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(Hoje, 19 de agosto, é o Dia Mundial da Fotografia! Celebre também esta data embarcando na campanha do Foto na Parede“Uma fotografia que me inspira” e publique em seu blog, facebook, flickr ou afins uma fotografia que te inspire e conte ao mundo o porquê)

Crianças em Adicora - Venezuela (2005). Fotografias de Deise Lima

Crianças em Adicora - Venezuela. Fotografias de Deise Lima

Adícora é um pequeno vilarejo no estado de Coro, na Venezuela. Tem praia com vento diariamente,
o que atrai muitos windsurfistas, incluindo meu amigo Andrei a quem devo a gratidão por ter me
apresentado esse lugarzinho meio mágico. O chão é de terra, as crianças descalças, os pescadores por todo o lado,
as casas são grandes e povoadas, os carros são velhos, o descanso é na rede, a diversão é no mar e nos quintais.

Eu passava tardes inteiras caminhando pelas ruelas, câmera em punho, animação de quem começava a se aventurar na fotografia, o olhar sendo apurado e a cada clique uma surpresa. Me encantavam esses casarões, todos com um pátio interno e muitas famílias co-habitando. Encontrei essas crianças brincando na porta, e os 3 cliques foram tão naturais, tão rápidos, sem muito pensar, foi um momento de interação meio mágico que – para minha alegria ao revelar o filme (sim, filme!) – resultou nas primeiras fotos em que fiquei plenamente satisfeita como fotógrafa. Foi exatamente o que eu queria, exatamente o que eu estava vendo: a expressão das crianças, a luz do pátio interno, a porta vermelha envelhecida, as cores dos brinquedos, da cadeira.

Essas crianças – irmãs e primos – nunca haviam sido fotografados juntos. Na casa, não havia porta-retrato. Adicione a minha satisfação com a foto, a alegria de re-encontrá-los e presenteá-los com suas fotos em porta-retratos.

Adícora era um lugar mágico. Tenho saudades. E saudades de quem eu era quando estava lá.
Tudo isso me inspira.

19 de agosto - Dia Mundial da Fotografia No dia 19 de agosto, Dia Mundial da Fotografia, junte-se a nós. Vamos falar sobre fotografia. Publique em seu blog, flickr, orkut, facebook e afins uma fotografia marcante para você e conte porque a foto te inspira.
Copie e cole este código HTML no seu post, para participar da campanha: <a href=”http://www.fotonaparede.com.br/blog”&gt; <img src=”http://i31.tinypic.com/ege0t5.png&#8221; alt=”19 de Agosto – Dia Mundial da Fotografia” border=”0″/> <a/><br />
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Tivemos duas Brasílias: uma ‘creme’ que mal me lembro, e uma vinho. Elas se chamavam Gertrudes – eu devo ter herdado do meu pai essa mania de dar nome pra tudo. Depois veio o Gol que ficou por muitos anos. Eu já era bem grandinha quando o Gol virou Fiesta, já nem morava mais com eles quando o Fiesta virou Siena, e hoje em dia é um Ecosport muito fashion. Minha família nunca teve um Fusca, logo não sei explicar porque simpatizo tanto com eles. Não deve ser à toa que o carro sempre foi um sucesso.

Posso ser suspeita pra falar, mas ando apaixonada pelos Fuscas do Fábio Codevilla. Emoldurei esse aí debaixo, amei o resultado, depois posto aqui. E se você também adora um Fusca, tem mais alguns por lá, a partir de R$89.
o besouro verde

Deu trabalho mas valeu a pena.
Visite, conheça, compre. Pendure um pedaço de arte na sua parede.
Chega de paredes vazias!!!!

www.fotonaparede.com.br
Vale a pena conhecer. Vai por mim.

orlando-e-isadora1
Nunca vi Orlando ou Isadora sorrindo. É que a felicidade os invade somente as escuras, quanto a porta corre.
Orlando é funcionário, Isadora a bailarina.
Orlando é Pierrot, Isadora a colombina. E do Arlequim já não se sabe.
Orlando é lobo, Isadora falcão. Amaldiçoados por Áquila.
Essa casa dos amores impossíveis.

fotonaparede_logo_01b1-300x212Me lembro de um jantar em São Paulo, naquele restaurante de massa que eu adorava no Iguatemi (ou seria Morumbi Shopping?), eu e Dani divagando sobre a idéia de virarmos empresárias aliando dois temas que conhecemos e gostamos: fotografia e internet. Foi naquela noite que surgiu o nome: “Foto na Parede”. Eu não vou a São Paulo – felizmente – faz tempo, então já não sei mais ao certo quando foi. Mas ficou a idéia, que foi tomando forma aos poucos, passou por um período de incubação, ganhou mesada e virou empresa, virou projeto, virou quase um filho 🙂 Virou também trabalho duro. E animação e ansiedade e paixão e mais trabalho duro 🙂

Foto na Parede será uma loja online para venda de fotografias e ilustrações impressas, em parceria com diversos artistas. Queremos trazer mais arte pro seu dia a dia. Estaremos funcionando a partir do final de março. Gostou da idéia? Acesse e deixe seu email conosco que te avisamos do lançamento.

Aviso também que o momento atual é de seleção de imagens pro nosso catálogo, e se você é fotógrafo ou ilustrador – hobbista ou profissional – com um trabalho legal, participe! Para conhecer mais do nosso negócio e descobrir como participar da seleção e comercializar fotos conosco, acesse www.fotonaparede.com.br/selecao. Para o catálogo de lançamento, estamos aceitando imagens para seleção até 13-fev.

A vida anda uma correria e na barriga tem um friozinho gostoso, e estamos amando tudo isso. E o Foto na Parede será um sucesso!

(vamos aos créditos: nosso lindo logotipo, design e usabilidade são de Dani Lima. claro. a loja está sendo (bem) desenvolvida pela Indexa. E importante: a idéia é conjunta e o negócio também mas o nome saiu da cabecinha de Deise Lima. eu tinha que ajudar com alguma coisa, né? :))

“Uma das minhas lojas favoritas em Paris fica no Marais, e, ao contrário do que se possa imaginar, não tem nada a ver com moda, não vende nenhum item de comida, e muito menos perfume – para listar três coisas pelas quais a capital francesa é famosa. A loja chama-se Photographie (Fotografia, em português), é de um cara (aparentemente) cinqüentão – magro e, como bom francês, fumante inveterado (já o peguei fumando mesmo dentro da loja, próximo da hora de fechar…) -, chamado Fabien Breuvart. Fica na Rue Charlot, quase esquina da Rue Bretagne.”
“… São fotos anônimas, esquecidas em gavetas antigas, álbuns abandonados, ou simplesmente jogadas no lixo. Monsieur Breuvart faz um inestimável garimpo por feirinhas de antiguidades (e, imagino, alguns depósitos de entulho) para resgatar essas obras-primas alternativas. Não custam caro (as mais baratas saem por menos de R$ 20,00), mas têm um valor inestimável para fãs do gênero (como eu)…”
(trechos tirados do blog do Zeca Camargo. para ler na íntegra, clique aqui)

Me deu vontade de ir a Paris só para visitar essa loja. A idéia é genial. Me pergunto se não há algo parecido por aqui. Zeca ainda dá a dica dos livros “Anonymous: enigmatic images from unknow photographers” e “Other pictures: anonymous photographs from the Thomas Walther collection” – variações sobre o mesmo tema.

Inspirada pelo post de Zeca e pela ode as fotos ‘descartadas’, resolvi rever meu próprio arquivo fotográfico. Costumo fotografar bastante sempre que viajo. Por princípio, nunca apago fotos. Sempre acho que uma foto considerada ruim hoje pode me parecer bela em um futuro próximo ou distante.

Editar fotos dá um trabalhão, mas em cerca de 1h de trabalho consegui rever uma pequeníssima parte do meu acervo (acervo me soa como pretensão, mas tudo bem :)), com foco no último ano e meio. Encontrei coisas que gostei muito, por motivos diversos. A foto não muda nunca, mas o meu olhar muda o tempo todo.

A edição deu origem a galeria “Descartadas”. Sinta-se convidado a ver, comentar e entender porque a foto descartada de ontem é a que agrada meus olhos hoje.
* as fotos foram postadas exatamente como foram tiradas, sem nenhum tipo de correção digital. a idéia é valorizar a ‘imperfeição’ que me fez descartá-las, e portanto nada de photoshop.
** assim que encontrar mais tempo, continuarei o processo de seleção. gostei da brincadeira. farei dela um live project.


Eles dizem que é o maior do mundo. Eu não duvido. De 08 a 31 de agosto, em Edimburgo. Ainda dá tempo de ir, eu recomendo. Leve seu guarda-chuva.

É tanta coisa pra escolher que dá até dor de cabeça. São vários eventos dentro do evento. A Underbelly é uma enorme estrutura na forma de uma vaca roxa, onde acontecem diversos shows. O Fringe é um evento com várias pequenas salas – algumas em estrutura móvel, outras dentro de teatros – apresentando peças de teatro de 10:30 a 00:00. Exposições espalhadas pela cidade. Grandes cias convidadas, inclusive uma cia de dança israelense, a Batsheva Dance Company, que sempre quis ver. Não dei sorte, se apresentam em outro fim de semana. A Royal Mile fica fechada para o trânsito, e artistas divulgam suas peças ou fazem suas performances livremente. Várias praças da cidade tem programação de artistas de rua, com seus números variados – circenses, dramáticos, dançantes, conceituais, sátiras, críticas e protestos. Tem artista do mundo todo.

Na minha curtíssima estadia, vi performances variadas nas ruas e assisti a três peças: dois excelentes dramas e uma comédia sem graça. O primeiro drama foi um monólogo sobre um imigrante iraniano vivendo em londres. O segundo, sobre a escravidão sexual de jovens do leste europeu, realmente me comoveu. A comédia era sobre um gaiato que fazia uma viagem de bicicleta da Índia até Pequim. Estava tão chatinha que saí no meio, e acabei fazendo ‘parte’ do espetáculo. Saí mais rápido ainda. Teve também parte de um espetáculo de dança performática, chamado “Alumnium”, que prometia ser algo como uma mistura de Stomp e Mummenchanz , mas tive que sair logo no início para não perder o vôo – aquele que me fez esperar 15h.

Fim de tarde e noite, os pubs lotados de gente – entre artistas, curiosos, espectadores e escoceses. Um grupo de adolescentes americanos, apresentando um número de mímica, foi deportado após serem flagrados ingerindo bebida alcóolica. Fiz amigos em um pub e experimentei o ‘ritual’ da noite deles: de pub em pub, até acabar a noite. Estranho, mas se estou na chuva é pra me molhar. Literalmente. Foram 7 pubs. E os escoceses, bem mais simpáticos que seus meio-irmãos ingleses, já estavam desinteressados da olímpiada: seu único atleta já havia sido eliminado.

Edimburgo é uma graça, medieval e super bem conservada. Tudo se faz a pé. Não bebi uísque – não por falta de opção. Não fui ver o monstro do lago Ness. Não visitei o castelo. Vi uns dois homens de saia na rua. Vi um noivo de saia e tocando gaita de fole. Entendi cerca de metade de tudo que me disseram, sotaque complicado. O garçom do primeiro pub que parei me fez trocar todas as minhas notas de libras inglesas por libras escocesas. Como vocês podem ver, não sou só eu quem implica com os ingleses 🙂

Quem não tem boas lembranças de festas juninas?
Bandeirinhas coloridas, vestidos de babados e bolinhas para as meninas, maria chiquinha e laços, gravatas e bigodinhos pros meninos, quadrilha, olha a chuva! (é mentira!), estalinhos, maçã do amor, salsichão, pipoca, pescaria, toca do rato, boca do palhaço, bochechas cor de rosa com sardas de mentirinha.
Primeiro, foram as do colégio onde grande parte da graça era ensaiar a quadrilha e mostrar orgulhosa pro pai e mãe no grande dia.
Depois vieram as do clube, bem menos tradicionais, eu e minhas amigas abrindo mão do ‘mico’ dos laços e maria chiquinha, o negócio era a desculpa pra paquerar, ver os meninos. A festa junina do clube era o evento do ano e do bairro.
Depois elas ficaram mais escassas, e eu passei a ter saudades do salsichão e da pescaria. Mês de junho virou mês de caçar alguma festa em qualquer rua pra ir, só pra satisfazer meus dois desejos. Mas ainda achava essa coisa de se vestir de caipira um tanto cafoninha. Tola.
Atualmente, adoro ir pra ver as crianças se divertindo, ganhando as prendas das brincadeiras, as meninas vaidosas de vestidinhos e os meninos orgulhosos de bigodinho. E morro de inveja e vontade de colocar umas tranças, fazer umas pintinhas no rosto e dançar em um belo vestido rendado. Que mico que nada, uma delícia 🙂
E as festas mais tradicionais, excelentes para remeter a boas lembranças da infância costumam ser as de escolas. Ou de um orfanato, como foi hoje a do Educandário Romão Duarte, no Flamengo – das fotos aí de cima. O Educandário atende cerca de 60 crianças, e ajudas e doações são bem vindas o ano todo. Fica a dica.

** Sessão ‘Você sabia?’
As festas juninas tem origem portuguesa, e celebram santos católicos do mês de junho: Santo Antônio (13), São Pedro (29), São Paulo (29), São Marçal (30) além do próprio São João (29). No Brasil, tornaram-se muito tradicionais no nordeste, em agradecimento as chuvas nas lavouras normalmente no mês de junho. A época é favorável para a colheita do milho, daí as comidinhas típicas: canjica, pamonha, broa de milho e até mesmo pipoca.

Falun Dafa (ou Falun Gong) é uma técnica chinesa para elevação de mente e corpo, baseada em três princípios fundamentais: verdade, benevolência e tolerância. Pratica-se através de cinco séries de exercícios, corporais e de meditação, e promete trazer paz, serenidade e uma maior conexão com a verdade do universo.
Em viagem a Londres, vi um grupo de pessoas numa aparente meditação em uma praça, envoltos por cartazes. Me aproximei, conheci o Falun Dafa – até então desconhecido pra mim – ao mesmo tempo em que descobri que seus milhões de praticantes chineses vem sendo cruelmente perseguidos desde 1999 – data em que o Partido Comunista percebeu que haviam mais praticantes de falun dafa que membros do partido. Os praticantes viraram o grupo reprimido ‘da vez’.

**
Dachau
As duas fotos ao lado foram tiradas em Dachau – primeiro campo de concentração construído pelo governo nazista, na cidade homônima, próxima a Munique. “Arbeit macht frei” significa algo como “Liberdade pelo trabalho”.
Todos os outros campos foram criados com base no sistema que foi desenvolvido em Dachau, construído em 1933, logo após a chegada de Hitler ao poder: um lugar criado para para libertar pelo trabalho grupos carentes da suposta dignidade nazista: criminosos, criminosos políticos, pessoas com deficiências, homossexuais, testemunhas de jeová, e os anti-sociais: qualquer um julgado indigno mas que não se encaixasse nas 5 categorias anteriores. No ingresso ao campo, o preso era destituído de todos os seus bens – inclusive de seu nome – ganhava um número, um uniforme e um triângulo cuja cor indicava seu grupo. Durante a guerra, os judeus passaram a ser identificados duplamente: em um dos cinco grupos, e com mais um triângulo amarelo, invertido, formando a estrela de Davi.
Durante 12 anos, milhares foram forçados a trabalhar nas mais diversas indústrias – de construções de estradas a fabricação de armas – sempre retornando ao campo ou pernoitando nos inúmeros sub-campos próximos. Não existem registros de alguém que tenha sido efetivamente libertado por esse mesmo portão – mesmo antes da guerra.
Estima-se que cerca de 30.000 pessoas morreram em Dachau, de desnutrição, doenças, suicídio ou punição. Dachau tem uma câmara de gás que, aparentemente, nunca foi utilizada. Os campos de extermínio surgiram somente durante a guerra.

***
A perseguição aos praticantes de Falun Dafa (ou a qualquer outro grupo julgado reacionário) normalmente inclui o envio a campos de trabalhos forçados, com a mesma justificativa de liberdade pelo trabalho. Ou a um campo de re-educação, que não parece muito diferente.
Em Londres, o protesto incluía várias fotos de pessoas liberadas destes campos – que normalmente morrem logo em seguida por desnutrição ou consequência de maus tratos. De 1999 até hoje, 3.000 mortes foram registradas além de cerca de 60.000 casos de tortura.

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A segunda foto, a direita, é de um monumento no memorial de Dachau, com os dizeres “Nunca mais” em diversos idiomas.
Nunca mais?

***
Enquanto eu lia os cartazes na praça em Londres – com vontade de fotografar, mas sem bateria na câmara – uma moça chinesa me abordou e perguntou se eu já havia ouvido falar de Falun Dafa ou da perseguição. Respondi não para as duas perguntas, ela perguntou de onde eu era e simplesmente me pediu: não precisa assinar nada, só conte isso para o máximo de pessoas que puder. Foi então que eu prometi escrever sobre o assunto no blog. E assinei o documento, por vontade própria.

***
Faz alguns anos, eu li um livro chamado “As boas mulheres da China”, escrito pela jornalista chinesa Xinran Hue. Xinran teve, durante a década de 90, um programa de rádio na China em que recebia ligações de mulheres chinesas e oferecia seus conselhos. O livro reúne algumas dessas histórias e só foi publicado depois que Xinran mudou-se para Londres, onde vive até hoje.
Dentre as histórias, um misto de orgulho da cultura chinesa com amargura e tristeza pelos inúmeros episódios de repressão e direito a liberdade. Lembro a que mais me marcou: a de uma mãe, que cometeu suicídio por enforcamento, depois que soube que sua segunda filha adolescente estava grávida após ter sido forçada a frequentar reuniões do partido comunista, assim como sua irmã mais velha, onde eram repetidamente estupradas. A gravidez para uma mulher não casada é considerada absolutamente imoral, e ela seria certamente banida da sociedade. A mãe não aguentou ver a mesma história, pela segunda vez. Quem ligou para Xinran foi a segunda irmã, que acabou perdendo a criança.
A maior parte das histórias acontece nas cidades rurais, longe do crescimento econômico do país que abriga quase 1\3 da população mundial, deflagrando uma desigualdade e incoerência de difícil compreensão pra alguém aqui, do outro lado do mundo.

**
A moça que me abordou em Londres também não vive mais na China. Perguntei se não tinha saudades ou vontade de voltar, e ela não titubeou em responder que não. E ainda acrescentou: sou mais livre para praticar minha cultura aqui do que lá.

**
Eu não entendo de política e nem tanto assim de história. Mas não consigo imaginar NADA que justifique tamanha opressão a liberdade de um indivíduo.
Finalmente cumpri com a minha promessa. E diante disso tudo, mesmo amando olímpiadas, sinto vontade de boicotar as de Beijing ao mesmo tempo em que realmente acredito que o esporte tem o poder de fazer frente a tanta opressão, e é capaz de unir pessoas e nações. Ainda não consegui decidir se sou a favor do boicote ou não.

* Mais sobre Falun Dafa aqui.

Olhares
(foto de Deise Lima)
Dora e Wan se conheceram ainda bem jovens, como prova aquela foto antiga na casa da Daniele. Ele já careca-charmoso, ela toda exuberante e os dois se olhando com ares de apaixonados. Dora diz que namoraram 4 meses e, cheia daquele orgulho meio inexplicável feminino, me confidenciou que foi ela quem desmanchou o namoro. “Mas nunca deixamos de nos falar, eu ligava pra ele e conversávamos muito” – emendou.

Ela já não lembra mais quantos anos depois, Wan a reencontrou. Reataram o namoro. Casaram numa igrejinha do Centro da Cidade, e foram se aventurar numa inabitada e longínqua Ilha, que era de um Governador e já tinha sido local de veraneio de muita gente importante. Wan voltou a trabalhar logo após o casamento, deixando Dora em férias a base de biscoitos numa casa sem fogão e vizinha apenas de uma grande floresta de eucaliptos. O amor é mesmo lindo.

E foram surgindo algumas construções e sinais de civilização por perto, veio o supermercado da baleia, a primeira filha, a segunda, muitos passeios em família, do Arpoador a colônias de férias de São Sebastião, veio o clube, os gatos, a adolescência das filhas e alguns cabelos brancos, a reprodução descontrolada dos gatos, a festa de 15 anos, a aposentadoria de Wan e os dois se viram aprendendo a conviver dias inteiros juntos numa mesma casa. Então foram juntos ao clube, agora sozinhos, porque as filhas já metidas a adultas frequentavam faculdade, festas e bares, faziam a casa de hotel e descobriam o mundo.

A essa altura, os eucaliptos já não existiam e a ilha, já bem habitada, não era nem mais tão longínqua assim. As filhas saíram de casa, os dois (re)conquistaram uma casa só pra eles que dividiram com os gatos, e deram para muitos almoços a dois e experiências gastronômicas. Reafirmando diariamente seu amor e companheirismo, em meio a muitas briguinhas, birras e implicâncias. É preciso sempre manter a emoção da coisa toda.

Essa poderia ser só mais uma história de amor, mas não é. É a que me permite escrever aqui para vocês e para uma irmã querida que sempre me lê. Se nunca tivesse acontecido, talvez eu fosse uma Deise que não dança, não fotografa, não escreve e não lê, sem carinho especial pela ilha, sem saber o quanto é bom ter uma irmã e sem dar o valor devido a tudo que tem. Talvez nunca tivesse ouvido música clássica, feito tanto Picolé, assistido a Sidnéia do teatro da TVE ou gostado tanto de matemática. Pode ser que nem gostasse de farofa ou que adorasse carne moída. Sei não, mas acho que seria uma Deise mais chata e sem graça. Ou talvez não fosse nada.

Talvez eles (ainda) não saibam, mas ser fruto de um amor de 34 anos é motivo de muito orgulho. Se nunca disse, digo agora. 13 de junho, 1 dia depois dos namorados, é dia do meu pai e da minha mãe. Esses dois aí da foto, se olhando como naquela foto antiga da casa da Dani, pegos no flagra pelo espelho por essa filha aqui que faz de sua escrita um singelo presente de aniversário de casamento. Espero que gostem 🙂

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E 13 de junho parece mesmo ser o dia do amor.
Hoje, Valentina com 2 meses de idade foi finalmente registrada em cartório por mãe e pai. Parece simples, mas não é. Como Valentina, existem cerca de 50 no mundo. Ela é filha de Gabriela – portadora de síndrome de Down – e de Fábio, portador de um atraso mental. O direito de pai foi inicialmente negado a Fábio, considerado incapaz de declarar ser Valentina sua filha. Mamãe Gabriela apaixonada, apoiada por sua família, se negou a registrar Valentina sozinha, e com toda razão: ela é fruto de amor de pai e mãe. Foi preciso ir a justiça, mas valeu a pena: “Agora eu sou pai. Até ontem eu não era” – declarou Fábio feliz com Valentina no colo.
Valentina é saudável e não é portadora de síndrome de down. Enquanto os homens com Down são estéreis, as mulheres não o são e tem 85% de chances de engravidar de uma criança sem Down.
Como disse minha amiga Simone, vale a pena ler essa história tão bonitinha.
E viva o amor.

**
And last but not least: 13 de junho, por muitos anos, foi também dia de celebrar o aniversário daquela que sem ela não existiria amor de Dora e Wan e por isso não haveria Deise ou Daniele ou gatos da família Lima. Dia de Vovó Deolinda – a que declamava poesias, irmã daquele que me escrevia cartas e charadas, acho que foi daí que surgiu esse meu recém-redescoberto gosto pela escrita. Fica aqui meu agradecimento póstumo 🙂

De tudo um pouco:

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O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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