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Aproveitando o gancho do post anterior, preciso contar que no avião voltando de Lisboa eu ouvi pela primeira vez, em rádio portuguesa dedicada a música brasileira, Mart’nália cantando “Benditas” de Zélia Duncan.

Nem sei se a música é nova novíssima, ou se eu estou atrasada. O fato é que não conhecia, amei a voz de Mart’nália, a melodia e a letra aclamando o novo e o desconhecido. Bendita seja a musicalidade brasileira, celebro mais uma vez.

“Benditas”
Zélia Duncan \ Mart’nália

Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas

A vida é curta
Mas enquanto dura
Posso durante um minuto ou mais
Te beijar pra sempre o amor não mente, não
mente jamais
E desconhece do relógio o velho futuro
O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros
Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma

* “Bom é não saber o quanto a vida dura, posso brincar de eternidade agora, sem culpa nenhuma” é um verso daqueles que ouço e desejo (não mais) secretamente que eu mesma tivesse escrito.
** Esse momento musical-nacionalista só me lembra, contraditoriamente, Ed Motta – de quem sempre fui fã – e sua Conexão Japeri cantando “Gostava de música americana, ia pro baile dançar todo fim de semana” 🙂

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Para felicidade do meu nacionalista pai – que descobrirá o fato pelo blog 🙂 – minha nova coreografia de aula no jazz é ao ritmo de música brasileira. Depois de “All that jazz”, tango (em versão moderna e eletrônica do Gotan Project – se não conhece ainda, descubra agora – vale a pena!), Chorus Line e outras americanas que nem lembro mais quais foram, o hit do momento e que passo o resto do dia cantando é “Como nossos pais” – na voz inconfundível, inimitável, admirável e inigualável de Elis Regina. Também conhecida como a música mais (mal) cantada em karaokê em todos os tempos 🙂

Na quarta ou quinta repetição da música e da dança, começei a me perguntar se Elis (na verdade, Belchior) achava qualquer canto menor ou melhor do que a vida de qualquer pessoa – dúvida esta compartilhada com minhas colegas de sapatilha e, após algum debate, não chegamos a conclusão definitiva. Foi minha pesquisa extra-classe em fontes de internet afora que me confirmou que Elis cantava qualquer canto menor do que a vida de toda e qualquer pessoa. Soa tão modesto pra Elis, cujo canto passa longe de ser um canto qualquer, e é certamente melhor do que a vida de uma ou outra pessoa qualquer por aí. Aliás, canto de Elis é melhor que muita coisa.

Eu consigo imaginar os filhos que ainda não tenho, após adolescência de grande rebeldia, ouvindo essa mesma música e finalmente entendendo que o novo sempre vem, não importa o quão fabulosa seja a idéia de nova consciência e juventude que eles tenham. E como os meus pais, um dia serei eu em casa a contar meu vil metal. São ciclos, ciclos, muito ciclos, mas essa música ainda resiste a muitos, vai por mim.

E como é bom viver em um país tão musical. E viva Elis.

De tudo um pouco:

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Por onde viajo…

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