Contradições I
NY é a cidade do consumo, meu espírito é consumista mas o turismo de consumo de NY me incomoda.
NY não é cidade pra mim. É cosmopolita, super cultural, de tudo se acha, de tudo e todos se vê. Mas tudo se paga, tudo se compra, tudo abunda, tudo sobra, tudo ilumina, tudo parece um pouco demais.
Então porque passei o reveillon em Nova Iorque, imagino que você – caro leitor – esteja prestes a me perguntar.
Porque fui convidada, porque tinha milhas e porque não sei dizer não para viagens. Porque eu sou consumista.
No fim, eu me divirto. Sempre.

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O mundo é injusto I
Porque o clima seco é ótimo para meus cabelos e péssimo para minha pele e o clima úmido é divino para minha pele e péssimo para meus lindos cabelos em cachos? O mundo é injusto.

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Não, não é exagero.
– Where are you from?
– Brazil.
– Sorry?
– Brazil?
– Hã?
– Brazil, carnival, football.
– Oooohhhhhh… do you live in a city?
(tire suas próprias conclusões. será que – nesse contexto – Brasil virou uma cidade? Ou será que meu amigo interlocutor me imaginou morando numa selva? Ou será ainda que nunca ouviu falar em Brasil e simplesmente quis prosseguir o papo? Ou será – será mesmo? – que sabe bem onde está o Brasil, conhece o conceito de cidade mas gostaria de saber se moro no campo? Eu, no meu melhor estilo camponesa: maquiada, vestido lindo e sexy bebendo champagne em festa em NY?)

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Eu me amo, eu me adoro, não posso mais viver sem mim.
Odeio frio mas adoro meus chapéus e cachecóis, e mais ainda, adoro combiná-los e sobrepor roupas e casacos, deixar tudo colorido e me sentir super fashion, linda e cheia de charme. Hoje estou em um daqueles dias em que “me acho”.

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(pausa para o clima)

Acho que começei a entender a neve e sua magia.
Os flocos ficaram maiores dessa vez, e contra um fundo escuro, gostei de seus formatos e dos reflexos.
Não acho lindo, não me emociona profundamente como um sol se pondo na praia em dia quente de céu azul, mas talvez um dia eu chegue lá. Seguirei experimentando.

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O mundo é injusto II.

38C. É meu tamanho americano para sutiã. Descobri.
Quase chorei de emoção quando – pela primeira vez – experimentei um sutiã lindo e ele ficou grande em mim.
Difícil explicar o prazer que senti em pedir um número menor. Acho que nasci no país errado.
Ainda que, pela quantidade de ‘hola, que tal?’, decididamente nasci no hemisfério certo do continente.
Porque eu não nasci toda latina ou toda americana? Minha vida seria mais fácil, certamente.

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Latinos.
A América Latina é formada por todos os países americanos de língua latina. Ou seja, do México para baixo – e não somente o México, como pensava o interlocutor – salvo um ou outro pequeno país caribenho. A América Latina não é uma delimitação geográfica, ao contrário da América do Sul, do Norte, a Central. Qualquer povo que fale um idioma oriundo do latim, pode também ser chamado de latino. Incluem-se italianos, espanhóis, franceses.

Latino também é um cantor de música brasileira de qualidade questionável, mas isso não vem ao caso. E essa parte da explicação eu deixei de fora do meu discurso sobre a latinidade. Não tive culpa, foi o novaiorquino quem perguntou. E quem pergunta quer saber.

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