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(minhas vovozinhas fizeram tanto sucesso lá com a dona do Complete, que resolvi publicar aqui.)

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usa roupas floridas, gosta de verde, usa muito laquê no cabelo, adora um chopp e faz questão de fazer as unhas toda semana. minha avó é muito vaidosa. libriana como eu, dividimos muitas velinhas. minha avó tem cara de brava, mas conquista pelo estômago. autora da receita da melhor farofa do mundo. minha avó adora ver novela e almoçar com filho, nora e netas. minha avó teve filho cedo, encontrou o amor de sua vida depois do primeiro filho já nascido. minha avó já não lembra mais que sou, mas mora na minha memória. e, vez ou outra, conto a ela quem ela é.
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declamava poesias. Minha avó tinha o espírito andarilho, escolhia um ônibus e um destino na rodoviária, e ia. Minha avó ouvia vozes. Tinha amigos em Senador Camará e falava muito. Minha avó dizia que se passarinhos pegassem fios do meu cabelo no chão, fariam um ninho e eu teria enxaquecas terríveis. Minha avó ensinava português a crianças. Minha avó tentava aprender inglês para ensinar as crianças, e chamava ‘tomorrow’ de ‘tômôrrou’. Minha avó tinha um irmão chamado Affonso que, apesar de tio-avô, foi meu único e melhor avô. Vovô Affonso se dizia mais velho que minha avó que, por sua vez, se dizia mais velha que Vovô Affonso. Nunca soubemos a verdade, os dois se registraram adultos. Minha avó escolheu seu sobrenome: Félix, que eu adoraria ter herdado. Minha avó uma vez me disse que sou prima em quinto grau de D. Pedro I. Minha avó também me contou que sua avó era índia, e é por isso que sou morena. Minha avó tinha o espírito livre, e ver-se presa em uma cama a entristeceu muitíssimo. Ela sempre disse que o mundo se acabaria em um dia de muita festa e carnaval, em 1992, quando todo mundo menos esperasse. Minha avó morreu em 31 de dezembro de 1992, quando ninguém mais esperava. Minha avó morreu de tristeza porque viveu uma vida de muita alegria.
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e a sua vovozinha?

A repetência é reta.
Curvas se insinuam.
Sinuosidade.
Me insinuo.
Derrapo na curva.
Saio pela tangente.
Ou sai pela tangente?
Reta sou eu ou a estrada?
Me curvo?
Insinuo. Insinuo. Insinuo.
Não me curvo.
Ereta, persigo curvas.
Retas me oprimem.
Luta. Seria isso a vida?
Todo ciclo se repete. Grapete.

(enquanto me pergunto porque sou tão matemática, penso que adoraria escrever melhor. ando escrevendo mais. cartas, papéis, anotações, desenhos, cores. comprei uma caixa de lápis de cor. e ando achando esse formato digital limitante. porque ando escrevendo em curvas.)

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