Esses dias recebi um email de uma amiga querida, desses que circulam pela Internet, ninguém sabe ao certo a fonte, mas todo mundo lê. A mensagem desafiava seu leitor a realizar a seguinte simples tarefa:

Em posição sentada, retire o seu pé direito do chão e inicie movimentos circulares em sentido horário. Em seguida, levante sua mão direita e inicie movimentos circulares em sentido anti-horário. Mantenha-se assim por, ao menos, 1 seg.

Tente você também. Talvez seu cérebro seja 2.0. Meros mortais não executam essa tarefa.

Trabalho para um projeto em que meus clientes estão pela América Latina, grande parte da equipe está na Europa e poucos colegas de trabalho estão no Brasil. Falo português, espanhol e inglês diariamente. Eu gosto de idiomas, gosto de trabalhar assim, e me viro bem a maior parte do tempo.

No entanto, meu cérebro sempre me prega as mesmas peças. Se estou falando ao telefone em inglês, e alguém me envia uma mensagem em espanhol (por email ou messenger), eu mudo pro espanhol automaticamente. Normalmente só percebo quando o lado de lá reclama. O contrário também acontece: estou conversando com alguém pelo messenger em inglês; me liga alguém falando espanhol; resultado: desando a escrever em espanhol sem perceber. Outra: começo a escrever um email em espanhol; no texto do email, incluo alguma expressão ou palavra usualmente dita em inglês, como ‘happy hour’, mas fazendo sentido no contexto do trabalho; logo em seguida, abandono o espanhol e desando a escrever em inglês. Essa acontece menos, mas uma vez cometido o deslize, o email sai assim. Mesmo que eu o revise.

O que mais me intriga é como eu realmente faço isso sem perceber. Ok, talvez eu esteja querendo demais do meu pobre cérebrozinho. Mas bem que eu queria poder dar uma turbinada básica e fazer um upgrade para versão 2.0, multi-processada, 3GHz que me permita fazê-lo funcionar em 3 idiomas simultâneos. Ou 4 ou 5 :))

Ou talvez, quem sabe, eu devesse contentar-me realizando apenas uma tarefa por vez. Se estou ao telefone, não leio email. Se escrevo email, não atendo telefone. Talvez. Porque meu cérebro não é eletrônico, mas faz tudo, faz quase tudo, só que ele é mudo(*). Deixo o convite à reflexão 🙂

(*)Referência a música “Cérebro Eletrônico”, gravada por Marisa Monte. Isso porque ela me veio a mente enquanto escrevia o post, entre um email em inglês e um telefonema em espanhol. porque meu cérebro não fala 3 idiomas simultâneos, mas sabe gerenciar memórias desordenadas e associá-las a momentos específicos. meu cérebro trabalha muito. será que exigindo tanto assim do pobre orgão, estou estendendo ou encurtando sua vida útil? faço bem ou faço mal? e se, ao invés de refletir sobre isso, eu resolva dar 5 minutos diários de descanso total e absoluto ao meu cérebrozinho? são tantas opções, tantos possíveis caminhos. não consigo decidir. se me leu até aqui, por favor me ajude.

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