Saía do shopping em semana natalina. Cansada após tanto ir e vir nos corredores. Em meio a barulhos e buzinas, procurava um táxi. Avisto uma fila relativamente grande e tenho vontade de chorar. Foi quando avistei o moço da cooperativa, sozinho.

– A fila do táxi é aquela?
– Aquela é a fila para táxis de rua, aqui você pode pegar o da cooperativa do shopping. Está vindo um logo ali, você pode embarcar nele.(apontando para um táxi parado no engarrafamento formado na entrada do estacionamento)
– Mas moço, se eu entro nesse táxi, esse pessoal da fila vai querer me matar!
– Fica tranquila que antes de fazer algo contigo, terão que passar por nós!

Eu não tinha a intenção de embarcar no táxi que vinha, achei mais justo deixá-lo para a senhora idosa que era a primeira da fila. O que me atraiu na fila inexistente do táxi de cooperativa foi a possibilidade de sentar. Sentada, esperaria o tempo que fosse.

O táxi ainda parado no engarrafamento, e uma moça grávida de uns 6 meses sai do meio da fila da “rua” indignada e ignorando as demais pessoas de sua fila, inclusive a senhora idosa lá no início:

– Olha, o senhor me desculpe, mas eu estou grávida e não vou esperar mais táxi p**** nenhuma! Esse próximo táxi é meu! Isso é um absurdo, uma falta de respeito, vocês não sabem trabalhar!! Olha aí, ficam atravancando esse trânsito, ninguém pode andar, e as pessoas são obrigadas a esperar! Eu estou grávida, será que você não vê? Isso é um absurdo!!
(e o sangue subiu à cabeça do moço ofendido)
– Como assim ‘vocês’ atravancam o trânsito? Vocês é muita gente, moça. Esse trânsito é por causa do estacionamento VIP, nós não temos nada com isso. E a fila aqui é da cooperativa, a senhora escolheu aquela fila dos de rua porque quis.

E estava iniciado o barraco. O marido interveio, mandou a mulher se acalmar ao mesmo tempo em que engrossou a voz e apontou o dedo na cara do moço da calçada informando que a discussão havia acabado. O moço da calçada ainda reclamava, o marido gritava cada vez mais alto, cada vez mais grosso. Até que todos calaram a boca. E o táxi lá parado.

Quando finalmente veio o táxi, o moço da calçada olhou pra mim:

– Não, moço. Pode deixar o táxi para a senhora grávida.
(o moço fez cara de incrédulo)
– A senhora vai deixar o táxi para eles?
– Sim, moço.

E o marido da voz grossa, novamente levantando dedos, esbravejou:

– Olha só, ninguém vai deixar p* nenhuma, esse táxi é meu por direito!
– Senhor, tem alguém cedendo o táxi a vocês sim, e sou eu. De nada. E feliz natal.

Dessa vez, foi a esposa grávida que interveio quando os gritos do marido vieram em minha direção. Ela conseguiu acalmá-lo e finalmente embarcaram com suas inúmeras sacolas de compras. Enquanto isso, a fila “da rua” se esvaiu já que chegaram vários táxis. Eu continuei sentada, assistindo outros embarcarem nos táxis de rua, aguardando meu táxi de cooperativa que demorou quase 10 min.

O esquema do shopping é confuso. Mas a grávida foi mal educada. O moço da calçada foi mal educado. O marido da voz grossa foi mal educado. E eu, que não sou cristã, me senti a maior disseminadora (apesar de sem sucesso) do tal espírito natalino naquele recinto. Eita mundo confuso.

Aos meus leitores, desejo um natal cheio de paz e amor, junto de suas famílias. E um 2008 repleto de bem viver, sem filas de táxi, sem gritos ou gente estressada e mal educada 🙂 Que continuemos todos felizes e cheios de saúde.

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