Eu só queria comentar a obra-prima da filha do Costa Gravas, que assisti no último domingo, e que leva o nome do título do post. Na terça 19, Fidel Castro em persona atrapalhou meus planos e mudou forçosamente o rumo desse post.

Eis que o barbudo renunciou ao poder, 49 anos depois. Já era tempo, aliás era tempo faz muito tempo. Os fins que poderiam justificar os meios não foram suficientes, a ideologia que motivou o início de tudo foi perdendo seu sentido até transformar-se na aberração que é uma ditadura nascida do desejo de se acabar com outra ditadura. A essa altura, me parece estúpido discutir de quem é a culpa pela miséria dos cubanos, se foi o imperialismo dos americanos com seu embargo que fez falir o sistema comunista de Fidel ou se ele iria à falência por si só. O fato é que o tempo passou, o mundo mudou, e Cuba parou no tempo por teimosos e persistentes longos anos pela vontade de um homem só que se enxerga como um povo inteiro. Tem que existir algo de muito errado nisso.

Sobre o filme? No filme, Fidel é, de certa forma, injustamente culpado por Anna – menina francesa de 9 anos que vê sua vida mudar drasticamente quando seus pais – em um tipo de surto de “culpa burguesa” – resolvem aderir à causa comunista e engajam-se em movimentos de apoio a Salvador Allende e a favor do aborto. Anna se rebela ao mesmo tempo que, entre mudanças de casas e de babás, inicia uma longa e solitária busca por respostas que expliquem porque ela virou pobre, Mickey virou fascista, o catecismo é proibido e seu mundo foi invadido por barbudos.

Cuba e Fidel são citados em um único e divertidíssimo diálogo. Não é um filme sobre o comunismo, mas uma história sobre mudanças e adaptações. Merece muito ser visto. Sobre Cuba, confesso que não sei opinar sobre seu futuro – se pode ser o início de uma nova era ou se o irmão mais novo simplesmente seguirá a mesma cartilha até que uma doença o acometa. Torço para que entendam que a mudança já chegou faz tempo, e é hora de adaptações.

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