O filme parte de uma premissa incrível – afinal, é bastante improvável que alguém à beira da morte planejasse de forma tão perfeita a entrega de tantas cartas e presentes in memmorium – para contar a história de personagens e seus sentimentos absolutamente críveis.

As vésperas de tornar-se uma balzaquiana, Holly perde Gerry – seu companheiro de 10 anos e amor de sua vida – para um tumor no cérebro. No seu aniversário de 30 anos, começa a receber as cartas de Gerry que criam uma espécie de guia para que ela se redescubra e reconstrua sua vida.

A sinopse me remetia a uma comédia romântica água-com-açúcar, mas o filme me surpreendeu. Seu grande trunfo é ser verdadeiro, sem apelar para finais melosos e pouco prováveis, explorando os mais humanos sentimentos diante de uma perda, que incluem tristeza, melancolia, saudade mas também raiva, inveja, negação. No meio disso tudo, tem a relação de Holly com a mãe, com as amigas, e com todos que tentam, em vão, ajudá-la a deixar seu passado pra trás. No fim das contas, ela está sozinha, como cada um de nós. Mas se estamos todos sozinhos, talvez estejamos todos no mesmo barco 🙂

Hillary Swank está novamente maravilhosa. Tem alguns percalços no caminho, como a dispensável personagem da irmã que não diz a que veio, mas são todos toleráveis e não chegam a ameaçar o charme do filme.

É filme pra fazer rir e chorar. Prepare os lenços e corra pro cinema.

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