A segunda guerra mundial acabou em 1945 deixando uma Europa destruída, milhares de mortos e alguns outros milhares de deficientes. Ludwig Guttmann, um médico (ironicamente) alemão usava o esporte como terapia para os veteranos com lesão na medula ou membros amputados, em um hospital inglês. Em 1948, decidiu organizar, dentro do hospital, uma competição desportiva para os pacientes. Participaram 16. Quatro anos depois, já eram 130 participantes. Os primeiros jogos para-olímpicos ocorreram em 1960, em Roma, logo após as Olimpíadas.

Em Pequim são aproximadamente 3.500 atletas, 20 modalidades. O Brasil figura no 7o lugar do quadro de medalhas, neste exato momento, com 8 de ouro, 6 de prata e 7 de bronze.

Acabo de assistir a final de 50m borboleta, classe S5. O brasileiro Daniel Dias, sem os dois ante-braços e parte de uma das pernas, ficou com a medalha de prata. Um atleta chinês sem os dois braços completos, ficou com a medalha de bronze. Me pergunto como ele bate na borda para finalizar a prova. Clodoaldo Silva – reclassificado na S5 – também nadou a final e terminou em 8o. Me pareceu ser o único atleta com todos os membros completos. Clodoaldo teve paralisia cerebral, e antes de Pequim, nadava na classe S4 – para atletas com maior dificuldade que os da S5.

Classificar as deficiências me parece a parte mais complicada de uma competição como essa. Nunca imaginei que uma pessoa sem braços pudesse nadar borboleta. Muito menos que fosse capaz de ser mais rápido que alguém com todos os membros. Só uma frase me vem a cabeça: ‘sem saber que era impossível, ele foi lá e fez’.

Assisti também a uma entrevisa com Antônio Tenório – nosso judoca deficiente visual e tetra-campeão – e descobri que 15% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. Não imaginava que era tanto.

É impressionante, na falta de outra descrição melhor. Vale a pena assistir, tanto quanto as Olimpíadas. Enquanto os veículos impressos e online praticamente ignoram o evento, o Sportv está cobrindo bem. Queria estar acompanhando mais.

Anúncios