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A TV está ligada aqui atrás de mim, enquanto coloco meus emails em dia.
Pela quinta ou sexta vez, ouço Mariana Velho – vencedora do primeiro Brazil’s Next Top Model e portanto agora, supostamente, top model – dizer:
“Quando a gente segue o nosso coração, a gente não tem como ser infeliz”.

Toda vez que ouço alguém dizer pra eu seguir meu coração, imagino ele próprio – meu coração vermelhinho – com perninhas vagando sozinho pelas ruas, e eu – sem coração – indo atrás. Me parece prudente segui-lo, acho que não sobreviveria muito tempo sem ele. Melhor alcançá-lo logo e devolvê-lo ao seu devido lugar. Afinal, pra ser feliz tenho que estar viva, né?

E a propaganda é editada, certamente levaram um ou mais dias gravando, não dava pra alguém explicar pra top model que não é legal repetir tanto “a gente”?

Podem me chamar de insensível, mas a verdade é que eu sou chata mesmo. Implicante.
E essa Mariana Velho é um porre.

Ciclone no oceano, terremoto em terras brasilis, catamarã que quase vira na Baía de Guanabara, ondas gigantes, mudanças climáticas, aquecimento global. O mundo não é o mais o mesmo e eu só consigo pensar em uma coisa:

‘Esse mar não vai baixar nunca mais não?????’


Mar estava gigante hoje. De novo.
Acho que fui contaminada de vez. Tomada por um espírito de surfista, mas meu espírito é maroleiro.
Alguém faz o favor de baixar o mar? Quero minhas marolas de volta!

Eu entrava no avião quando vi um rosto conhecido. O rosto mexeu a cabeça, levemente para baixo, em cumprimento, e eu retribuí enquanto seguia para meu assento em esforço para lembrar de onde conhecia aquele rosto nem tão simpático. Do trabalho atual? Do antigo? Da faculdade, talvez? E enquanto aguardava calmamente a senhora da frente arrumar suas bolsas no bagageiro, relembrava a quantidade de pessoas que encontro em aeroportos e aviões e não sei bem quem são. Consequência dessa minha vida de consultora que me faz conhecer tanta gente por breves períodos em inúmeras cidades, empresas, projetos, reuniões… Falta espaço na memória pra tanta gente – concluí após nem tanto esforço e já distraída ouvindo a mãe, sentada e com livro nas mãos, em momento de sabatina com o filho:

– Qual foi a primeira cidade do Brasil?
– Salvador.
– E onde fica Salvador?
– Na Bahia.
– E quem foi Tomé de Souza?

Tomé de Souza? Não lembro desse não, minha memória está ruim mesmo, melhor esperar aqui pra ouvir a resposta. Mas o menino titubeou na resposta, a senhora acabou de arrumar as bolsas, dei um passo a frente e esbarrei num senhor de cabelos e grossas sombrancelhas brancas, que sorriu pra mim como se me conhecesse. Retribuí novamente, aquelas sombrancelhas me pareciam familiares, talvez mais um conhecido-esquecido, até que ele me surpreende com uma pergunta que eu não entendo, porque nesse exato momento percebi que falava com o Ziraldo!! Devo ter feito uma cara de boba e ele prontamente repetiu a pergunta:

– Tá lendo Playboy, menina??

Me recompus, olhei a revista que a essa altura já havia esquecido que carregava entre-aberta nas mãos, e respondi o que melhor me ocorreu:

– Não, é ‘Nova’ – a playboy das mulheres.

Sorri, ele sorriu, a fila andou, prossegui para meu assento tentando entender o que eu mesma havia dito… Nova, a playboy das mulheres??? Logo eu que nunca compro Nova, mas resolvi comprar hoje? Ai, porque eu não estava com um super livro interessante nas mãos, pro papo prosseguir mais interessante, porque a fila andou, porque eu não disse que era fã, porque não contei que o primeiro livro que li na vida foi dele, porque não disse que amo o menino maluquinho, porque não contei que tenho um blog que é pra ele ler, porque não disse que ele já me escreveu um email, porque meu assento não era do lado do dele???

Muitos assentos atrás do Ziraldo, eu voltei para o Rio espremida ao lado de um rapaz um tanto quanto forte que dormia e roncava no ombro da namorada. Lembrei do bichinho da maçã mais uma vez, o bichinho que vivia feliz até que um dia quase foi comido mas gritou e explicou pro menino-comedor que a maçã era sua casa e que meninos não deveriam comer a casa dos bichinhos. O menino se livrou de uma dor de barriga, o bichinho continuou sua vida feliz, e Deise-Deisoca-menina lia, orgulhosa de si mesma, o primeiro livro de sua vida: “O bichinho da maçã” com essa historinha fofa contada pelo Ziraldo.

Aí lembrei que o próprio Ziraldo já conhece essa história, porque contei uma vez por email. Agradeci por ter me iniciado na leitura, contei dos tantos livros que li depois de estimulada por esse e também que já li essa mesma historinha para algumas crianças, confessei o quão orgulhosa fiquei porque havia uma página inteirinha só de texto que eu li sem titubear, que eu tinha só 4 anos (talvez 5), que aprendi a ler cedo porque minha mãe fazia Picolé comigo e minha irmã me ensinava o que aprendia na escola, que também adoro o menino maluquinho e que uma vez, já adulta, distribuí pra todo mundo no trabalho um adesivo do peixinho que dizia ‘só jogue na água o que o peixe pode comer’ com ilustração dele e que sou super-fã. E ele me respondeu (acabo de resgatar dos meus emails, a resposta data de 08-Ago-2004):

“Deise, um beijão pela história tão comovente para mim. Uma carta como a sua lava a alma da gente. Ziraldo”

Tudo bem. Eu já lavei a alma do homem, hoje posso ser só a garota do comentário bobo de playboy das mulheres. Conformada, resolvi ler minha Nova. E ainda não lembrei quem foi Tomé de Souza.

Isso aqui já virou diário mesmo, então vamos a mais um:
22 de abril, primeiro dia de surf dessa que vos fala com direito a caixote e muito medo.
Um mar maior e mexido me fez lembrar que eu tenho medo de onda. E de mar.
Não há de ser nada: uma lagrimazinha daqui, pequeno desespero dali, muita areia no cabelo, um arranhão no braço. E amanhã estamos lá de novo 🙂

Entrei mesmo na onda de superar meus medos.
PS: Ontem, 21 de abril, foi dia de muitas ondas, evolução pra prancha menor e pura animação. Um dia do surfista, outro do mar 🙂

Registro I.


AMO essa moda de meias coloridas.
Não vejo a hora de usar as minhas em terras brasilis. E de acrescentar outras à coleção.

Registro II.
Depois de enfrentar o medo de ondas nas aulas de surf, hoje registro mais um progresso: primeira vez que entrei no mar – com ondas – sozinha. Sem prancha, só mergulhei, passei da arrebentação, fiquei lá um pouco e voltei.
Pode paracer nada pra você, mas pra mim é um grande avanço. Digno de registro 🙂


(Fotos de Deise Lima)

Jantando em Paris, me deparei com essas duas mãos exalando fumaça. Vez ou outra, pegavam suas bebidas. Brindavam. Não raro também era estarem uma sobre a outra, exalando uma única fumaça. Eram mãos felizes.

Foram minhas mãos que fizeram as fotos – primeiro a dele. Ela, como toda (mão) apaixonada, achou linda. Fiz a dela pra fazer par.

Faz tempo que prometo enviar a foto do par de mãos-fumantes apaixonadas.

Amanhã, 11 de abril, as mãos e seus donos se casam. Em Roma.
As mãos que aqui escrevem não estarão lá dessa vez.
E perdendo a vergonha de ser piegas, assumo: meu coração estará.
Sejam felizes.

40 anos após a manisfetação ocorrida na Cinelândia contra o regime militar – que ficou conhecida como passeata dos cem mil – meu amigo querido Evandro Teixeira lança o livro ’68 destinos – Passeata dos 100 mil’.

Evandro esteve lá (e em tantos inúmeros outros momentos de nossa história) e fez a célebre foto da multidão. A idéia do projeto veio depois de várias repetições do mesmo fato: alguém se emocionando ao se reconhecer na foto.

O livro conta a trajetória de 100 dessas pessoas, encontradas ao longo de anos de projeto, todas fotografadas novamente por Evandro naquele mesmo cenário – a Cinelândia. Recheado de depoimentos e outras fotos de Evandro da mesma época de ditadura. Tem Chico, tem Gil, tem Caetano, tem Gabeira, tem inúmeros e ilustres desconhecidos que tiveram a garra e a coragem de protestar contra alguma coisa nesse país. Ah, e tem olhar de Evandro Teixeira. Sempre vale a pena.

À venda nas melhores livrarias. Eu já reservei o meu. Digo de novo: vale a pena, vai por mim.

(se está curioso para ver a foto da multidão, clique aqui)

(sou fã do Xexéo, preciso declarar antes de tudo. Adoro a coluna dele.)
Hoje, me deparei com a coluna do Xexéo da semana passada (lembrem-se: eu estive viajando) em que ele se perguntava, em tempos de epidemia de dengue, que fim levou o fumacê. Fui imediatamente remetida a cenas da minha infância: quem não lembra de correr pra fechar a janela pra fugir daquele cheiro insuportável?

Não sei que crédito Xexéo tem nisso, mas o fato é que no início dessa semana o Ministério da Saúde enviou 8 carros-fumacê para o Rio. Acho que agora vou deixar minhas janelas abertas.

E amigo Xexéo, só uma observação: com infância vivida nos anos 80, me lembro muito bem do fumacê. Não foi exclusividade dos anos 70 não, viu? Sempre bom esclarecer, vai que algum leitor ‘me envelhece’ 10 anos??

**
(ainda em tempos dengosos)
Recebo, na próxima semana, um grupo de 30 pessoas da América Latina e Inglaterra. Evento de trabalho. Última confirmação de presença, hotel, traslados, nos demos conta que devíamos alertar\informar sobre a dengue. Acalmá-los com informações básicas e, principalmente, orientá-los sobre os sintomas, caso voltem pra casa contaminados.

Saí em busca de algum tipo de cartilha para turistas, em inglês. Quão surpresa (ou não) fiquei quando descobri que não há. Nem secretaria de turismo, nem ministério da saúde, nem prefeitura do rio, nada.

Euzinha – com meus super conhecimentos médicos e com a ajuda de Dráuzio Varella e da embaixada americana (única em que achei alerta sobre a dengue) – produzi um slide com informações básicas como forma de transmissão, sintomas, tratamento, dengue hemorrágica. Tão básico que me pergunto de novo: porque ainda não há uma cartilha?

Emails enviados para Ministério da Saúde e Secretaria de Turismo RJ. Respostas eu publico aqui.
No meio dessa pesquisa, visitei o www.combatadengue.com.br, do Ministério da Saúde. Muito bom o conteúdo, a campanha está bem feita e cheia de material de divulgação.
Só esqueceram dos turistas.

Que São Google me ajude a contar para o mundo: a salsa NÃO é um ritmo brasileiro. Nem o merengue.
Salsa ou merengue não são a mesma coisa que samba. Samba é o ritmo genuinamente brasileiro.
Salsa e merengue são ambos ritmos de origem caribenha (não sei exatamente de onde), extremamente populares pela América Latina à exceção do Brasil, onde é dançado eventualmente.
Brasil = samba.
(pedido por carioca cansada de explicar que samba é samba, salsa é salsa)

This post is to warn you that Salsa and merengue are not brazilian musical styles. Samba is the genuine brazilian rythm and it’s not the same thing as salsa or merengue. While salsa and merengue are extremly popular at other latin america countries, brazilian people listen to\dance it very occasionally. Samba is brazilian. Brazil = samba.
(from a brazilian girl, praying to St. Google for help. if you were also mistaken about salsa and samba, please tell as many friends as you can)

E na ausência de vídeo melhor, vou de Maria Rita em vídeo amador:
(this is samba. sorry for the bad audio)

Assisti ontem o novo longa de Laís Bodanzky.
Tinha simpatizado com o argumento do filme desde que li a primeira nota. “Chega de saudade” usa um baile da terceira idade como cenário para contar a história de seus assíduos frequentadores. O nome me remetendo à bossa nova, tinha Elza Soares cantando no baile, Tônia Carrero no elenco. E eu amei “O bicho de sete cabeças”, queria ver mais dela.

É tão ruim quando me frustro. Pra não contar o filme, digo somente que me incomodaram os cansativos quadros fechados e a abordagem um tanto quanto pessimista da terceira idade. E o sotaque do Paulinho Vilhena – que sotaque era aquele? De Elza Soares, praticamente só se vê a tatuagem – culpa dos tais quadros fechados, e se ouve alguns poucos versos. Na trilha do baile, entrou de tudo menos bossa nova. Aliás, que trilha eclética. Quanto a Tônia, está ótima. Maria Flor e Cássia Kiss também.

O filme é triste e é só saudade. Da brincadeira com o título contraditório, eu gostei.
Passei boa parte do filme imaginando porque Laís não optou por contar a história dos outros frequentadores – os que estavam felizes dançando o tempo todo.
Talvez o problema seja que que não estou em clima para filmes tristes.
Portanto, assista. Vale a pena. Sempre vale. Cinema é a maior diversão.

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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