Para felicidade do meu nacionalista pai – que descobrirá o fato pelo blog 🙂 – minha nova coreografia de aula no jazz é ao ritmo de música brasileira. Depois de “All that jazz”, tango (em versão moderna e eletrônica do Gotan Project – se não conhece ainda, descubra agora – vale a pena!), Chorus Line e outras americanas que nem lembro mais quais foram, o hit do momento e que passo o resto do dia cantando é “Como nossos pais” – na voz inconfundível, inimitável, admirável e inigualável de Elis Regina. Também conhecida como a música mais (mal) cantada em karaokê em todos os tempos 🙂

Na quarta ou quinta repetição da música e da dança, começei a me perguntar se Elis (na verdade, Belchior) achava qualquer canto menor ou melhor do que a vida de qualquer pessoa – dúvida esta compartilhada com minhas colegas de sapatilha e, após algum debate, não chegamos a conclusão definitiva. Foi minha pesquisa extra-classe em fontes de internet afora que me confirmou que Elis cantava qualquer canto menor do que a vida de toda e qualquer pessoa. Soa tão modesto pra Elis, cujo canto passa longe de ser um canto qualquer, e é certamente melhor do que a vida de uma ou outra pessoa qualquer por aí. Aliás, canto de Elis é melhor que muita coisa.

Eu consigo imaginar os filhos que ainda não tenho, após adolescência de grande rebeldia, ouvindo essa mesma música e finalmente entendendo que o novo sempre vem, não importa o quão fabulosa seja a idéia de nova consciência e juventude que eles tenham. E como os meus pais, um dia serei eu em casa a contar meu vil metal. São ciclos, ciclos, muito ciclos, mas essa música ainda resiste a muitos, vai por mim.

E como é bom viver em um país tão musical. E viva Elis.

Anúncios