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“Infinito Particular”, voz de Marisa Monte, composta pela tríade Marisa, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown

Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

(há anos, assisti ao show que abria com essa música. escuro, a banda se revelando aos poucos, e essa voz de Marisa ressoando. de arrepiar. a música não me sai da cabeça, nem a letra e nem essa cena.)

Na última folha do meu caderno escrevi
Uma doce canção para uma menina de Brasil
Lembrando como foi a última vez em que a vi
Pensando em que graça que ela tem ao sorrir

No rio, na praia
No céu, um sol
Meu olho que brilha
e Deise que riu

Entrando na rua uma pessoa perguntou
Como fazer para a Copacabana chegar
No fim do caminho, você vai encontrar
A mais linda garota que já está por dançar

No Rio, na praia
No céu, um sol
Meu olho que brilha
e Deise que riu

(entre no clima brejeiro, coloque em ritmo de um bom e singelo sambinha, e desfrute da minha canção. inesperada e composta por um querido que fala português faz poucos dias e ontem cantou pra mim. amei. me emocionei. agradeci e agradeço de novo e de novo e de novo. merece muitos beijos quem me escreve uma música.)

Não era botafoguense o taxista que me levava ao cinema. Em frente ao clube do Botafogo, hino sendo entoado, muitos apitos, homens descamisados dançavam com cerveja na mão, uma pequena multidão numa euforia bem contida pela polícia. O trânsito fluía. Costumeiramente, taxistas são minha fonte de informação sobre o mundo futebolístico. Pergunto se foi Taça Guanabara – ganhou do Flamengo,né? Descubro que a estrela solitária é campeã carioca, com Taça do Rio e Guanabara acumuladas, o time passou direto pro título. Costumeiramente, me arrependo de fazer perguntas futebolísticas. O assunto nunca se encerra na resposta. “Botafogo não tem torcida”, disse o homem de meia idade. “Como não? Tá ali atrás a torcida do Botafogo!”, replico eu. “Me desculpe, a senhora é botafoguense?”, treplica um receoso motorista, já em tom de desculpa pela possível ofensa. “Não, não sou.”, e limito minha resposta. Melhor não dizer que ignoro futebol, isso já aprendi. “Botafoguense não sabe comemorar. Parece que não tem entusiasmo, não tem fibra, não tem paixão, sei lá. Se fosse flamengo ou vasco, parava a cidade celebrando 2 títulos em sequência.” Me encerro no meu silêncio que pensava: “ah, sim. você quer dizer que botafoguense é civilizado.”

Mais 5 minutos de silêncio, uns 10 na fila mais uns 5 para pegar a pipoca, e eu estava confortável na poltrona roxa prestes a voltar a adolescência assistindo “As melhores coisas do mundo”, de Laís Bodansky. Excelente filme, para adultos e – acredito – também para adolescentes. Fiel ao universo exagerado, sofrido, prolífero em novas emoções, carente de vocábulos e repleto de interjeições coordenando orações de jovens que – sem saber o que há por vir – querem virar adultos. Aaahf. Bate uma nostalgia com a certeza de que – se a vida ficou mais complicada – eu também passei a sofrer menos. A adolescência é a mais agitada e infeliz das fases. E plenamente feliz, concordo com o personagem-narrador, só fui mesmo na infância. E essa lembrança é o que me faz curtir tão intensamente meus lampejos de felicidade pura, entremeados pela vida. O paradoxo é que sou feliz assim.

Recomendo. Veja, divirta-se. É filme pra rir, chorar, se emocionar, se identificar com tantas situações. E o melhor diálogo do filme, me desculpe, mas vou te contar aqui:
– Cara, tô te dizendo que meu pai é viado! tem coisa pior?
– Pô, e daí que seu pai é viado, o meu é antropólogo, e aí?

No táxi de volta pra casa, os botafoguenses seguiam lá. Melhor coisa do mundo deve ser passar direto – sem prova final ou recuperação – pra campeão carioca. Pra quem coloca futebol lá no topo da lista, ponto comum na listinha de botafoguenses, flamenguistas, vascaínos, tricolores e do meu taxista. Melhor coisa do mundo pra mim é perceber o quanto gosto da minha companhia. Sozinha no cinema, emoções preenchem meu peito, pensamentos invadem a cabeça, passeio na livraria, olho o céu estrelado e gosto de mim. Lampejo de felicidade.

temporada 2010, começo a acompanhar.
quero que ganhe uma mulher. tenho duas preferidas. adoro um rock, adoro um grito, adoro gente diferente.
minhas eleitas: Siobhan Magnus e Crystal Bowersox.

Siobhan 100% rock ‘n roll:

E em versão suave, romântica, etérea.

Crystal Bowersox, vibe Janis Joplin:

E adorei o “come together” na semana de Lennon & Mac Cartney. Crystal rocks.

E o Casey James é lindo de morrer, jealous guy.

Não, eu não beijei o Ney 🙂
Mas quero ir ao show. Até o próximo domingo 17.
Parece que este show está mais sério, com figurinos mais tradicionais e menos dança. Uma pena porque eu queria mesmo era ver o Ney todo pintado, de tanga, dançando como parece que era o show anterior “Inclassificáveis”. Mas acho que o tradicionalismo e pouca dança de Ney não devem ir assim tão longe, e acho que vou gostar de Beijo Bandido mesmo assim.

Agora o convite: quem quer ir comigo?
Não sei porque meus amigos não gostam de Ney Matogrosso.
Se você quiser, deixe comentário, mande email, ligue, pronuncie-se.

Beijos a todos.

Acometida por um incontrolável desejo de ler, obedeço.

Escolhas argentinas: Borges e Cortázar.

O primeiro sempre quis, me remete a aulas de física quântica (!), e faço minha estréia. O segundo chegou pelo Foto na Parede, e me trouxe curiosidade.

Recomendo os dois. E transcrevo um pequeno texto do Borges. Se você gostar desse, pronto: você irá gostar de Borges, como eu.

as unhas.

Docéis meias os afagam de dia e sapatos de couro bem pregado os protegem, mas os dedos dos meus pés não querem saber. Nada mais lhes interessa além de emitir unhas: lâminas córneas, semitransparentes e elásticas, para defender-se; de quem? Brutos e desconfiados como eles só, não deixam nem por um segundo de preparar esse tênue arsenal. Renegam o universo e o êxtase para continuar elaborando infindavelmente pontas inúteis, que aparam e tornam a aparar as bruscas tesouradas da Solingen. Em noventa dias crepusculares de resguardo pré-natal estabeleceram essa única indústria. Quando eu estiver recolhido no La Recoleta, em uma casa cinzenta guarnecida de flores secas e talismãs, continuarão seu obstinado trabalho, até que os modere a decomposição. Eles, e a barba em meu rosto.

Jorge Luís Borges.

convite_digital

Será a primeira de muitas, mas isso não é desculpa para você não aparecer, viu?
No Espaço Figura, na Lapa. Próximo fim de semana, sabado 17 de 16 as 22h, domingo 18 de 16 as 20h.
Todos os quadros estarão a venda. Eu repito: você não pode perder!

Nunca tinha ouvido Sting cantando “Ne me quitte pas” até poucos dias atrás. Amei e não consigo parar de ouvir.

Sempre fui fã da música e de Edith Piaf. Tenho lembranças dos LPs de minha mãe.

A versão de Edith Piaf é linda, mas o Sting… deu uma cara diferente, e tem uma carga de emoção tão grande. Deu até vontade de falar francês, idioma que não domino mas que meu laptop fala. Queria saber fazer biquinho pra falar “je ne vais plus pleurer”, o som é tão gostoso.

E isso me lembrou “Piaf” – o filme – que se você não viu, veja. Quando penso em “Piaf”, me vem imediatamente a cabeça a última cena com “Non, Je ne regrette rien”. Não poderia haver música mais perfeita para encerrar o filme, aliás difícil achar música mais perfeita para Edith Piaf.

E no meu francês capenga e mambembe das minhas memórias de professora Cleonice-dos-quadris-largos, eu sempre soube:
Ne me quitte pas = Não me abandone.
Non, je ne regrette rien = Não, não me arrependo de nada.
(super aula de francês, você não poderia perder. também sei falar – e escrever – abajour, sutien, pas-des-deaux, plié, menage, menage a trois. sei também que menage é limpeza, e portanto não faço idéia de onde veio o menage a tróis. também pergunto “qu’est-ce que c’est” e respondo “c’est une table”. só porque eu sei. e praticamente acabou-se meu francês.)

E deixo vocês com Sting:

E para exercitar seu francês, tente entender a letra:
Ne me quitte pas, il faut oublier
Tout peut s’oublier qui s’enfuit déjà
Oublier le temps des malentendus
Et le temps perdu à savoir comment
Oublier ces heures qui tuaient parfois
A coups de pourquoi le coeur du bonheur
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Moi, je t’offrirai des perles de pluie
Venues de pays où il ne pleut pas
Je creuserai la terre, jusqu’ après ma mort
Pour couvrir ton corps d’or et de lumière
Je ferai un domaine où l’amour sera roi
Où l’amour sera loi, où tu seras reine
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Ne me quitte pas, je t’inventerai
Des mots insensés que tu comprendras
Je te parlerai de ces amants là
Qui ont vu deux fois leurs coeurs s’embraser
Je te raconterai l’histoire de ce roi
Mort de n’avoir pas pu te rencontrer
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

On a vu souvent rejaillir le feuDe l’ancien volcan
qu’on croyait trop vieux
Il est parait-il des terres brûlées
Donnant plus de blé qu’un meilleur avril
Et quand vient le soir pour qu’un ciel flamboie
Le rouge et le noir ne s’épousent-ils pas?
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Ne me quitte pas je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler, je me cacherai là
A te regarder danser et sourire
Et à t’écouter chanter et puis rireLaisse-moi
devenir l’ombre de ton ombre
L’ombre de ta main, l’ombre de ton chien
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Miriam Leitão tirou férias e foi ao teatro. Escolheu “Viver sem tempos mortos”, como eu.
Juro que pensei em abordar vários dos pontos abordados por ela, e no final acabei resumindo tanto mas tanto que deu nessa coisa simplória aí embaixo. Portanto, se Sartre, Simone de Beauvoir, a estranha relação dos dois, existencialismo, “O segundo sexo”, Fernanda Montenegro e\ou teatro te interessam, leiam a coluna da Miriam aqui.

Lembro da Fernanda Montenegro na capa da Bravo, edição de alguns meses atrás, falando sobre essa peça que havia acabado de estreiar no subúrbio: São João de Meriti, se não me engano. Lembro que achei interessante. Quis falar sobre o olhar de Fernanda que é algo hipnotizador. Sobre a beleza do teatro, e o poder de alguém que é capaz de sentar numa cadeira, falar por 1h e prender cada segundo da minha atenção. Pensei em comentar o relacionamento de Sartre e Simone destacando o que sempre achei interessante perceber: eles eram contra o casamento, por não acreditar na viabilidade de uma promessa para uma vida – já que o ‘eu’ que promete hoje pode já não existir no ‘eu’ de amanhã – mas prometeram companheirismo um ao outro e, esta promessa mantiveram até o fim. Quis falar sobre esse relacionamento tão estranho dos dois. Sobre “O segundo sexo” que não li, e sobre a afirmação de Simone: “Ninguém nasce mulher” e sobre minha curiosidade para entender melhor porque ela mudou de idéia sobre o segundo sexo mais pro fim da vida – fato citado na peça. Quis, mas não escrevi. Ainda bem que a Miriam escreveu 🙂

ps: Na minha sessão, não teve bate papo com Fernanda. Uma pena.

Vá assistir “Viver sem tempos mortos”, com Fernanda Montenegro citando trechos de livros e cartas de Simone Du Beauvoir. No teatro do Fashion Mall (RJ) até meados de outubro.

Quero envelhecer como Fernanda Montenegro.
Quero viver sem tempos mortos.
Quero ler os livros de Simone Du Beauvoir – que já devia ter lido mas, não sei porque, acabo sempre adiando.
Quero um dia brincar de iluminação de teatro.
Quero mais cultura de volta a minha vida.
E também quero que construam teatros mais espaçosos. Teatro recém inaugurado sem espaço para minhas curtas pernas, não dá.

Buenas noches.

De tudo um pouco:

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O Jardim em fotos

Gato do rabo curto.

Vitórias Régias.

Vendedor de igarapé

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Por onde viajo…

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