Houve um período em que carnaval no RJ era sinônimo de tranquilidade, e não faz muito tempo.Eu mesma já aproveitei praias vazias, cinema com meia-entrada, ausência absoluta de trânsito pela cidade.
E eis que o carnaval de rua do Rio foi voltando aos poucos, de ano em ano. Hoje em dia, é preciso planejar com antecedência a quais blocos comparecer tamanha a variedade e sobreposições de horários. Ou por quais ruas e bairros não passar, se quiser fugir de carnaval e engarrafamentos.

Eu gosto dos blocos. Gosto do conceito de carnaval de rua, de festa popular, da mistura. Tem a cara do Rio, é ótimo pro turismo (700.000 turistas estrangeiros!), é divertido. Por outro lado, o carnaval carioca sofre com o excesso de popularidade. Blocos que não saem mais em desfile devido ao enorme sucesso comprovado pelo público de milhares. Os tradicionais como o Cordão do Bola Preta e o Cordão do Boitatá já não desfilam há alguns anos, divertem seus foliões paradinhos no lugar. O Bangalafumenga, pagou o preço da popularidade e, sem o consentimento da prefeitura, não desfilou pela primeira vez desde sua existência. Fez seu carnaval paradinho ali na Pacheco Leão pra sei lá quantas mil pessoas.

Já o Quizomba resolveu manter a tradição, e saiu em desfile da Mem de Sá e Rua da Lapa até a Glória, voltando pela Praia até a Lapa pra acabar exatamente onde começou. O percurso de ida foi tranquilo: ruas pequenas, nenhuma grande via, a Lapa é um bairro isolado. Até que o bloco voltou pela praia. Não havia ninguém para controlar o trânsito, e o bloco arrastando sua multidão deu de cara com ônibus, carros, táxis. Dezenas ou talvez centenas de pessoas que não podiam movimentar-se, e viram-se obrigadas a aguardar calmamente o bloco passar. Foliões mais animadinhos e bêbados resolveram subir nos ônibus. Não houve nenhum acidente e não vi nenhuma briga ou confusão maior, felizmente. Mas que é um absurdo, é.

Quizomba no quizomba
Quizomba no quizomba II
(Fotos de Deise Lima)

O Quizomba estava ótimo, com músicas boas, divertido. Mas não dá pra ignorar a falta de organização. Culpa da prefeitura, que autoriza mas não está lá para organizar nada. Que fique o meu protesto.
E não me leve a mal, hoje é carnaval 🙂

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