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Eu gosto dele, torço sempre, fiquei desapontada em Pequim, mas defendi a competência do moço até o fim. E aí está: Diego Hypólito é ouro no solo na grande final do Mundial de Ginástica Artística.

Diego é simplesmente o primeiro ginasta brasileiro a obter resultados significativos. Enquanto as meninas – após muito esforço – já tem equipe, técnico, centro de treinamento, salário e alguma infra-estrutura, a ginástica masculina ainda caminha a passos de tartaruga no Brasil. E isso só dá ainda mais mérito pro cara.

As Olímpiadas exercem um enorme fascínio nas pessoas mundo afora, todos os holofotes se voltam para o evento. Gente que nunca assite esporte, participa, torce, xinga, celebra, se desaponta. E depois volta pra vida sem esportes. Pra todo mundo que chamou o Diego de amarelão, eu faço minha parte aqui e ajudo a divulgar: quase ninguém mais está olhando, mas ele é ouro – o melhor ginasta do mundo no solo. E tenho dito :))

A natação é um esporte completo, sempre ouvi dizer. E clinicamente recomendado pra tudo: problemas ortopédicos, respiratórios, de coordenação motora, para reabilitação. Dizem que se você colocar um bebê recém-nascido na água, ele nada. Que nem cachorro, e até mesmo os gatos – apesar de fugirem da água. Nadar é democrático, é para todos e é também cada um por si. O mais solitário dos esportes. Não tem idade certa pra começar. E é como andar de bicicleta: se aprende uma vez para nunca mais esquecer.

Foram as para-olímpiadas que me fizeram refletir sobre a vocação democrática desse esporte que eu nunca gostei. Preste atenção: o basquete é para os cadeirantes, mas é indispensável ter os dois braços perfeitos. Corre quem é cego e quem tem deficiência motora, mas é fundamental ter as pernas. Na corrida para cadeirantes, é fundamental ter os dois braços. O futebol de cinco é só para os deficientes visuais, a bocha incluiu os que tem grave deficiência motora mas exclui os cegos. Outras modalidades do atletismo exigem, ao menos, um par de membros perfeitos.

Enquanto isso, nas piscinas, estão os cegos, os amputados, os que têm praticamente qualquer tipo de deficiência motora. Uma nadadora brasileira, que volta com medalha de bronze, sofre de uma doença degenerativa incurável e, no momento, tem os movimentos completos apenas do braço direito. Parece também não importar a quantidade de membros. Tem nadador sem os braços, sem as pernas, sem os dois ante-braços e parte de uma das pernas. Parece não ter limite. Todos nadam, tem categoria pra todo mundo. É, definitivamente, um esporte completo.

Hoje foi o último dia de competições no Cubo d’água. Fechamos com uma medalha de prata no revezamento 4x50m medley. Daniel Dias, nosso Phelps brasileiro, terminou com nada menos que 9 medalhas. E foram tantas outras medalhas brasileiras, pena que não sei citá-las todas aqui.

E eu, que passei boa parte da vida reclamando por ser obrigada a nadar, proclamo: viva a natação. Entre braçadas e pernadas, tem espaço pra todo mundo. Nade você também.

* breve update para-olímpico:
– temos uma dupla de tenis de mesa para cadeirantes na final; foi uma supresa bem-vinda.
– a semi-final do basquete para cadeirantes foi canadá x eua. deu canadá no final, de virada com duas prorrogações, num jogo super emocionante. a final é canadá x austrália. promete ser um jogaço, e é hoje a noite.
– Lucas Prado é um corredor brasileiro que entregou a medalha ao seu guia no lugar mais alto do pódio. foi emocionante. atletas-guia deviam ganhar medalha também.
– estamos indo bem no futebol de cinco, para cegos. vale dizer que o goleiro não tem nenhuma deficiência. e parece que estamos no caminho da final.
– estamos no 11o lugar no quadro de medalhas.

A segunda guerra mundial acabou em 1945 deixando uma Europa destruída, milhares de mortos e alguns outros milhares de deficientes. Ludwig Guttmann, um médico (ironicamente) alemão usava o esporte como terapia para os veteranos com lesão na medula ou membros amputados, em um hospital inglês. Em 1948, decidiu organizar, dentro do hospital, uma competição desportiva para os pacientes. Participaram 16. Quatro anos depois, já eram 130 participantes. Os primeiros jogos para-olímpicos ocorreram em 1960, em Roma, logo após as Olimpíadas.

Em Pequim são aproximadamente 3.500 atletas, 20 modalidades. O Brasil figura no 7o lugar do quadro de medalhas, neste exato momento, com 8 de ouro, 6 de prata e 7 de bronze.

Acabo de assistir a final de 50m borboleta, classe S5. O brasileiro Daniel Dias, sem os dois ante-braços e parte de uma das pernas, ficou com a medalha de prata. Um atleta chinês sem os dois braços completos, ficou com a medalha de bronze. Me pergunto como ele bate na borda para finalizar a prova. Clodoaldo Silva – reclassificado na S5 – também nadou a final e terminou em 8o. Me pareceu ser o único atleta com todos os membros completos. Clodoaldo teve paralisia cerebral, e antes de Pequim, nadava na classe S4 – para atletas com maior dificuldade que os da S5.

Classificar as deficiências me parece a parte mais complicada de uma competição como essa. Nunca imaginei que uma pessoa sem braços pudesse nadar borboleta. Muito menos que fosse capaz de ser mais rápido que alguém com todos os membros. Só uma frase me vem a cabeça: ‘sem saber que era impossível, ele foi lá e fez’.

Assisti também a uma entrevisa com Antônio Tenório – nosso judoca deficiente visual e tetra-campeão – e descobri que 15% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. Não imaginava que era tanto.

É impressionante, na falta de outra descrição melhor. Vale a pena assistir, tanto quanto as Olimpíadas. Enquanto os veículos impressos e online praticamente ignoram o evento, o Sportv está cobrindo bem. Queria estar acompanhando mais.

Em 1958, o alemão Armin Hary tornou-se o homem mais veloz do mundo com uma supreendente marca de 10seg em 100m.
50 anos depois, Usain Bolt (mesmo arrogante) bateu seu próprio recorde mundial correndo os mesmos 100m em 9s69.
Alguém arrisca a marca de 2058?

Em 1976, a romena Nadia Comaneci foi a primeira atleta a executar um mortal na trave. E ainda conseguiu o feito da primeira nota 10 (máxima na época) da ginástica. Nos quatro aparelhos.
Nota máxima, atualmente, é praticamente impossível – tamanha a busca pela perfeição. E um mortal é elemento obrigatório na trave. Não só um mortal, mas dois seguidos.

Yelena Isinbayeva pulou 5.05m no salto com vara, quebrando seu próprio recorde mais uma vez. É a única mulher do mundo a saltar mais de 5m, enquanto os homens já chegam a saltar mais de 6m. Ela começou sua jornada de recordes na casa dos 4.80m em 2004. Dizem que ela ‘esconde’ o jogo e quebra seu recorde de 1 em 1cm pelos prêmios. Vendo a emoção dela ao quebrar mais um recorde e seu choro no pódio, fica um pouco mais difícil de acreditar.

Fica a pergunta: Tem limite o corpo ou a ambição humanas?
Será que chegará o dia em que os recordes deixarão de cair?

É. Talvez seja isso o que me fascina nesse mundo do Olimpo.

Menti de novo.
A melhor frase olímpica foi do César Cielo que, logo após conquistar o bronze nos 100m livre, declarou:
‘Agora vou ganhar os 50m livre.’

Dito e feito. Exemplo de vontade e determinação.
Diego Hypólito foi criticado por seu excesso de confiança de no. 1 do mundo no solo. O dito e não-feito virou arrogância. Será que tem diferença mesmo?

Já se falou tanto sobre o tema que até eu já estou cansada. Então faço só um breve comentário.
Errar e amarelar são coisas bem distintas. Diego errou. Talvez tenha caído na armadilha de relaxar no fim da série, quando o mais difícil já tinha passado com perfeição. Esporte é assim. Tem erros. Um perde e outro ganha. Nada é garantido. Cielo não caiu em armadilha nenhuma. Treinou e se preparou, arrisco dizer tanto quanto Diego, mas foi mais eficiente. Foi lá e fez. Mereceu. Tão simples quanto isso. Teve um quê a mais que garantiu sua entrada no Olimpo, ainda simplesmente sonhada por Diego. Em comum, os dois têm o espírito de campeão: determinado, esforçado e confiante. Muito confiante. Não tem nada a ver com arrogância.

Já o Usain Bolt… Sacrificou alguns centésimos de seu recorde olímpico pra bater no peito mostrando o orgulho de homem mais veloz do mundo. Sei não. Pra mim, tem um quê de arrogância nisso. O homem é um fenômeno, mas eu prefiro um Olimpo mais romântico: repleto de deuses orgulhosos de suas conquistas e cientes de sua supremacia, mas humildes até o fim. Até o fim da prova, pelo menos.

Ciclone no oceano, terremoto em terras brasilis, catamarã que quase vira na Baía de Guanabara, ondas gigantes, mudanças climáticas, aquecimento global. O mundo não é o mais o mesmo e eu só consigo pensar em uma coisa:

‘Esse mar não vai baixar nunca mais não?????’


Mar estava gigante hoje. De novo.
Acho que fui contaminada de vez. Tomada por um espírito de surfista, mas meu espírito é maroleiro.
Alguém faz o favor de baixar o mar? Quero minhas marolas de volta!

Dia lindo, céu azul, mar esverdeado super clarinho, ondas perfeitas. Solzinho de início da manhã, muitas ondas, contemplação do mar, cachorros correndo na praia, biscoito Globo. Muito bom começar o dia assim.

14h sentada em um avião não faz sentido.
Londres com seus dias cinzentos, frio de 3 graus e chuva não está fazendo o menor sentido nesse momento.
Que nem engraxate em busca de clientela no calçadão de Copacabana em dia de sol. Nenhum sentido.

Sábado último, internacional dia 08 de março da mulher, essa aqui fez sua primeira aula de surf.
Domingo último, pós-dia da mulher, essa aqui pegou suas primeiras ondas. Duas. Em pé até a beirinha. Uhu.

Novas ondas em breve.
Aloha.

* Não foi registrado aqui outro fato importante: 24-fev foi o dia em que, após pegar os primeiros jacarés da minha vida, decidi enfrentar o medo do mar e suas ondas e fazer aula de surf.

Ontem, a caminho do cinema, eu ouvia gritos e via aglomerações em frente a televisões de boteco. Foi aí que desconfiei que havia alguma partida importante. Saindo do cinema, a cidade parecia toda vermelha e preta. “Flamengo ganhou alguma coisa” – me veio a cabeça. Foi minha professora de jazz, hoje pela manhã, quem me contou: 2×1 – Flamengo campeão da Taça Guanabara, e muita confusão, técnico do Botafogo pedindo as contas, acusações de juíz ladrão.

Chego em casa, checo meu email. 87 mensagens não lidas, em apenas 10h, quando minha média tem sido de uns 10/dia. Preciso dizer o assunto?

É nessas horas que me sinto menos brasileira. Definitivamente, uma ovelha negra. Nem rubro-negra, nem alvinegra, muito talvez negra com cruz de malta. É que quando eu era criança me senti forçada a escolher um time. Brasileiro não tem a opção de não ter time de futebol. Minha mãe era vascaína, meu pai América, a decisão ficou fácil e desde então sou vascaína, sempre que forçada a responder.

Não é socialmente aceitável odiar futebol num país como o Brasil. É quase como não gostar de cerveja, outra grande heresia. Mas essa fica para outro post.

Está menos frio que eu imaginava.
Esquiar foi um pouco mais fácil do que eu pensava.
Cair na neve é uma delícia.
Assistir a um belíssimo por do sol, entre brancas montanhas, de bikini dentro da piscina é possível – e eu nunca imaginara.
A pior parte de esquiar é vestir os kilos de roupa, além da bota que mal me deixa andar. E carregar os skis.
Meu joelho resiste bem, com a ajuda de uma super-mega-joelheira biônica.
O único instrutor gato não é meu. E até que, contrariando todas as expectativas, fiquei gatinha em trajes de ski que em nada valorizam as curvas 🙂

O chocolate quente é ruim.
Muito vinho, mas achei que encontraria mais vinhos bons e mais baratos.
Comida boa em alguns restaurantes, muita comida gordurosa e ruinzinha em vários outros.
Chocolaterias a cada esquina. Chocolate bom.
O serviço, de fato, é dos piores que já vi. Mas em viagem, tudo é diversão 🙂

Bariloche é uma graça. O lago Nahuel Huape, enorme, rodeado de montanhas de cume branquinho é lindo. Me lembra Everwood.
Final de tarde no pier é uma delícia. E também deitar na grama e mirar la belisima vista.
O bosque é lindo, deu vontade de fazer as trilhas. Mas fica pra outra viagem.
Existe um marzupial de 10cm de altura! Parente do canguru, vive nos bosques de Bariloche. Não vi nenhum, não lembro o nome, mas acredito.
Quase iniciei um movimento de proteção aos São Bernardos por aqui. Como os bichinhos são explorados turisticamente… E sim, são lindos!

Fala-se muito português por aqui.
E em breve, fotos de Deise esquiadora.

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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