Sábado, 02 de agosto, 17:30h. Saí de casa. Assim que cheguei ao aeroporto, as 18:00, e fiz meu check-in em 10min para o vôo com partida agendada para as 20:05, me arrependi – mais uma vez – por seguir a recomendação de 2h de antecedência para vôos internacionais. E tive a certeza absoluta de que o vôo atrasaria. Todo mundo sabe que check-in rápido é sinônimo de vôo atrasado, assim como check-in atrasado é sinal de vôo na hora.

Calmamente, troquei dinheiro pra viagem, fiz um lanche, fui a farmácia, comprei meu estoque de revistas de fofoca e fui pra sala de embarque. Tirei o laptop da mochila, passei no raio-x, apitou, voltei, tirei o cordão, passei de novo, guardei o laptop, coloquei a mochila nas costas, peguei a câmera, minha bolsa e a sacola de revistas e caminhei até o portão 32. Eram 19h.

Uma revista inteira depois e nada de chamada pro embarque. O moço da frente, acompanhado do filho de uns 6 anos que falava metade em português, metade em inglês e com umas palavras soltas em espanhol, queria puxar papo. Contou que mora em Miami, perguntou pra onde eu ia, reclamou do Brasil que nunca melhora, reclamou também da TAM e disse que American Airlines é a melhor companhia aérea que existe, a despeito de ter, possivelmente, os aviões mais apertados do mundo – fato que eu introduzi na conversa, confesso, pra ver se dava uma de antipática e o moço desistia do papo. Nada feito. Ele seguiu a conversa me perguntando o preço da gasolina na Inglaterra – porque eu saberia? – e reclamou de novo do Brasil e de sua gasolina cara, mas o pão de açúcar é mesmo lindo.

– “Esse aqui não queria sair do bondinho” – falou mexendo na barriga da criança que, a essa hora, já quase dormia.
– Ai, pai, tô dormindo!
– É, esperar dá um soninho, né? Também estou com sono.
– Viu, pai? Deixa a moça dormir, you talk too much!

Quis beijar aquela criança, enquanto ria pro pai que ria de volta em sorriso-amarelo e cheio de vergonha. Minutos de silêncio depois, já eram 20h, quando anunciaram a troca de portão de embarque. Peguei a mochila, minha bolsa, a bolsa da câmera, as revistas, me despedi de pai e filho, e fui me arrastando pelo aeroporto.

Mais meia-hora de espera, chamada para o embarque. Fila. Demorado trajeto até aeronave. Corredor estreito, minha mochila batendo nas pessoas, pedidos de desculpas até que sentei. Ao meu lado, o papo era sobre Pequim e me dei conta que muita gente estava a caminho da China. Me deu uma pontada de inveja. Dormi.

Acordei 50min depois, aeroporto de Guarulhos. 22:00. Mais 1h até novo embarque. Peguei a mochila, minha bolsa, a bolsa da câmera, a sacola de revistas e andei, andei. Fila de raio-x. De novo. Esperei. 30min. Tirei o laptop da bolsa, passei no raio-x, apitou, tirei o colar – de novo – voltei, guardei o laptop, coloquei a mochila nas costas, peguei minha bolsa, a bolsa das câmeras e a sacola de revistas e fui. De novo.

Fiz uma parada rápida para comprar um novo livro. Cheguei no portão de embarque com a moça, aos berros, perguntando se haviam mais passageiros preferenciais. Agradeci em silêncio, mais um vez, a classe executiva paga pelo trabalho. Me tornei a primeira da enorme fila.

15 min e um rápido trajeto de ônibus depois, eu estava guardando a mochila, bolsa e bolsa da câmera, deixando a sacola de revistas na poltrona vazia ao lado. Sentei, levantei o apoio para pés, reclinei um pouco o banco, escolhi uma revista, aceitei o proseco e as nozes, castanhas e avelãs quentinhas. Não sei o que será de mim na próxima vez que viajar a passeio, de econômica.

Foram 11h de vôo. Jantar servido logo após a decolagem, por volta de 01:30 da madrugada. Li um pouco do livro e tentei assistir a um filme, mas o sono me impediu. Reclinei os 180 graus da minha poltrona, me cobri, e dormi. Acordei pouco antes do café da manhã. Acho que eram 08:30. Comi, vi o resto do filme, li, preenchi formulário de imigração e cheguei. Com 1h de atraso, as 12:30 – hora do Brasil, 16:30 – horário londrino.

Mochila nas costas, bolsa, bolsa da câmera, sacola com algumas revistas a menos que deixei a bordo. E fui. Andei, andei, andei. Muito mais que em Guarulhos. Lá fora, chovia. Odeio aeroportos, odeio mais ainda esse aqui, e odeio esse tempinho mixuruca dessa cidade. Acho que estou de mau humor.

Fui recebida após simpática fila para ‘rest of the world citizens’ (cidadões do resto do mundo). Pelo menos, a fila foi rápida. É que sou um resto vip: a executiva me permite ser das primeiras a chegar, antes da fila formar-se. Amo essa business class. Rápida, mas nem por isso sem perguntas: porque veio, pra onde vai, trabalha pra onde, qual sua profissão, fica quantos dias, qual a cidade, qual o hotel, como vai até lá e enfim, o carimbo. Andei mais, peguei um carrinho, coloquei mochila, bolsa, bolsa da câmera e sacola de revistas, esperei minha mala, esperei, esperei. Chegou, peguei, saí.

Não sei que cara tenho, vai ver é minha cara de mau humor, mas um nada simpático senhor, da policia, me parou no trajeto entre a esteira de bagagens e a saída. Essas malas são suas? Sim, são. Vem de onde? Brasil. Veio fazer o que aqui? Trabalhar, pela minha empresa. Ah, é? Aquele senhor ali trabalha na sua companhia, você o conhece? Não, não conheço. Mas ele também é brasileiro. Sim, senhor, mas a empresa é grande.

Até agora não entendi bem o porquê, mas o policial chamou o moço, nos apresentou, trocamos duas palavras em português – acho que para mostrar intimidade e aplacar a possível (e incompreensível) desconfiança, pediu para ver nossos passaportes, os analisou calmamente e nos liberou, com o primeiro quase-sorriso de toda a conversa.

Eram 17:30h – horário local. Me aguardava o motorista com o logo da empresa. Perguntei quanto tempo de viagem, e fui informada que, com sorte, 01:30h. 01:15h depois, acordei, descobri que o motorista era bastante pessimista, e as 18:50h entrava no meu quarto de hotel. 14:50h – hora do Brasil. 23 horas e meia perdidas em trânsito. Chovia.

Troquei de roupa e gastei grande parte de minha energia acumulada em 40min de bicicleta, 200 abdominais, 30min de transport, 10min na piscina. Bateu fome, e as 21h ainda estava claro e eu estava no restaurante do hotel. Ainda chovia.

No momento, vejo a versão inglesa de BB – onde o Big Brother é Big Brother de verdade, os participantes falam besteiras, um casal briga, a namorada chora o tempo todo e é odiada pelo resto da casa, os participantes andam de roupão e tem gente embaixo do edredom – de novo ele. Parece que a fórmula é igual no mundo todo. Mesmo.

21:58h – hora do Brasil. 01:58h – hora local. Já li metade do livro comprado antes da viagem, alguns capítulos do anterior e me informei sobre a viagem de Luciano Szafir, Xuxa e Sasha a Paris. Escrevi um post (o anterior), e desandei a escrever aqui, no melhor estilo ‘meu querido diário’, minhas últimas 29h.

Adoro viajar, não me entendam mal. Mas sonho com a invenção do tele-transporte e com a revogação do fuso-horário. Pelo menos, o cobertor aqui é de lã. Acho que durmo sem pesadelos. Boa noite.

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