Hoje, 30 de janeiro, é o dia nacional da saudade.
Uma lista publicada pela empresa britânica Today Translations classifica a palavra ‘saudade’ como a 7a de mais difícil tradução. É também uma das palavras mais utilizadas na literatura de língua portuguesa.

Difícil mesmo é explicar o que é saudade. Não é nostalgia, não é melancolia, não é o mesmo que sentir falta. Não está necessariamente ligada a tristeza, não necessariamente significa o desejo de ter novamente. É possível sentir saudade de algo que nunca mais teremos nem tampouco queremos ter. A lembrança se basta e essa lembrança é saudade. Em outros casos, é a saudade a mola propulsora que precisamos para buscar algo, que ficou perdido, de novo. As vezes, saudade dói. Outras vezes, nos faz rir sozinhos. De toda forma, é bom de sentir.

Eu sinto saudades de pessoas que já se foram, de algumas que estão aqui mas não parecem mais as mesmas. Tenho saudade de lugares, de momentos mágicos, de sensações, da minha inocência, da minha infância, de mim mesma. De não ter vergonha de andar de chapéu no Rio de janeiro, do meu chapéu branco que eu usava com vestido florido. Do tempo em que tudo era novidade. De almoço de família de primos e tios reunidos. Da bisnaga quentinha do café da tarde na casa da minha tia. Da minha tia. De comer muito pão e não engordar. De morar em casa cheia apesar dos meus momentos no banheiro – único lugar em que eu conseguia ficar realmente sozinha na casa dos meus pais. Do meu gosto por matemática, que de alguma forma sumiu com o tempo. Do clube, dos amigos do clube, da vida no clube, de tudo do clube. E de mais um tantão de coisas.

Só posso ficar feliz por ter vivido tantas coisas boas das quais eu posso sentir saudade. Foram boas e passaram, pra criar espaço pra tantas coisas novas. Ou passaram simplesmente para que um dia eu pudesse ter o prazer de relembrá-las, revivê-las e ficar feliz de novo.
Taí. Eu adoro saudade. Viva a saudade.

E finalmente, matando a curiosidade sobre as 6 palavras de ainda mais difícil tradução que saudade:
1. “Ilunga” (tshiluba) – uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez.

2. “Shlimazl” (ídiche) – uma pessoa cronicamente azarada.

3. “Radioukacz” (polonês) – pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência o domínio soviético nos países da antiga Cortina de Ferro.

4. “Naa” (japonês) – palavra usada apenas em uma região do país para enfatizar declarações ou concordar com alguém.

5. “Altahmam” (árabe) – um tipo de tristeza profunda.

6. “Gezellig” (holandês) – aconchegante.

7. Saudade (português)

8. “Selathirupavar” (tâmil, língua falada no sul da Índia) – palavra usada para definir um certo tipo de ausência não-autorizada frente a deveres.

9. “Pochemuchka” (russo) – uma pessoa que faz perguntas demais.

10. “Klloshar” (albanês) – perdedor.

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