Jantar durante evento de trabalho. Eu conversava com um argentino, dois chilenos e um mexicano – este último com a esposa. Surgiu um papo de festas de casamento, e parece que nesses três países é bastante comum os casórios serem celebrados até as 7 da manhã, num ciclo comer-bailar-comer-bailar-comer-bailar-comer-bailar que me pareceu bem mais extenso que o nosso. Eu, que adoro festas de casamento, comentei que queria ser convidada pra uma, e ouvi como resposta:

– Você iria adorar! Toda festa de casamento no México termina com uma sessão de música brasileira!

E não é que no Chile e na Argentina também. Todos começaram a cantarolar, e me pareceu tudo Jorge Ben Jor. Mas o ápice, aquele momento dos bêbados de gravata amarrada na testa, todos abraçados, dançando e cantando bem alto, com aquele copinho de cerveja na mão (imaginou a cena?) é embalado por…

Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Prá mim! Pra mim, pra mim…

Fico só imaginando a cena de vários argentinos, ou chilenos ou mexicanos gritando ‘Brasil, Brásiiil! ô ô ô ôooooo’ com os braços pra cima ensaiando uns passinhos de samba. Achei o máximo.

Claro que, dado meu entusiasmo, a conversa evoluiu para:
– E vocês? Ouvem música latina por aqui? Argentina? Mexicana? Chilena?

Seguido de vários nomes de cantores e bandas que nunca ouvi falar, a Shakira sempre me salva nessas horas em que, confesso, fico sem graça. Acho feio ignorarmos a musicalidade dos nossos vizinhos. Mas o que posso fazer, né? Só sei que é assim.

E toda essa conversa me fez pensar na origem da palavra ‘casamento’. Brasileiro casa e depois faz bodas de papel, de prata, de ouro. Já nossos amigos-vizinhos celebram a boda desde o início. Me parece bem mais simples assim, agora quero falar só boda. Acho que bateu uma síndrome de Marcelo-Marmelo-Martelo 🙂

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