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O cartaz – de design de Rodrigo Muller – foi dica da Dani.

A empresa onde trabalho está organizando o transporte de donativos dos demais escritórios para SC. A Schincariol, parece, está fazendo a mesma coisa. Informe-se na sua empresa. Ou, se me conhece, entre em contato que envio seus donativos pela minha empresa.

Não me lembro de já ter visto algo parecido com o que tenho visto em Santa Catarina: saques por todos os lados, toque de recolher, “rios” em rodavias que parecem não baixar nunca. E não pára de chover. Colabore você também.

Em menor escala e menos citado pela mídia, o ES também foi bastante castigado pelas chuvas – inclusive Vila Velha, onde mora a Dani. Enviarei donativos por ela e, se desejar, me avise também que tento enviar junto dos meus.

As prioridades para doação são:
– Roupas diversas (crianças, mulheres e homens);
– Roupas de cama;
– Calçados de todos os tamanhos
– Colchões / colchonetes;
– Fraldas descartáveis de todos os tamanhos para crianças;
– Alimentos não perecíveis (arroz, feijão, carne de sol, sardinha, atum, óleo, macarrão etc.);
– Leite e biscoito para as crianças;
– Leite em caixinha, leite em pó, mucilon, cremogema, creme de arroz, maisena
– Cestas básicas;
– Carnes em conserva;
– Galões de água
– Móveis
– Eletrodomésticos em bom estado (fogão, geladeira, etc)

Esses dias recebi um email de uma amiga querida, desses que circulam pela Internet, ninguém sabe ao certo a fonte, mas todo mundo lê. A mensagem desafiava seu leitor a realizar a seguinte simples tarefa:

Em posição sentada, retire o seu pé direito do chão e inicie movimentos circulares em sentido horário. Em seguida, levante sua mão direita e inicie movimentos circulares em sentido anti-horário. Mantenha-se assim por, ao menos, 1 seg.

Tente você também. Talvez seu cérebro seja 2.0. Meros mortais não executam essa tarefa.

Trabalho para um projeto em que meus clientes estão pela América Latina, grande parte da equipe está na Europa e poucos colegas de trabalho estão no Brasil. Falo português, espanhol e inglês diariamente. Eu gosto de idiomas, gosto de trabalhar assim, e me viro bem a maior parte do tempo.

No entanto, meu cérebro sempre me prega as mesmas peças. Se estou falando ao telefone em inglês, e alguém me envia uma mensagem em espanhol (por email ou messenger), eu mudo pro espanhol automaticamente. Normalmente só percebo quando o lado de lá reclama. O contrário também acontece: estou conversando com alguém pelo messenger em inglês; me liga alguém falando espanhol; resultado: desando a escrever em espanhol sem perceber. Outra: começo a escrever um email em espanhol; no texto do email, incluo alguma expressão ou palavra usualmente dita em inglês, como ‘happy hour’, mas fazendo sentido no contexto do trabalho; logo em seguida, abandono o espanhol e desando a escrever em inglês. Essa acontece menos, mas uma vez cometido o deslize, o email sai assim. Mesmo que eu o revise.

O que mais me intriga é como eu realmente faço isso sem perceber. Ok, talvez eu esteja querendo demais do meu pobre cérebrozinho. Mas bem que eu queria poder dar uma turbinada básica e fazer um upgrade para versão 2.0, multi-processada, 3GHz que me permita fazê-lo funcionar em 3 idiomas simultâneos. Ou 4 ou 5 :))

Ou talvez, quem sabe, eu devesse contentar-me realizando apenas uma tarefa por vez. Se estou ao telefone, não leio email. Se escrevo email, não atendo telefone. Talvez. Porque meu cérebro não é eletrônico, mas faz tudo, faz quase tudo, só que ele é mudo(*). Deixo o convite à reflexão 🙂

(*)Referência a música “Cérebro Eletrônico”, gravada por Marisa Monte. Isso porque ela me veio a mente enquanto escrevia o post, entre um email em inglês e um telefonema em espanhol. porque meu cérebro não fala 3 idiomas simultâneos, mas sabe gerenciar memórias desordenadas e associá-las a momentos específicos. meu cérebro trabalha muito. será que exigindo tanto assim do pobre orgão, estou estendendo ou encurtando sua vida útil? faço bem ou faço mal? e se, ao invés de refletir sobre isso, eu resolva dar 5 minutos diários de descanso total e absoluto ao meu cérebrozinho? são tantas opções, tantos possíveis caminhos. não consigo decidir. se me leu até aqui, por favor me ajude.

05 de dezembro estréia “Entre lençóis” nos cinemas, com Gianechinni e Paola Oliveira interpretando dois estranhos que se conhecem numa boite e acabam em um motel para o que seria uma noite de sexo casual, mas acabam se apaixonando no decorrer da noite. O filme todo se passa no quarto do motel, os dois nus o filme inteiro. A produção é brasileira, mas o filme é dirigido pelo colombiano Gustavo Nieto Roa.

Não lembro se foi em algum festival ou se foi em Caracas, mas lembro de ter visto um filme cujo título em português era “Na cama” (ok, tirei a dúvida, eu vi em algum festival do Rio) com exatamente o mesmo enredo. Imdb.com me comprovou: “Na cama” era sobre dois estranhos que se conhecem numa boite, decidem passar uma noite no motel para um sexo casual e se apaixonam. Eram Daniela e Bruno, um deles se casaria no dia seguinte e isso se revela ao longo do filme. Assim como Paula, que na versão brasileira revela a Roberto que a noite na boite era sua despedida de solteira.

Eu não amei o “Na cama”. Achei forçado, eles tentam reproduzir toda uma relação, seus ápices de paixão e crises em uma só noite. Acredito ser possível apaixonar-se em uma noite, mas convenhamos que uma noite até é suficiente para se chegar ao ápice da paixão, mas daí a crises e reconciliações é muito pouco tempo, não? Pelo que li da entrevista de Paola, a versão (já me autorizei a chamar de versão) brasileira, tem a mesma pretensão de refletir várias etapas de um relacionamento.

Eu não implicaria tanto se alguma entrevista que li sobre “Entre lençóis” mencionasse o “Na cama” como inspiração. Mas até agora, das que li, nenhuma fez a referência. Tô achando feio. E tenho dito.

Deise em pensamento:
quando acabar a obra, vou dedetizar minha casa. qual era mesmo aquela empresa que chamei quando me mudei?

E, como num passe de mágica, me peguei cantarolando: “2 5 6 9 6 9 6 9, insetisan. é um pouco mais caro. ah, mas é muuuuuuuito melhor!” Se eu tivesse um gravador na hora, gravava e colocava aqui pra vocês, mas irei poupá-los disso 🙂

Tá pra existir propaganda melhor que essa, que ouço desde criança: confessa ser mais caro mas mesmo assim eu você e todos nós ligamos. É uma lavagem cerebral. Dá até medo.

Outras excelentes propagandas me vêm a cabeça, mas confesso que estou até hoje esperando as tais coisas que – tum! – só a Philco faria por mim. Nunca comprei Philco. Por outro lado, ainda mantenho um cartão de crédito que quase nunca uso, só porque eles sabem que tem coisas que o dinheiro não compra mas para todas as outras existe o Mastercard. E eu quis muito uma Calói, ganhei uma Cecy, e não me deixou nenhum trauma. O tal do baleiro não foi do meu tempo, e cremogema ficou sendo a coisa mais gostosa desse mundo só na música mesmo. nunca gostei. e o melhor plano de saúde é viver. o segundo não é o meu. o que pago não chega a ser uma brastemp, mas dá pro gasto. compro gilette, modess e tiro xerox até hoje. dá mesmo medo, né não?

Seguindo a onda da Elisa, também ouso confessar: gosto da argentina, dos argentinos, torço pela argentina. pronto, falei e disse. me sinto mais leve agora.

Também confesso que nunca havia ouvido falar em Charly García até trabalhar em Caracas, conhecer um grande grupo de latinos, todos chocados-inconformados-incrédulos de minha ignorância. Vai explicar que não, brasileiro não ouve música latina que não sua própria. não, não celebramos o descobrimento da américa. sim, fazemos parte da américa de Colombo, mas temos data de descobrimento própria. é que os portugueses vieram pelo Atlântico depois, em 1500. não, não nos achamos melhores porque somos grandes, não temos complexo de megalomania ou superioridade (ok, também confesso que talvez um pouquinho).

Charly García é argentino, um ídolo do rock latino, num estilo meio Marilyn Manson, uma coisa assim meio gótica meio louca que faz uma música que soou bem estranha aos meus ouvidos já adultos. quizá me gustase se yo fuera más joven. no sé. ah, também confesso que não gosto de espanhol. hablo por obligación, pero no me gusta. hoje em dia, me gusta un poquito más, mas sigo sem entender porque espanhol se fala com língua presa. me dá ganas de decir: “solta esa lingua, carajo!” no meu melhor portuñol.

No mais, digo que não conhecia a música que cita a Elisa, e que diz ‘la alegria no es solo brasilera’ – música do tal Garcia. mas gostei. não é exclusividade brasileira mesmo, mas que bom que nuestros vecinos cucarachos nos vêem como um povo feliz. o que só me lembra o “êee ôoo vida de gado.. povo marcado êeee, povo feliz!”. que por sua vez me lembra meu momento ‘curral’ no último show do The Police no Maraca, quando alguém decidiu espontaneamente começar a cantar a música e de repente éramos centenas de pessoas cantando juntas, compartilhando aquele curral na saída mas sem perder o espírito carioca.

Me perdi no que dizia, e o que queria mesmo era confessar que me gusta la Argentina. y los argentinos de la selección de futbol, que sempre são guapos. e ficam ainda mais guapos com aquelas carinhas de perritos abandonados, tristinhos quando perdem pro meu Brasil-sil-sil, meu brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro, vou cantar-te nos meus versos…

A-D-O-R-O escrever assim, o que vem na cabeça. me sinto livre, me acho meio louca, fico feliz e pronta pra dormir. Boa noite. Ou Bo-a Noi-te, assim em sílabas, pronunciado por quatro adolescentes – uma por sílaba – para receber um pai que voltava diariamente de barca e que buscávamos de carro. Vixe, mais lembranças desordenadas na mente. Um pouco mais louca. boa noite de novo. fui.

Ouvi dizer que estou em um período favorável a desperdícios financeiros. Grande novidade. Diria que minha vida é um período único, sempre muito favorável a desperdícios do vil metal. Tenho espírito consumista, confesso. Adoro tudo que é belo, confesso. Tenho forte tendência a sempre amar o que é mais caro, confesso. E se eu amo eu compro, confesso. Se for pra comprar sem amar eu não compro, confesso.

Meanwhile, também é fato que em tempos de reforma do lar doce lar ando bem mais contida. Faz tempo que entrou a última peça de roupa nova no meu armário. Mais de dois meses. Um recorde. Todavia, também acabei me rendendo a um show pirotécnico na minha sala, móveis mais lindos e mais caros que o inicialmente previsto, gesso não previsto originalmente no banheiro e sala e alguns outros pequenos deslizes. O que importa é que ficará lindo no final.

De deslize em deslize, acabei comprando um exagero de pastilha vitrocolori branca, mudei de idéia no meio do caminho e das 10 caixas compradas, gastei 4, tenho 6 sobrando que descobri que a loja não troca. Estou vendendo. São aquelas pastilhas bem pequenininhas, uma graça para revestir banheiro ou cozinha naquele estilo parede-metade-pintada. Ou para fazer alguns detalhes em banheiro e cozinha. Eu vendo o metro quadrado a R$28, preço imbatível. E vendo partes da caixa, coisa que loja não faz. Gostou? Interessou? Comentários, emails, scraps de orkut, telefone, qualquer coisa. Vendo feliz.

O Jorge foi um cara que vi, conheci e gostei. Assim de cara. Já contei isso aqui: Jorge, o homem do galanteio, de Vila Velha, amigo da Dani e do Celo, poeta, cordelista, de sorriso sempre no rosto e muito carinho pela família Lima Sved.

Hoje é dia de saudar Jorge, desejar boa partida e deixá-lo sempre vivo na memória. Do jeito que ele gostava: com sorriso no rosto, cerveja na mão e boa prosa. E celebrando sua obra, relembrando poemas, recitando cordéis e garantindo a agitação na Roda de Prosa e Poesias. Ser eternizado por sua obra é coisa para poucos. Salve Jorge.

Sexta feira a noite. Deu vontade de comer um bom sushi com um bom sakê. Acabei indo a um restaurante bastante conhecido que eu mesma já fui algumas vezes, sempre gostei. Chegando lá, procuro o toilette para lavar as mãos, fazer o que tinha que fazer para sentir-me pronta e linda para disfrutar meu jantar. Encontro o banheiro do andar interditado e procuro um garçom:
– Por favor, aonde encontro outro banheiro já que este está interditado?
– Ih, senhora. Tá faltando água no Rio, acho que não temos banheiro.
(olho a minha volta, restaurante cheio. incrédula, peço uma segunda confirmação)
– Tem certeza disso? E se essas pessoas resolverem ir ao banheiro?
– Vou checar, senhora.

(minutos depois…)
– É, senhora. Infelizmente, só temos suprimento de água na cozinha. A senhora deve saber que está faltando água no Rio, e por isso nossos banheiros estão interditados.

Ainda incrédula, fui embora. Achei outro restaurante japonês, e sentei após assegurar-me que havia água no banheiro, indiferente a cara estranha que me fez a garçonete quando perguntei: “seus banheiros funcionam?”. E estou até agora pensando naquelas pobres pessoas que comiam e bebiam sem saber o risco que corriam.

É tão, mas tão absurdo um restaurante abrir sem banheiro funcionando, que uso meu blog para a denúncia: foi no Manekineko do Leblon, na Dias Ferreira. Aquele onde tudo é mais caro. Eu não volto.

Todo mundo comentou, menos eu. Então lá vai: Fim de era Bush, inicio de Barack Obama em meio a indicios de um mundo diferente em que americanos elegem o democrata negro, que ainda é Hussein e de origem muçulmana. Se não por mais nada, celebremos ao menos o desejo pelo novo. E foi bonito de ver, tinha algo ali de autêntico, verdadeiro e incomum nesse mundo de políticos, primeiras damas e desejo de poder.

A casa velha tá indo embora e surge um lar, finalmente. Já era mais que hora, e ando mais animada do que previa. Entre uma coisa e outra, exercito a paciência, descubro novidades diariamente (sabia que um misturador de água de um quarto de volta custa 4x mais que um comum e dura 3x mais tempo? melhor: você sabia que há um misturador no seu banheiro?), me assusto com o preço de coisas tão triviais como meros canos, deixo fortunas em lojas de material de construção e vou ficando simultaneamente mais pobre e mais feliz – até agora, na mesma proporção. Que continue assim.

Meu projeto vai acabando, junto com o ano de 2008, deixando vários marcos no caminho: muito aprendizado, muitos novos contatos, a experiência de fazer algo que realmente gostei, um inesperado orgulho do trabalho realizado no final e a expectativa de outros começos para 2009. E um friozinho na barriga: é ansiedade com um pouco de medo e uma pitada de dúvida. Mas é bom assim.

Teve também redescoberta de sensações adormecidas, a lembrança do que pode ser bom e vira ruim mas que ainda assim vale a pena. Um amor pelas duas cachorrinhas a quem chamo carinhosamente de minhas gatinhas só pra criar confusão e para marcar o inicio de uma era canina, ainda que a felina não tenha chegado ao fim. Nem todo começo precisa de um fim, ainda que as vezes um fim seja inevitável. Tipo o fim dos 30, que deram início aos 31 acompanhados do recomeço de dieta. E da retomada de um projeto que me anima mas dá medo mas vamos em frente, como diria um professor de fotografia.

Já nem lembro mais o que vim dizer aqui, mas me deu vontade de escrever, escrevi ainda não reli mas publico mesmo assim. Boa tarde.

Enquanto muito se discute sobre a “democratização” da fotografia – de câmera digital portátil a celular – o prêmio Porto Seguro – prestigiado concurso no país – acaba de premiar com R$18.000 na categoria Brasil, o fotógrafo Antonio Monteiro Gois, também conhecido como Tonho Ceará: um fotógrafo Lambe Lambe – o último – do Mercado São José, em Recife. Veja as fotos aqui.

Li que os jurados afirmam que não sabiam que eram fotos de lambe lambe quando selecionaram o trabalho, o que eu acho um pouco difícil de acreditar pela qualidade e fundo preto de todas as fotos. Mas isso não importa. Fato é que Tonho soube muito bem captar a alma, a essência do fotografado expressa sempre pelo olhar. Quem já tentou fotografar gente, sabe que isso pode até parecer tarefa fácil mas definitivamente não é.

Tenho certeza que vai ter gente reclamando, dizendo que haviam trabalhos melhores e de maior qualidade, que isso é coisa de saudosista. Eu gostei, achei merecido, adorei as fotos.

E Seu Tonho aproveitou seu momento de celebridade e parece que armou sua lambe lambe – confeccionada por ele – em São Paulo na saída de uma estação de metrô e foi um tal de gente fotografando a raridade com digital portátil, celular. Gente que talvez nunca tenha revelado um filme na vida, incapaz de entender como ele revela fotos dentro daquela caixa preta.

Eu confesso que adoro minha digital, mas conservo certo saudosismo de quando revelava foto. Havia um suspense e uma excitação na espera e a felicidade ao ver uma bela foto era, não maior, mas certamente diferente. Me deu vontade de fotografar mais, hobby que – confesso – anda meio de lado.

(informou Deise Lima)

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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