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…e assumindo minha ignorância musical.
Ontem assisti “Reflexos da inocência” – tradução um pouco infeliz de “Flashbacks of a fool” – com Daniel Craig. Um drama que explora as memórias de um inglês humilde que virou astro de Hollywood. A descrição soou boba, mas o filme merece ser visto.

Todavia, o que quero destacar aqui é a trilha sonora. Divina.
A adolescência do personagem de Craig se passa nos anos 70, ao som de David Bowie e Roxy Music. Bowie eu gosto faz tempo. Já de Roxy Music eu nunca tinha ouvido falar, confesso. Tinha Brian Ferry como vocalista e desse, por algum motivo, eu já havia ouvido falar. No momento, baixo a discografia.

A música é parte importantíssima no roteiro e uma das melhores cenas do filme é ao som de “If there is something”. A cena é memorável.
É desses filmes que, se não valesse a pena por mais nada, valeria pela trilha sonora. E ainda vale por muito mais. Veja.

“Shake your hair girl with your ponytail
Takes me right back (when you were young)
Throw your precious gifts into the air
Watch them fall down (when you were young)
Lift up your feet and put them on the ground
You used to walk upon (when you were young)
Lift up your feet and put them on the ground
The hills were higher (when we were young)
Lift up your feet and put them on the ground
The trees were taller (when you were young)
Lift up your feet and put them on the ground
The grass was greener (when you were young)
Lift up your feet and put them on the ground
You used to walk upon (when you were young)”
(parte da letra de “If there’s something” e ponto alto da música)


(ps: todo filme com Daniel Craig deveria ter uma cena com ele nu. que corpo é aquele? se não gosta de Bowie ou Roxy, ignora trilhas sonoras, mas é mulher, veja o filme pelas primeiras cenas :))

Em 1958, o alemão Armin Hary tornou-se o homem mais veloz do mundo com uma supreendente marca de 10seg em 100m.
50 anos depois, Usain Bolt (mesmo arrogante) bateu seu próprio recorde mundial correndo os mesmos 100m em 9s69.
Alguém arrisca a marca de 2058?

Em 1976, a romena Nadia Comaneci foi a primeira atleta a executar um mortal na trave. E ainda conseguiu o feito da primeira nota 10 (máxima na época) da ginástica. Nos quatro aparelhos.
Nota máxima, atualmente, é praticamente impossível – tamanha a busca pela perfeição. E um mortal é elemento obrigatório na trave. Não só um mortal, mas dois seguidos.

Yelena Isinbayeva pulou 5.05m no salto com vara, quebrando seu próprio recorde mais uma vez. É a única mulher do mundo a saltar mais de 5m, enquanto os homens já chegam a saltar mais de 6m. Ela começou sua jornada de recordes na casa dos 4.80m em 2004. Dizem que ela ‘esconde’ o jogo e quebra seu recorde de 1 em 1cm pelos prêmios. Vendo a emoção dela ao quebrar mais um recorde e seu choro no pódio, fica um pouco mais difícil de acreditar.

Fica a pergunta: Tem limite o corpo ou a ambição humanas?
Será que chegará o dia em que os recordes deixarão de cair?

É. Talvez seja isso o que me fascina nesse mundo do Olimpo.

Menti de novo.
A melhor frase olímpica foi do César Cielo que, logo após conquistar o bronze nos 100m livre, declarou:
‘Agora vou ganhar os 50m livre.’

Dito e feito. Exemplo de vontade e determinação.
Diego Hypólito foi criticado por seu excesso de confiança de no. 1 do mundo no solo. O dito e não-feito virou arrogância. Será que tem diferença mesmo?

Já se falou tanto sobre o tema que até eu já estou cansada. Então faço só um breve comentário.
Errar e amarelar são coisas bem distintas. Diego errou. Talvez tenha caído na armadilha de relaxar no fim da série, quando o mais difícil já tinha passado com perfeição. Esporte é assim. Tem erros. Um perde e outro ganha. Nada é garantido. Cielo não caiu em armadilha nenhuma. Treinou e se preparou, arrisco dizer tanto quanto Diego, mas foi mais eficiente. Foi lá e fez. Mereceu. Tão simples quanto isso. Teve um quê a mais que garantiu sua entrada no Olimpo, ainda simplesmente sonhada por Diego. Em comum, os dois têm o espírito de campeão: determinado, esforçado e confiante. Muito confiante. Não tem nada a ver com arrogância.

Já o Usain Bolt… Sacrificou alguns centésimos de seu recorde olímpico pra bater no peito mostrando o orgulho de homem mais veloz do mundo. Sei não. Pra mim, tem um quê de arrogância nisso. O homem é um fenômeno, mas eu prefiro um Olimpo mais romântico: repleto de deuses orgulhosos de suas conquistas e cientes de sua supremacia, mas humildes até o fim. Até o fim da prova, pelo menos.

A melhor frase olímpica não foi a do Zé Roberto não.
Foi a da Sofia, filha de Mauren Maggi, que do alto de seus 3 anos soltou:
“Ah, mãe, eu preferia que fosse prata!”

Eu até entendo. Sempre achei mais bonitas as jóias de prata que as de ouro. Talvez se a medalha fosse de ouro branco, a menina ficaria mais satisfeita 🙂

Ligo a TV, mas não sei o que assistir. Ela liga no SportTv, mas falam de Brasileirão. Penso no quanto o SportTv fatura a mais em publicidade em tempos olímpicos. Será que vão cobrir bem as Para-olimpíadas? Se cobrirem bem, assisto de novo. Se não, contribuirei para a queda do ibope até o próximo Pan.

Já estava acostumada ao silêncio quando comprei uma TV nova, só pra ver as Olímpiadas. Não sei bem o que fazer com ela agora, mas valeu a pena. Superados os traumas de não ter visto Cielo ganhar medalha ao vivo, de ter sido impedida de torcer ao vivo por Jade, Daiane e Diego (quem sabe minha torcida não faria diferença?), e não ter acompanhado nada do judô, voltei pro Brasil e comprei a tal TV. Em uma madrugada inglesa, acordei com a final por equipes da ginástica feminina na BBC, mas não consegui ver nem a pontinha do pé da Jade errando o salto. Só deu americana e chinesa. Nem o Phelps eu consegui acompanhar descentemente por lá. Nem tanto por culpa da BBC, que tenho certeza que noticiou, mas porque ninguém comentava qualquer coisa sobre os jogos. O Reino Unido ficou em 4o no quadro de medalhas, mas os ingleses pareciam ignorar o Olimpo.

Uma semana de volta ao Brasil e TV nova foi o suficiente para me deixar viciada. Amo as Olímpiadas, de A a Z, qualquer modalidade, qualquer nacionalidade, eu acompanho qualquer coisa. Acho mesmo que deve ser por inveja. Dentre tantos atletas dizendo que a Olimpíada é uma competição única – argumento que parece justificar tudo: decepções, derrotas e vitórias – Renata (ou Talita?) soube explicar bem o motivo. Ao chegar na Vila, e se ver no meio de tantos atletas admiráveis, ela (ou elas?) se deu conta que fazia mesmo parte daquilo. Do grupo dos melhores atletas do mundo. Eu invejo. É isso. Só pode ser isso o que me faz ver Bicicross estreando em jogos olímpicos com o nome de BMX as 3 da manhã. Ou ciclismo de pista, torcendo pela holandesa. Até beisebol – que classifico como o 2o esporte mais chato do mundo – eu vi. Quando me peguei assistindo arremesso de peso, lembrei da minha infância de olímpiadas dos triângulos e minha medalhas de arremesso de pelota. E da natação, revezamento 4×100, salto em altura, salto em distância e até de teatro. Já subi no lugar mais alto do pódio, e me pergunto onde será que foram parar minhas medalhas. E se ainda organizam as Olimpíadas dos Triângulos. Talvez não seja só inveja. Pode ser que venha desse passado remoto a minha conexão olímpica.

Mas voltando a Pequim. A TV chegou a tempo de inúmeras entrevistas com Cielo e sua família. Se perdi Larissa e Ana Paula, pude torcer até o fim por Renata e Talita. Me surpreendi com Ricardo e Emanuel perdendo pra Marcio e Fabio Luiz, e torci pelas duas medalhas. Só não consegui torcer pela aberração da dupla rubro-negra-georgiana Geor e Gia – parece até piada. A vela me deu dois felizes “bom dia”: do Scheidt e Bruno Prada e as meninas com o bronze. Perdi uma manhã de trabalho e alguns minutos de vida torcendo por Marta e sua equipe. Tomava meu café da manhã na academia, quando vi a Mauren ganhar o ouro. Ápice olímpico. Acordei cedo, de novo, pra ver Natalia Falavigna ganhar o bronze – perdido em Athenas, apesar de toda a minha torcida.Torci sozinha, debaixo do edredom, pelas meninas do vôlei e me solidarizei com o ‘cala-boca’ da Mari-cara-de-antipática. Sinto um pouco de culpa por ter dormido na final do vôlei masculino. Na loucura da minha mente olímpica acho que a falta da minha torcida fez diferença. Prata sempre tem um gostinho estranho. Vi e revi reprises e comentários no Momento Olímpico, fiquei um pouco mais fã do Marcelo Barreto e me satisfiz assistindo a diversas entrevistas. E a melhor frase olímpica, sem dúvida, foi a do Zé Roberto: “é amarela sim, mas é Ouro!”

Defendi veementemente toda a delegação brasileira, sempre que pude. Acho terrível essa mania de taxar atleta de amarelão. Há quem diga que faltou determinação a diversos atletas. Acho que vivem em outro país que não o meu. Pode faltar muita coisa, menos determinação a quem chega a uma Olímpiada num país com pífios investimentos esportivos como o Brasil. O que faltou foi preparo, em vários casos. E não só o psicológico, simplesmente preparo. Experiência de competição. As meninas do futebol chegam aonde chegam sem ter sequer um campeonato nacional descente. As americanas perfeitas da ginástica artística competem desde sempre, em inúmeros campeonatos juvenis até chegar a uma competição desse porte. As nossas meninas e menino competem quase que somente em etapas do Mundial. E por aí vai. Quem chega lá, já merece nossos aplausos sim. E brasileiro tem é que aprender a parar de colocar todas as suas esperanças em uma meia-dúzia de atletas. É injusto. Ao invés de chamar de amarelão, vê se ajuda a fazer alguma coisa pela estrutura desportiva do país. Ou fica calado. E é isso aí.

Um dia ainda entendo de vez de onde vem minha obsessão olímpica. Por enquanto, vou ver se acho algum outro motivo que justifique essas 26 polegadas na minha parede. E sobre a vara perdida da brasileira, eu não quero nem comentar.

De tudo um pouco:

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Por onde viajo…

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