Costumo viver dentro dos limites da lei. Sou certinha. Pago as contas em dia, todos os impostos e as multas que me cabem. Estacionava -quando tinha carro – nos locais permitidos, atravesso na faixa para pedestres e me recuso a ter uma carteira de estudante para obter descontos indevidos. E a lista continua.

Não é a primeira vez que me sinto uma constante infratora em terras britânicas. Trabalho para uma empresa situada numa antiga fábrica. São vários prédios, com uma área de estacionamento central, aberta.

Fim de tarde, peço meu táxi e vou aguardar na portaria principal. Cansada de esperar, encosto na guarita dos seguranças.

– Senhora, não é permitido enconstar aí.

Outro dia. Aguardo meu táxi no mesmo lugar. Vejo um gatinho, perto da saída dos carros. Vou até lá fazer um carinho.

– Senhora, não é permitido ficar aí. Muito perto da passagem de carros. É perigoso.
(nem sinal de carro)

Pego o gatinho para levá-lo até meus 10m2 de espaço permitido para aguardar meu táxi.

– Senhora, por favor, não pegue o gato.
(até agora não entendi o motivo. mas o moço foi enfático)

Saio do prédio para ir almoçar no refeitório, em outro prédio. “Corto” um caminho de cerca de 30m, atravessando pela área destinada a passagem dos carros que nunca passam.

– Senhora, por favor, vá pela calçada. Não é permitido andar aí.
(e volto 15m para refazer o caminho pela calçada)

Saindo do estacionamento, dessa vez de carona com um colega, ouvimos uma espécie de apito. Vem o segurança ‘simpático’:

– Senhor, a velocidade máxima permitida é de 10km\h. O senhor estava a 20km\h. Permita-me ver seu passe.
(eles usam os mesmos aparelhos móveis que se usa nas estradas, inclusive no Brasil. dia seguinte, havia uma notificação para meu amigo)

Em Londres, os táxis só podem parar em determinadas ruas. Na dúvida, leve sempre uma mapa, pois é possível que você seja despachado um pouco distante de seu destino.
No aeroporto, fila de raio-x, além da típica paranóia da retirada de sapatos, não é permitido ajudar outra pessoa. Já presenciei um homem com um bebê de colo tendo que amarrá-lo nas suas costas com o casaco, para tirar os sapatos. Não há uma cadeira. A moça que tentou ajudá-lo foi rapidamente repreendida pelo agente da polícia.

Me recebem com simpática fila para ‘the rest of the world citizens’.
Me fazem 5min de perguntas desconfiadas para me deixar entrar.
As lojas, a exceção de Londres, abrem de 09 as 17h. Super fácil comprar.
Pergunto aos meus colegas de trabalho, qual (e onde) seria a melhor loja para eu comprar alguns eletrônicos. 3 colegas ingleses me responderam:

– Tem várias. Dá uma olhada na internet.

Assim. Seco. Mudando de assunto. Acabei pegando carona com um alemão, que me deixou num shopping, me listou as lojas e deu inclusive dicas de melhores preços.

Não quero ser chata, mas é difícil gostar dos ingleses. Pra piorar, eles tem mau hálito. E, cada vez mais, gosto dos alemães.

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