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II.1: A amiga mais francesa confirmou: franceses usam a palavra ‘reveillon’ com frequência no mesmo contexto que nós brasileiros.
II.2: Se ‘reveillon’ vem de ‘reveiller’ – verbo francês – então é, muito provavelmente, palavra de origem latina. Ao contrário de chopp – que essa não tem nada de latina.
II.3: Rápida pesquisa informal me confirmou: argentinos, chilenos, italianos, franceses, mexicanos não tem o costume de vestir branco no ano novo. será que é mesmo só no Brasil? preciso perguntar a alguns africanos… por lá, acho que encontro.

as vezes, entro em modo de checklist. liga não, daqui a pouco passa.

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Contradições I
NY é a cidade do consumo, meu espírito é consumista mas o turismo de consumo de NY me incomoda.
NY não é cidade pra mim. É cosmopolita, super cultural, de tudo se acha, de tudo e todos se vê. Mas tudo se paga, tudo se compra, tudo abunda, tudo sobra, tudo ilumina, tudo parece um pouco demais.
Então porque passei o reveillon em Nova Iorque, imagino que você – caro leitor – esteja prestes a me perguntar.
Porque fui convidada, porque tinha milhas e porque não sei dizer não para viagens. Porque eu sou consumista.
No fim, eu me divirto. Sempre.

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O mundo é injusto I
Porque o clima seco é ótimo para meus cabelos e péssimo para minha pele e o clima úmido é divino para minha pele e péssimo para meus lindos cabelos em cachos? O mundo é injusto.

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Não, não é exagero.
– Where are you from?
– Brazil.
– Sorry?
– Brazil?
– Hã?
– Brazil, carnival, football.
– Oooohhhhhh… do you live in a city?
(tire suas próprias conclusões. será que – nesse contexto – Brasil virou uma cidade? Ou será que meu amigo interlocutor me imaginou morando numa selva? Ou será ainda que nunca ouviu falar em Brasil e simplesmente quis prosseguir o papo? Ou será – será mesmo? – que sabe bem onde está o Brasil, conhece o conceito de cidade mas gostaria de saber se moro no campo? Eu, no meu melhor estilo camponesa: maquiada, vestido lindo e sexy bebendo champagne em festa em NY?)

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Eu me amo, eu me adoro, não posso mais viver sem mim.
Odeio frio mas adoro meus chapéus e cachecóis, e mais ainda, adoro combiná-los e sobrepor roupas e casacos, deixar tudo colorido e me sentir super fashion, linda e cheia de charme. Hoje estou em um daqueles dias em que “me acho”.

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(pausa para o clima)

Acho que começei a entender a neve e sua magia.
Os flocos ficaram maiores dessa vez, e contra um fundo escuro, gostei de seus formatos e dos reflexos.
Não acho lindo, não me emociona profundamente como um sol se pondo na praia em dia quente de céu azul, mas talvez um dia eu chegue lá. Seguirei experimentando.

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O mundo é injusto II.

38C. É meu tamanho americano para sutiã. Descobri.
Quase chorei de emoção quando – pela primeira vez – experimentei um sutiã lindo e ele ficou grande em mim.
Difícil explicar o prazer que senti em pedir um número menor. Acho que nasci no país errado.
Ainda que, pela quantidade de ‘hola, que tal?’, decididamente nasci no hemisfério certo do continente.
Porque eu não nasci toda latina ou toda americana? Minha vida seria mais fácil, certamente.

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Latinos.
A América Latina é formada por todos os países americanos de língua latina. Ou seja, do México para baixo – e não somente o México, como pensava o interlocutor – salvo um ou outro pequeno país caribenho. A América Latina não é uma delimitação geográfica, ao contrário da América do Sul, do Norte, a Central. Qualquer povo que fale um idioma oriundo do latim, pode também ser chamado de latino. Incluem-se italianos, espanhóis, franceses.

Latino também é um cantor de música brasileira de qualidade questionável, mas isso não vem ao caso. E essa parte da explicação eu deixei de fora do meu discurso sobre a latinidade. Não tive culpa, foi o novaiorquino quem perguntou. E quem pergunta quer saber.

Faz tempo que me pergunto de onde vem a palavra “reveillon“. Muito usada no Brasil, ainda não encontrei no mundo quem também a use. Não que eu conheça gente no mundo todo, longe disso. Mas ‘reveillon‘ me parece ser como ‘chopp‘: não é brasileira, não tem origem latina, não é muito usada no mundo mas é muito comum no Brasil.

Wikipedia me esclareceu uma coisa: reveillon vem de réveiller, verbo francês que significa despertar. Ah tá. Mas porque só nós falamos isso? E desde quando veio essa influência francesa? Será que na França também falam? Não sei dizer. Recorrerei a amiga mais francesa que tenho e depois conto pra vocês.

Chopp é uma medida de um sistema métrico usado na Alemanha antigamente, media algo relativo a cerveja. Experimente pedir um chopp mundo afora, e te desafio a encontrar alguém que te entenda. Só não consegui até hoje descobrir porque diabos a palavra ficou popular no Brasil.

Informou, ainda que pela metade, Deise Lima.

Você já se deu conta que só brasileiro tem essa coisa de usar branco no reveillon? Coisas de Iemanjá, influência africana. Talvez seja assim também pela África, quem sabe em outros países de América Latina, mas nos EUA definitivamente não é. Nunca havia atentado pra isso. Apesar de que eu mesma nunca me visto de branco, estranhei a ausência dele. Fica tudo com cara de uma festa como qualquer outra.

Faz anos que eu resmungo que o reveillon é uma festa super estimada. Que não gosto da obrigação de celebrar, é só mais uma noite, ora bolas. Eis que em Nova Iorque, entre prum queens, cheerleaders, quarterbacks e um ou outro ser simpático, eu estranhei a ausência de fogos, de comida típica, de supertições, de Roberto Carlos, de uvas, de pular ondas, de ‘adeus ano velho, feliz ano novo’. E do branco. Contradições. E eu adoro ser contraditória. E controversa.

Costumo ser tomada por um espírito nacionalista que não sei de onde vem, sempre que viajo. Não é que eu não ame o Brasil, mas não gosto de ser aquela ultra-nacionalista cega, tipo assim, uma average american. Pois em terras de Tio Sam, não há NADA que me irrite mais do que alguém olhando pra mim e disparando um ‘Hola, que tal?’ ou um ‘Siñora’ mal educado como fez um guarda no aeroporto. Quem foi que disse que eu falo espanhol?? E porque sempre implicam comigo em aeroporto? Tamanha implicância só me deixa com mais orgulho dos meus ares de latina. E tenho dito. Y siñor, yo no hablo español.

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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