Chuto – de leve, só para dar uma desarrumada – o jornal na porta do vizinho barulhento da frente. Não seguro a porta do elevador pra quem nunca foi gentil comigo. Ou praqueles caras pra quem tudo é motivo de cantada barata. De madrugada, mesmo com a chave na mão, bato na porta do prédio até o segurança que nunca é gentil acordar e abrir a porta pra mim. Aquele amigo que não me ligou no meu aniversário recebe ligação minha apenas no dia seguinte ao seu próprio. Levo a sério essa coisa dos parabéns. Cobro cada centavo de troco do taxista que não fez menção alguma de me dar meus míseros centavos (as vezes, poucos reais) de troco voluntariamente. Se são centavos, e reparo que o taxista tem a intenção de me entregar, sorrio simpática e digo: “pode ficar com o troco”. Subo da forma mais devagar que sou capaz no ônibus do motorista que parou a metros do ponto. Não atendo ligação telefônica quando não estou a fim. É comum nas manhãs de sábado. Pode ser o papa ou ligar 15 vezes. Deixo pra caixa postal. Quanto maior a insistência, maior minha rebeldia solitária. Escolho bebida e prato caro do cardápio e, na hora da conta, não faço nem menção de tocar na carteira pro mis-en-céne do “vamos dividir?” durante o jantar com aquele cara que não está tão merecedor assim de minha confiança. Ele que agradeça por estar tendo o privilégio de pagar minha conta. Ouço música alta de manhã e torço pro vizinho barulhento da frente – o do jornal – estar dormindo.

* tudo isso me lembra o dia em que minha amiga Malu – no auge de sua rebeldia adolescente de 14 anos – declarou: “a partir de agora, vou ser rebelde. vou usar chinelos na rua!” 🙂 Malu querida, você realmente nunca levou jeito pra menina rebelde. pelo visto, nem eu
** por vezes, faço o blog de confessionário. não sei o que me dá. só sei que gosto.

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