Um novaiorquino desavisado se apresentou em um bar, e além de ter me chamado de swagger – palavra que eu desconhecia e após longa explicação dele entendi ser algo como ‘metida’ – me fez a fatídica pergunta: “como você se vê em 10 anos?” (e isso é uma cantada ou uma entrevista de emprego??)

Eu, que mal tenho planos para 2009, resolvi estabelecer metas de suma importância para o próximo final de semana e as compartilho com vocês queridos leitores:
1. Comprar um despertador novo, barulhento, fashion e cuja função “soneca” se repita indefinidamente;
2. Comprar um ventilador fashion estilo torre, que eu possa usar no quarto na hora de dormir e na sala na hora de receber;
3. Buscar um mini-refrigerador emprestado na casa de uma amiga porque, ao que tudo indica, o conserto da minha geladeira irá demorar.

Cumprida a listinha, tenho certeza que meus próximos dias de verão serão bem mais felizes, agradáveis e sem culpa por viver chegando atrasada. Prometo contar o resultado de meu planejamento na próxima segunda. Me aguardem.

A historinha do início, contei como mera curiosidade, mas como até agora não tinha entendido bem o que swagger significa, recorri ao dicionário. Eis o significado:
“[n] a proud stiff pompous gait
[adj] (British informal) very chic; “groovy clothes”
[v] act in an arrogant, overly self-assured, or conceited manner
[v] discourage or frighten with threats or a domineering manner; intimidate
[v] to walk with a lofty proud gait, often in an attempt to impress others; “He strut around like a rooster in a hen house.”

Prefiro acreditar que ele era meio britânico e se referiu apenas ao meu estilo ‘very chic’ de roupas ‘groovy’ – afinal eu usava meu chapéu e cachecol fashions – mas algo me diz que não exatamente. E eu sigo me impressionando com a diferença que costuma existir em como me vejo e como sou percebida. Há que se aprender algo com isso mas sinceramente eu já cansei. Fato é que anos se passam, eu viajo milhas e milhas e milhas, sento num bar, peço um vinho, um sujeito me olha e diz exatamente o que eu ouvi de inúmeros brasileiros por uma vida. Repito o que costumo explicar a quem pergunta: não sou empinada, tenho hiper lordose – que inclusive me causa muitas dores; não sou arrogante, sou simplesmente auto-confiante – o que costuma ser algo bom mas que, parece, as vezes soa como arrogância. E que não se deve confiar tanto assim em primeiras impressões. A verdade? Tento ignorar, mas até hoje me irrita ser chamada de metida. E swagger é a vovozinha dele.

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