“Sr Fridiksson me contou que aquela tranquila personagem era apenas um ‘caçador de gansos’, aves cuja plumagem constitui a maior riqueza da ilha. Na verdade, essa plumagem se chama edredom, e não é preciso despender muito movimento para consegui-la.
Nos primeiros dias do verão, a fêmea do ganso vai construir o ninho entre os rochedos dos fiordes que recortam toda a costa. Uma vez construído, ela forra esse ninho com penas finas que arranca da própria barriga. Logo o caçador, ou melhor, negociador, chega, pega o ninho, e a fêmea tem que recomeçar o trabalho. Isso continua acontecendo enquanto lhe resta alguma plumagem. Quando fica completamente sem nenhuma, cabe ao macho depenar-se. Como a pena dura e grosseira deste não tem nenhum valor comercial, o caçador não se dá ao trabalho de roubar o ninho da sua cria. Então, o ninho é concluído, a fêmea bota os ovos, os filhotes saem e, no ano seguinte, recomeça a colheita do edredom.”
(trecho do livro “A viagem ao centro da Terra”, de Julio Verne)

* E agora tenho pesadelos com gansos-fêmea depenadas e magrelas ou comigo mesma roubando cobertores de seres indefesos que deixo, sem dó, no frio. Maldito edredom amarelo de penas de ganso. Até quis me livrar dele, mas é tão bom…
** A ilha mencionada é a Islândia. Adoro descobrir mais sobre lugares que raramente lembro da existência. Islândia, até então, era simplesmente sinônimo de Bjork pra mim.
*** Não passa de mera coincidência a simultaneidade de minha leitura com o filme recém-lançado, baseado na obra. Julio Verne ainda é resquício do projeto-silêncio. Comprei, há alguns anos, dois pocket books de suas obras mais famosas, para me familiarizar. E estou adorando. Recomendo.
**** Odeio pocket books, na maior parte das vezes. Estou na página 175, e o livro já se despedaça.

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