Ontem, a caminho do cinema, eu ouvia gritos e via aglomerações em frente a televisões de boteco. Foi aí que desconfiei que havia alguma partida importante. Saindo do cinema, a cidade parecia toda vermelha e preta. “Flamengo ganhou alguma coisa” – me veio a cabeça. Foi minha professora de jazz, hoje pela manhã, quem me contou: 2×1 – Flamengo campeão da Taça Guanabara, e muita confusão, técnico do Botafogo pedindo as contas, acusações de juíz ladrão.

Chego em casa, checo meu email. 87 mensagens não lidas, em apenas 10h, quando minha média tem sido de uns 10/dia. Preciso dizer o assunto?

É nessas horas que me sinto menos brasileira. Definitivamente, uma ovelha negra. Nem rubro-negra, nem alvinegra, muito talvez negra com cruz de malta. É que quando eu era criança me senti forçada a escolher um time. Brasileiro não tem a opção de não ter time de futebol. Minha mãe era vascaína, meu pai América, a decisão ficou fácil e desde então sou vascaína, sempre que forçada a responder.

Não é socialmente aceitável odiar futebol num país como o Brasil. É quase como não gostar de cerveja, outra grande heresia. Mas essa fica para outro post.

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