pra mim:

– Não, moço. Pode deixar o táxi para a senhora grávida.
(o moço fez cara de incrédulo)
– A senhora vai deixar o táxi para eles?
– Sim, moço.

E o marido da voz grossa, novamente levantando dedos, esbravejou:

– Olha só, ninguém vai deixar p* nenhuma, esse táxi é meu por direito!
– Senhor, tem alguém cedendo o táxi a vocês sim, e sou eu. De nada. E feliz natal.

Dessa vez, foi a esposa grávida que interveio quando os gritos do marido vieram em minha direção. Ela conseguiu acalmá-lo e finalmente embarcaram com suas inúmeras sacolas de compras. Enquanto isso, a fila “da rua” se esvaiu já que chegaram vários táxis. Eu continuei sentada, assistindo outros embarcarem nos táxis de rua, aguardando meu táxi de cooperativa que demorou quase 10 min.

O esquema do shopping é confuso. Mas a grávida foi mal educada. O moço da calçada foi mal educado. O marido da voz grossa foi mal educado. E eu, que não sou cristã, me senti a maior disseminadora (apesar de sem sucesso) do tal espírito natalino naquele recinto. Eita mundo confuso.

Aos meus leitores, desejo um natal cheio de paz e amor, junto de suas famílias. E um 2008 repleto de bem viver, sem filas de táxi, sem gritos ou gente estressada e mal educada 🙂 Que continuemos todos felizes e cheios de saúde.

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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