You are currently browsing the monthly archive for junho 2008.

Quem não tem boas lembranças de festas juninas?
Bandeirinhas coloridas, vestidos de babados e bolinhas para as meninas, maria chiquinha e laços, gravatas e bigodinhos pros meninos, quadrilha, olha a chuva! (é mentira!), estalinhos, maçã do amor, salsichão, pipoca, pescaria, toca do rato, boca do palhaço, bochechas cor de rosa com sardas de mentirinha.
Primeiro, foram as do colégio onde grande parte da graça era ensaiar a quadrilha e mostrar orgulhosa pro pai e mãe no grande dia.
Depois vieram as do clube, bem menos tradicionais, eu e minhas amigas abrindo mão do ‘mico’ dos laços e maria chiquinha, o negócio era a desculpa pra paquerar, ver os meninos. A festa junina do clube era o evento do ano e do bairro.
Depois elas ficaram mais escassas, e eu passei a ter saudades do salsichão e da pescaria. Mês de junho virou mês de caçar alguma festa em qualquer rua pra ir, só pra satisfazer meus dois desejos. Mas ainda achava essa coisa de se vestir de caipira um tanto cafoninha. Tola.
Atualmente, adoro ir pra ver as crianças se divertindo, ganhando as prendas das brincadeiras, as meninas vaidosas de vestidinhos e os meninos orgulhosos de bigodinho. E morro de inveja e vontade de colocar umas tranças, fazer umas pintinhas no rosto e dançar em um belo vestido rendado. Que mico que nada, uma delícia 🙂
E as festas mais tradicionais, excelentes para remeter a boas lembranças da infância costumam ser as de escolas. Ou de um orfanato, como foi hoje a do Educandário Romão Duarte, no Flamengo – das fotos aí de cima. O Educandário atende cerca de 60 crianças, e ajudas e doações são bem vindas o ano todo. Fica a dica.

** Sessão ‘Você sabia?’
As festas juninas tem origem portuguesa, e celebram santos católicos do mês de junho: Santo Antônio (13), São Pedro (29), São Paulo (29), São Marçal (30) além do próprio São João (29). No Brasil, tornaram-se muito tradicionais no nordeste, em agradecimento as chuvas nas lavouras normalmente no mês de junho. A época é favorável para a colheita do milho, daí as comidinhas típicas: canjica, pamonha, broa de milho e até mesmo pipoca.

Falun Dafa (ou Falun Gong) é uma técnica chinesa para elevação de mente e corpo, baseada em três princípios fundamentais: verdade, benevolência e tolerância. Pratica-se através de cinco séries de exercícios, corporais e de meditação, e promete trazer paz, serenidade e uma maior conexão com a verdade do universo.
Em viagem a Londres, vi um grupo de pessoas numa aparente meditação em uma praça, envoltos por cartazes. Me aproximei, conheci o Falun Dafa – até então desconhecido pra mim – ao mesmo tempo em que descobri que seus milhões de praticantes chineses vem sendo cruelmente perseguidos desde 1999 – data em que o Partido Comunista percebeu que haviam mais praticantes de falun dafa que membros do partido. Os praticantes viraram o grupo reprimido ‘da vez’.

**
Dachau
As duas fotos ao lado foram tiradas em Dachau – primeiro campo de concentração construído pelo governo nazista, na cidade homônima, próxima a Munique. “Arbeit macht frei” significa algo como “Liberdade pelo trabalho”.
Todos os outros campos foram criados com base no sistema que foi desenvolvido em Dachau, construído em 1933, logo após a chegada de Hitler ao poder: um lugar criado para para libertar pelo trabalho grupos carentes da suposta dignidade nazista: criminosos, criminosos políticos, pessoas com deficiências, homossexuais, testemunhas de jeová, e os anti-sociais: qualquer um julgado indigno mas que não se encaixasse nas 5 categorias anteriores. No ingresso ao campo, o preso era destituído de todos os seus bens – inclusive de seu nome – ganhava um número, um uniforme e um triângulo cuja cor indicava seu grupo. Durante a guerra, os judeus passaram a ser identificados duplamente: em um dos cinco grupos, e com mais um triângulo amarelo, invertido, formando a estrela de Davi.
Durante 12 anos, milhares foram forçados a trabalhar nas mais diversas indústrias – de construções de estradas a fabricação de armas – sempre retornando ao campo ou pernoitando nos inúmeros sub-campos próximos. Não existem registros de alguém que tenha sido efetivamente libertado por esse mesmo portão – mesmo antes da guerra.
Estima-se que cerca de 30.000 pessoas morreram em Dachau, de desnutrição, doenças, suicídio ou punição. Dachau tem uma câmara de gás que, aparentemente, nunca foi utilizada. Os campos de extermínio surgiram somente durante a guerra.

***
A perseguição aos praticantes de Falun Dafa (ou a qualquer outro grupo julgado reacionário) normalmente inclui o envio a campos de trabalhos forçados, com a mesma justificativa de liberdade pelo trabalho. Ou a um campo de re-educação, que não parece muito diferente.
Em Londres, o protesto incluía várias fotos de pessoas liberadas destes campos – que normalmente morrem logo em seguida por desnutrição ou consequência de maus tratos. De 1999 até hoje, 3.000 mortes foram registradas além de cerca de 60.000 casos de tortura.

***
A segunda foto, a direita, é de um monumento no memorial de Dachau, com os dizeres “Nunca mais” em diversos idiomas.
Nunca mais?

***
Enquanto eu lia os cartazes na praça em Londres – com vontade de fotografar, mas sem bateria na câmara – uma moça chinesa me abordou e perguntou se eu já havia ouvido falar de Falun Dafa ou da perseguição. Respondi não para as duas perguntas, ela perguntou de onde eu era e simplesmente me pediu: não precisa assinar nada, só conte isso para o máximo de pessoas que puder. Foi então que eu prometi escrever sobre o assunto no blog. E assinei o documento, por vontade própria.

***
Faz alguns anos, eu li um livro chamado “As boas mulheres da China”, escrito pela jornalista chinesa Xinran Hue. Xinran teve, durante a década de 90, um programa de rádio na China em que recebia ligações de mulheres chinesas e oferecia seus conselhos. O livro reúne algumas dessas histórias e só foi publicado depois que Xinran mudou-se para Londres, onde vive até hoje.
Dentre as histórias, um misto de orgulho da cultura chinesa com amargura e tristeza pelos inúmeros episódios de repressão e direito a liberdade. Lembro a que mais me marcou: a de uma mãe, que cometeu suicídio por enforcamento, depois que soube que sua segunda filha adolescente estava grávida após ter sido forçada a frequentar reuniões do partido comunista, assim como sua irmã mais velha, onde eram repetidamente estupradas. A gravidez para uma mulher não casada é considerada absolutamente imoral, e ela seria certamente banida da sociedade. A mãe não aguentou ver a mesma história, pela segunda vez. Quem ligou para Xinran foi a segunda irmã, que acabou perdendo a criança.
A maior parte das histórias acontece nas cidades rurais, longe do crescimento econômico do país que abriga quase 1\3 da população mundial, deflagrando uma desigualdade e incoerência de difícil compreensão pra alguém aqui, do outro lado do mundo.

**
A moça que me abordou em Londres também não vive mais na China. Perguntei se não tinha saudades ou vontade de voltar, e ela não titubeou em responder que não. E ainda acrescentou: sou mais livre para praticar minha cultura aqui do que lá.

**
Eu não entendo de política e nem tanto assim de história. Mas não consigo imaginar NADA que justifique tamanha opressão a liberdade de um indivíduo.
Finalmente cumpri com a minha promessa. E diante disso tudo, mesmo amando olímpiadas, sinto vontade de boicotar as de Beijing ao mesmo tempo em que realmente acredito que o esporte tem o poder de fazer frente a tanta opressão, e é capaz de unir pessoas e nações. Ainda não consegui decidir se sou a favor do boicote ou não.

* Mais sobre Falun Dafa aqui.

Fui ao show dela há alguns dias, quis comentar aqui, só agora achei tempo.
Joss Stone é mesmo uma diva com aquela voz de negona-americana disfarçada num corpinho de lorinha esbelta. Impressionante. E gosto desse soul com uma coisa meio pop que ela faz.
Li em uma entrevista ela dizer que passava dias ouvindo Aretha Franklin e Janis Joplin em seu quarto, um dia resolveu imitar e aí as pessoas gostaram. Simples assim.
(em tributo a Janis Joplin com a não menos impressionante Melissa Ethridge – roqueira de primeira)

* não consegui achar vídeos de Joss no seu estilo soul-pop com qualidade de som e imagem razoáveis. mas se estiver curioso, procure por ‘joss stone vivo rio’ no youtube. dá pra ter uma idéia. ou baixe a discografia. ou vá entender porque você ainda não conhece Joss Stone 🙂

***
Amy Winehouse foi internada, diagnosticaram um enfizema pulmonar, sai do hospital e vai fumar e beber, continua a visitar o marido na cadeia, já foi pra delegacia por agressão em bar, pagou mico no Rock in Rio Lisboa, e de repente faz volta triunfal no show de tributo ao Mandela. Ela vai na mesma onda do soul de Joss, mas surpreendentemente, de uma forma mais conservadora: no ritmo, não nas letras. A mulher abala.
Fico imaginando se ela terá fôlego pra mais, porque por mais que eu goste dela, “Rehab” e “You know that I’m no good” já estão muito perto de ter dado o que tinham pra dar. Mesmo assim, Amy rocks.
(Free nelson mandela, no tributo)

(e num momento mais low profile, pra quem ainda não entendeu porque ela é tão boa)

* e você também não acha que a Amy que devia cantar Janis Joplin de vez em qndo?

***
E Cyndi Lauper voltou, anos depois, com o novo CD “Bring ya to the brink”.
O carro chefe do CD é a “Same old fucking story”, mas de “same history” só identifiquei uma coisa: ela continua ótima. E mostrando uma qualidade que eu admiro nos artistas: pegar algo nem sempre tão bom, mesclar com seu estilo e fazer algo ótimo. Eu implico com essa coisa eletrônica a maior parte do tempo, mas Cyndi fez um hit super dançante, gostoso, sem abafar a potência da sua voz que é o que eu sempre acho que acontece nesses casos. A moça tem talento.
E continua meio-louca, louríssima, mexendo os braços numa dança estabanada e super simpática.
Tá prometendo vir ao Brasil em novembro. Estarei lá. ‘cause girls just wanna have fun 🙂

(porque vale a pena recordar)

(same old fucking history)

Eu mais importante I
“Vou, não vou, vou, não vou, os olhares se cruzaram de repente e eu disse de sopetão: parabéns pela sua música e por essa voz divina”, descreve a Deise Lima.
Fui eu quem disse, mas quem citou foi Zeca Carmago! Me sinto importante.
(tá certo que, desde que descobri o blog do Zeca e percebi que ele realmente lia os comentários, passei a comentar sempre. veio o retorno 🙂 admiro-o profissionalmente, adoro os temas do blog apesar de uma certa preguiça de textos muito longos e já me sinto amiga do rapaz. leia você também.)

**
Eu mais importante II
Na verdade, tão importante quanto o I. O II foi só uma questão cronológica.
A partir de hoje, esse humilde blog figura na lista de links do Pseudônimos, casa de Rosana Caiado – nova-amiga ex-colega-de-sapatilha. Me senti honrada.
Rosana escreve também para a coluna de “Amor e Sexo” do Bolsa de Mulher. Quando eu crescer, quero escrever que nem ela.

Olhares
(foto de Deise Lima)
Dora e Wan se conheceram ainda bem jovens, como prova aquela foto antiga na casa da Daniele. Ele já careca-charmoso, ela toda exuberante e os dois se olhando com ares de apaixonados. Dora diz que namoraram 4 meses e, cheia daquele orgulho meio inexplicável feminino, me confidenciou que foi ela quem desmanchou o namoro. “Mas nunca deixamos de nos falar, eu ligava pra ele e conversávamos muito” – emendou.

Ela já não lembra mais quantos anos depois, Wan a reencontrou. Reataram o namoro. Casaram numa igrejinha do Centro da Cidade, e foram se aventurar numa inabitada e longínqua Ilha, que era de um Governador e já tinha sido local de veraneio de muita gente importante. Wan voltou a trabalhar logo após o casamento, deixando Dora em férias a base de biscoitos numa casa sem fogão e vizinha apenas de uma grande floresta de eucaliptos. O amor é mesmo lindo.

E foram surgindo algumas construções e sinais de civilização por perto, veio o supermercado da baleia, a primeira filha, a segunda, muitos passeios em família, do Arpoador a colônias de férias de São Sebastião, veio o clube, os gatos, a adolescência das filhas e alguns cabelos brancos, a reprodução descontrolada dos gatos, a festa de 15 anos, a aposentadoria de Wan e os dois se viram aprendendo a conviver dias inteiros juntos numa mesma casa. Então foram juntos ao clube, agora sozinhos, porque as filhas já metidas a adultas frequentavam faculdade, festas e bares, faziam a casa de hotel e descobriam o mundo.

A essa altura, os eucaliptos já não existiam e a ilha, já bem habitada, não era nem mais tão longínqua assim. As filhas saíram de casa, os dois (re)conquistaram uma casa só pra eles que dividiram com os gatos, e deram para muitos almoços a dois e experiências gastronômicas. Reafirmando diariamente seu amor e companheirismo, em meio a muitas briguinhas, birras e implicâncias. É preciso sempre manter a emoção da coisa toda.

Essa poderia ser só mais uma história de amor, mas não é. É a que me permite escrever aqui para vocês e para uma irmã querida que sempre me lê. Se nunca tivesse acontecido, talvez eu fosse uma Deise que não dança, não fotografa, não escreve e não lê, sem carinho especial pela ilha, sem saber o quanto é bom ter uma irmã e sem dar o valor devido a tudo que tem. Talvez nunca tivesse ouvido música clássica, feito tanto Picolé, assistido a Sidnéia do teatro da TVE ou gostado tanto de matemática. Pode ser que nem gostasse de farofa ou que adorasse carne moída. Sei não, mas acho que seria uma Deise mais chata e sem graça. Ou talvez não fosse nada.

Talvez eles (ainda) não saibam, mas ser fruto de um amor de 34 anos é motivo de muito orgulho. Se nunca disse, digo agora. 13 de junho, 1 dia depois dos namorados, é dia do meu pai e da minha mãe. Esses dois aí da foto, se olhando como naquela foto antiga da casa da Dani, pegos no flagra pelo espelho por essa filha aqui que faz de sua escrita um singelo presente de aniversário de casamento. Espero que gostem 🙂

**
E 13 de junho parece mesmo ser o dia do amor.
Hoje, Valentina com 2 meses de idade foi finalmente registrada em cartório por mãe e pai. Parece simples, mas não é. Como Valentina, existem cerca de 50 no mundo. Ela é filha de Gabriela – portadora de síndrome de Down – e de Fábio, portador de um atraso mental. O direito de pai foi inicialmente negado a Fábio, considerado incapaz de declarar ser Valentina sua filha. Mamãe Gabriela apaixonada, apoiada por sua família, se negou a registrar Valentina sozinha, e com toda razão: ela é fruto de amor de pai e mãe. Foi preciso ir a justiça, mas valeu a pena: “Agora eu sou pai. Até ontem eu não era” – declarou Fábio feliz com Valentina no colo.
Valentina é saudável e não é portadora de síndrome de down. Enquanto os homens com Down são estéreis, as mulheres não o são e tem 85% de chances de engravidar de uma criança sem Down.
Como disse minha amiga Simone, vale a pena ler essa história tão bonitinha.
E viva o amor.

**
And last but not least: 13 de junho, por muitos anos, foi também dia de celebrar o aniversário daquela que sem ela não existiria amor de Dora e Wan e por isso não haveria Deise ou Daniele ou gatos da família Lima. Dia de Vovó Deolinda – a que declamava poesias, irmã daquele que me escrevia cartas e charadas, acho que foi daí que surgiu esse meu recém-redescoberto gosto pela escrita. Fica aqui meu agradecimento póstumo 🙂

E começou o Fashion Rio. Gosto de acompanhar a cobertura do GNT, tenho esse lado mulherzinha (porque não?) e não nego.
Chris Nicklas ontem fez matéria sobre a nova tendência dos cabelos. Depois da mulherada ter enchido o cabelo de formol e esvaziado o bolso em escovas definitivas, progressivas, japonesa e sei-lá-mais-qual-tipo a moda agora são os cachos.
Deve existir alguém, com poder de ditar tendências e por trás dessa indústria da moda que se diverte muito a custa dos outros, né não?
Mas devo confessar: A-D-O-R-O estar na moda.

**
Banca de jornal no Centro anuncia: “Melancia a venda, fatia a R$10,99.”
Aproveito para um comentário rápido: de tudo que a mulher-fruta representa, existe uma e APENAS UMA coisa que eu acho boa. Com seus quilos a mais e na capa de revista masculina quebrando recordes de venda, ela deve estar ajudando a levantar a auto-estima de muita mulher brasileira-voluptuosa por aí sem nenhuma vocação para Gisele Bundchen. Vamos aclamar a beleza em sua diversidade, que inclui aquela da típica mulher brasileira.
E agradeço a nova-querida-amiga Luciana por ter me atentado para esse fato. E chega de comentar mulher-fruta por aqui.

Ontem foi aniversário do Jorge Sales, poeta e cordelista capixaba, que conheci através da Dani numa de minhas várias (nem tantas) visitas a Vila Velha. Sempre simpático e sorridente, puxando boa prosa, me conquistou rapidamente pelo simples fato de ser tão carinhoso com minha irmã e seu marido. Dessas pessoas que a gente vê e gosta.
Ontem eu dei parabéns ao Jorge, assim via orkut – diria até indigno do aniversariante.
De volta, recebi eu um presente:
“A Deise chegou
tão bela e faceira
com a beleza de sempre
é mulher brasileira
se fosse em teatro
eu estaria de fato
na primeira cadeira.”

Se todos os homens do mundo fossem assim sorridentes, simpáticos e galanteadores, o mundo provavelmente seria um lugar melhor para se viver. Mais alegre, seguramente.

Dia desses andei de metrô. Faz pouco mais de um ano que me descobri ligeiramente claustrofóbica. Prefiro encarar o trânsito, ver a luz do dia e me distrair com o movimento: gente que anda apressada, a mãe que ensina o filho a esperar o sinal, quem atravessa a rua correndo, o papo escandaloso das duas mulheres do banco da frente, o menino que equilibra incontáveis saquinhos de balas nos ombros, a contadora que detalha os últimos acontecimentos de sua vida para um quase sempre desinteressado motorista que, por vezes, comenta o resultado do futebol com o pipoqueiro e esquece que o sinal abriu, a menina que passa causando breve silêncio na conversa matutina dos machos no boteco. Como tem gente que não trabalha, ou pelo menos, não no mesmo horário que eu. Tenho meus segundos de inveja dos que pedalam suas bicicletas em direção a praia, de quem toma um café da manhã com cara de delicioso na padaria, dos que voltam calmamente de suas compras no hortifruti e dos velhinhos que jogam xadrez na praça. Me perco no meio disso tudo enquanto admiro a beleza do Aterro do Flamengo e quando percebo, cheguei.

No metrô, o tempo passa mais devagar. Do lado de fora é tudo preto, e no de dentro as pessoas raramente conversam, me restando poucas opções de auto-entretenimento. Ler eu não gosto porque odeio ser obrigada a parar um capítulo no meio. Até hoje não me entendi muito bem com meu ipod, de forma que música também não é opção. E também se eu ouço música, eu canto, e prefiro observar a ser observada. Pois na minha última viagem, me faltou o jornal do passageiro ao lado para eu esticar o olho, e depois de cansada de apreciar o mapa relembrando todos os nomes de estação das linhas 1 e 2, me deparei com uma propaganda das pastilhas Valda:

“Você pode não ser teleoperadora, mas sua voz também precisa de um alô!”

E ali encontrei devaneios para uma viagem inteira:
+ Porque teleoperadora, e não teleoperador? Seria uma campanha direcionada as mulheres, talvez menos ávidas consumistas de pastilhas Valda? Ou seria a propaganda simplesmente machista?
+ Seriam as pastilhas Valda tão antigas quanto a expressão “dar um alô”? Aliás, não conheço quem precise de um alô, muito menos o teleoperador que fala de tudo menos “Alô”.
+ Se a propaganda fosse em Portugal seria “Você pode não ser teleoperadora, mas sua voz também precisa de um estou?”. Foi nessa hora que lembrei do meu blog querido, porque esqueci de comentar esse fato que tanto me fez rir em Lisboa. A primeira vez foi na recepção do hotel, o celular da hóspede portuguesa ao lado toca, e ela atende prontamente:

– Estou?

Como não rir disso? Será que alguém atende telefone sem estar? E aí me pego pensando de onde surgiu a expressão “Alô” se não herdamos o ‘estou?’ dos amigos patrícios, imagino que deve ter vindo do “Hello” que nem forró veio de “for all”, e aí já viu. Devaneios e mais devaneios, livres associações na minha mente, e a estação chegou mais rápido. Viva a propaganda de qualidade duvidosa.

* os devaneios transformaram-se em curiosidade, e chegando no trabalho descobri: ‘As pastilhas Valda nasceram em 1902, época em que as doenças pulmonares eram comuns. O francês Henri Canonne, dono de uma farmácia em Paris, lançou uma pequena goma verde que aliviava a tosse’. E eu que tusso até hoje e nunca degustei uma pastilha valda para aliviar minha tosse? Vou tentar.
** A campanha não se limita aos teleoperadores. Tem também o genial: “você pode não ser cantor, mas sua voz não precisa dançar”. Ou “você pode não ser professora, mas sua voz também precisa de atenção”. É, parece que a campanha é ruim e machista mesmo.

E a mulher melancia perdeu 8kg. Sua melan…, digo, bumbum reduziu de 121cm para 110cm.
Alguém conta pra ela que não se menospreza o ganha-pão assim?

(e eis que acabei me rendendo a um dos assuntos mais comentados, fúteis e bizarros do momento. cá estou eu dando humilde contribuição de mídia pra moça do maior bumbum do brasil. quase não posto, mas postei. sem mais comentários)

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

junho 2008
D S T Q Q S S
« maio   jul »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930