Seguindo a onda da Elisa, também ouso confessar: gosto da argentina, dos argentinos, torço pela argentina. pronto, falei e disse. me sinto mais leve agora.

Também confesso que nunca havia ouvido falar em Charly García até trabalhar em Caracas, conhecer um grande grupo de latinos, todos chocados-inconformados-incrédulos de minha ignorância. Vai explicar que não, brasileiro não ouve música latina que não sua própria. não, não celebramos o descobrimento da américa. sim, fazemos parte da américa de Colombo, mas temos data de descobrimento própria. é que os portugueses vieram pelo Atlântico depois, em 1500. não, não nos achamos melhores porque somos grandes, não temos complexo de megalomania ou superioridade (ok, também confesso que talvez um pouquinho).

Charly García é argentino, um ídolo do rock latino, num estilo meio Marilyn Manson, uma coisa assim meio gótica meio louca que faz uma música que soou bem estranha aos meus ouvidos já adultos. quizá me gustase se yo fuera más joven. no sé. ah, também confesso que não gosto de espanhol. hablo por obligación, pero no me gusta. hoje em dia, me gusta un poquito más, mas sigo sem entender porque espanhol se fala com língua presa. me dá ganas de decir: “solta esa lingua, carajo!” no meu melhor portuñol.

No mais, digo que não conhecia a música que cita a Elisa, e que diz ‘la alegria no es solo brasilera’ – música do tal Garcia. mas gostei. não é exclusividade brasileira mesmo, mas que bom que nuestros vecinos cucarachos nos vêem como um povo feliz. o que só me lembra o “êee ôoo vida de gado.. povo marcado êeee, povo feliz!”. que por sua vez me lembra meu momento ‘curral’ no último show do The Police no Maraca, quando alguém decidiu espontaneamente começar a cantar a música e de repente éramos centenas de pessoas cantando juntas, compartilhando aquele curral na saída mas sem perder o espírito carioca.

Me perdi no que dizia, e o que queria mesmo era confessar que me gusta la Argentina. y los argentinos de la selección de futbol, que sempre são guapos. e ficam ainda mais guapos com aquelas carinhas de perritos abandonados, tristinhos quando perdem pro meu Brasil-sil-sil, meu brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro, vou cantar-te nos meus versos…

A-D-O-R-O escrever assim, o que vem na cabeça. me sinto livre, me acho meio louca, fico feliz e pronta pra dormir. Boa noite. Ou Bo-a Noi-te, assim em sílabas, pronunciado por quatro adolescentes – uma por sílaba – para receber um pai que voltava diariamente de barca e que buscávamos de carro. Vixe, mais lembranças desordenadas na mente. Um pouco mais louca. boa noite de novo. fui.

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