(e o ventilador também não)

não tenho onde guardar o sal que preciso pra conservar a carne que quero comer amanhã e depois. preciso de uma cozinha maior, de um pé direito mais alto e de muito mais janelas pra ventilar a casa. preciso também que derrubem alguns prédios a minha volta pro vento – que mora ali do lado, na praia – chegar aqui. aliás, a praia também tem peixe e se eu tivesse uma vara, era só limpar o mar e eu podia pescar o peixe de cada dia. aí não precisava de tanto sal, e comia peixe fresco. ficaria faltando só uma horta melhor, porque essa aqui perto de casa tem estado cheia, filas enormes, verdura feia e fruta verde que eles plantam naquelas caixas e corredores enquanto eu vou trabalhar. se bem que, sem os prédios ao meu lado, eu teria espaço para uma horta própria, aberta 24h e sem fila. se eu não trabalhasse, cuidaria muito bem dessa minha hortinha. e aí minha dieta seria a base de peixe, verduras e frutas. muita proteína e alimentos saudáveis, pouco carboidrato porque pão não brota da terra e do trigo até o pão é um longo e demorado caminho. lá na horta aqui perto de casa vende pão também, mas duvido que se eu tivesse minha hortinha aberta 24h e sem fila, aquela horta fajuta lá sobreviveria. aí, eu também faria o pão, que demora e quando ficasse pronto seria um pedacinho pra cada um. todo mundo seria magrinho, feliz, fresquinho e saudável.

a vida pode ser mais simples. inauguro a campanha por um mundo sem refrigeradores ou ventiladores. porque eu não quero estar só nessa luta. junte-se a mim ou as máquinas ainda dominarão o mundo, a humanidade e você também.

Refrigerador
(a foto é de Deise Lima – que domina a câmera e não é dominada)

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