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Não era botafoguense o taxista que me levava ao cinema. Em frente ao clube do Botafogo, hino sendo entoado, muitos apitos, homens descamisados dançavam com cerveja na mão, uma pequena multidão numa euforia bem contida pela polícia. O trânsito fluía. Costumeiramente, taxistas são minha fonte de informação sobre o mundo futebolístico. Pergunto se foi Taça Guanabara – ganhou do Flamengo,né? Descubro que a estrela solitária é campeã carioca, com Taça do Rio e Guanabara acumuladas, o time passou direto pro título. Costumeiramente, me arrependo de fazer perguntas futebolísticas. O assunto nunca se encerra na resposta. “Botafogo não tem torcida”, disse o homem de meia idade. “Como não? Tá ali atrás a torcida do Botafogo!”, replico eu. “Me desculpe, a senhora é botafoguense?”, treplica um receoso motorista, já em tom de desculpa pela possível ofensa. “Não, não sou.”, e limito minha resposta. Melhor não dizer que ignoro futebol, isso já aprendi. “Botafoguense não sabe comemorar. Parece que não tem entusiasmo, não tem fibra, não tem paixão, sei lá. Se fosse flamengo ou vasco, parava a cidade celebrando 2 títulos em sequência.” Me encerro no meu silêncio que pensava: “ah, sim. você quer dizer que botafoguense é civilizado.”

Mais 5 minutos de silêncio, uns 10 na fila mais uns 5 para pegar a pipoca, e eu estava confortável na poltrona roxa prestes a voltar a adolescência assistindo “As melhores coisas do mundo”, de Laís Bodansky. Excelente filme, para adultos e – acredito – também para adolescentes. Fiel ao universo exagerado, sofrido, prolífero em novas emoções, carente de vocábulos e repleto de interjeições coordenando orações de jovens que – sem saber o que há por vir – querem virar adultos. Aaahf. Bate uma nostalgia com a certeza de que – se a vida ficou mais complicada – eu também passei a sofrer menos. A adolescência é a mais agitada e infeliz das fases. E plenamente feliz, concordo com o personagem-narrador, só fui mesmo na infância. E essa lembrança é o que me faz curtir tão intensamente meus lampejos de felicidade pura, entremeados pela vida. O paradoxo é que sou feliz assim.

Recomendo. Veja, divirta-se. É filme pra rir, chorar, se emocionar, se identificar com tantas situações. E o melhor diálogo do filme, me desculpe, mas vou te contar aqui:
– Cara, tô te dizendo que meu pai é viado! tem coisa pior?
– Pô, e daí que seu pai é viado, o meu é antropólogo, e aí?

No táxi de volta pra casa, os botafoguenses seguiam lá. Melhor coisa do mundo deve ser passar direto – sem prova final ou recuperação – pra campeão carioca. Pra quem coloca futebol lá no topo da lista, ponto comum na listinha de botafoguenses, flamenguistas, vascaínos, tricolores e do meu taxista. Melhor coisa do mundo pra mim é perceber o quanto gosto da minha companhia. Sozinha no cinema, emoções preenchem meu peito, pensamentos invadem a cabeça, passeio na livraria, olho o céu estrelado e gosto de mim. Lampejo de felicidade.

…meus cabelos ainda seriam em cachos, a pele morena e as pintas no rosto eu manteria, mas o peito teria parado de crescer uns 6 meses antes, os cabelos ainda que cacheados cresceriam mais rápido, as pernas seriam mais longas e eu teria herdado a genética do ‘como e não engordo’ que foi reservada a outra metade da árvore genealógica. se fosse simples escolha minha, eu seria simpática sem esforço e minha coluna seria reta e sem hiper lordose. nasceria carioca e ainda amaria dançar, manteria o amor pela praia mas não teria medo de onda e adoraria esportes radicais envolvendo altura. teria mais um irmão ou irmã, mais primos, tios e tias. seria irmã do meio. odiaria pão e massas, e adoraria saladas e frutas. seria daquelas pessoas que come pouco e se satisfaz, perderia a gula mas manteria a preguiça dos pecados capitais. e a luxúria. meu corpo se satisfaria com 4 horas de sono e meu intestino funcionaria com perfeição. ainda seria mulher e fértil, mas sem jamais menstruar. se me obrigassem a escolher, seria libriana novamente. só porque as librianas são belas. teria aprendido a gostar de vinho mais cedo, seguiria afirmando que uísque tem gosto de remédio, e seria mais resistente a cachaça. talvez eu escolhesse pensar menos, mas seguiria falando pelos cotovelos ainda que escolheria saber ouvir mais. ainda amaria cultura, mas seria mais culta. e seguiria sendo uma pessoa de múltiplos interesses, mais diversa que profunda e totalmente a favor da diversidade.

e você?

Massa, pizza e sorvete – grandes invenções italianas, não conheço culinária mais deliciosa, Roma é uma cidade linda, italiano é gostoso de falar mesmo pra quem não sabe, a civilização ocidental deve muito aos romanos, mas já imaginou que inferno – pior que o de Dante – seria a sua infância se tivesse que aprender a multiplicar XXVIII por IV? Benditos sejam os árabes, seus algarismos arábicos e o gênio que inventou o ZERO.

(a propósito I: XXVIII mulitiplicado por IV dá CXII)
(a propósito II: leia “O Teorema de Fermat” se quiser conhecer mais sobre a história da matemática sem contas ou leitura difícil)

(e o ventilador também não)

não tenho onde guardar o sal que preciso pra conservar a carne que quero comer amanhã e depois. preciso de uma cozinha maior, de um pé direito mais alto e de muito mais janelas pra ventilar a casa. preciso também que derrubem alguns prédios a minha volta pro vento – que mora ali do lado, na praia – chegar aqui. aliás, a praia também tem peixe e se eu tivesse uma vara, era só limpar o mar e eu podia pescar o peixe de cada dia. aí não precisava de tanto sal, e comia peixe fresco. ficaria faltando só uma horta melhor, porque essa aqui perto de casa tem estado cheia, filas enormes, verdura feia e fruta verde que eles plantam naquelas caixas e corredores enquanto eu vou trabalhar. se bem que, sem os prédios ao meu lado, eu teria espaço para uma horta própria, aberta 24h e sem fila. se eu não trabalhasse, cuidaria muito bem dessa minha hortinha. e aí minha dieta seria a base de peixe, verduras e frutas. muita proteína e alimentos saudáveis, pouco carboidrato porque pão não brota da terra e do trigo até o pão é um longo e demorado caminho. lá na horta aqui perto de casa vende pão também, mas duvido que se eu tivesse minha hortinha aberta 24h e sem fila, aquela horta fajuta lá sobreviveria. aí, eu também faria o pão, que demora e quando ficasse pronto seria um pedacinho pra cada um. todo mundo seria magrinho, feliz, fresquinho e saudável.

a vida pode ser mais simples. inauguro a campanha por um mundo sem refrigeradores ou ventiladores. porque eu não quero estar só nessa luta. junte-se a mim ou as máquinas ainda dominarão o mundo, a humanidade e você também.

Refrigerador
(a foto é de Deise Lima – que domina a câmera e não é dominada)

Esses dias recebi um email de uma amiga querida, desses que circulam pela Internet, ninguém sabe ao certo a fonte, mas todo mundo lê. A mensagem desafiava seu leitor a realizar a seguinte simples tarefa:

Em posição sentada, retire o seu pé direito do chão e inicie movimentos circulares em sentido horário. Em seguida, levante sua mão direita e inicie movimentos circulares em sentido anti-horário. Mantenha-se assim por, ao menos, 1 seg.

Tente você também. Talvez seu cérebro seja 2.0. Meros mortais não executam essa tarefa.

Trabalho para um projeto em que meus clientes estão pela América Latina, grande parte da equipe está na Europa e poucos colegas de trabalho estão no Brasil. Falo português, espanhol e inglês diariamente. Eu gosto de idiomas, gosto de trabalhar assim, e me viro bem a maior parte do tempo.

No entanto, meu cérebro sempre me prega as mesmas peças. Se estou falando ao telefone em inglês, e alguém me envia uma mensagem em espanhol (por email ou messenger), eu mudo pro espanhol automaticamente. Normalmente só percebo quando o lado de lá reclama. O contrário também acontece: estou conversando com alguém pelo messenger em inglês; me liga alguém falando espanhol; resultado: desando a escrever em espanhol sem perceber. Outra: começo a escrever um email em espanhol; no texto do email, incluo alguma expressão ou palavra usualmente dita em inglês, como ‘happy hour’, mas fazendo sentido no contexto do trabalho; logo em seguida, abandono o espanhol e desando a escrever em inglês. Essa acontece menos, mas uma vez cometido o deslize, o email sai assim. Mesmo que eu o revise.

O que mais me intriga é como eu realmente faço isso sem perceber. Ok, talvez eu esteja querendo demais do meu pobre cérebrozinho. Mas bem que eu queria poder dar uma turbinada básica e fazer um upgrade para versão 2.0, multi-processada, 3GHz que me permita fazê-lo funcionar em 3 idiomas simultâneos. Ou 4 ou 5 :))

Ou talvez, quem sabe, eu devesse contentar-me realizando apenas uma tarefa por vez. Se estou ao telefone, não leio email. Se escrevo email, não atendo telefone. Talvez. Porque meu cérebro não é eletrônico, mas faz tudo, faz quase tudo, só que ele é mudo(*). Deixo o convite à reflexão 🙂

(*)Referência a música “Cérebro Eletrônico”, gravada por Marisa Monte. Isso porque ela me veio a mente enquanto escrevia o post, entre um email em inglês e um telefonema em espanhol. porque meu cérebro não fala 3 idiomas simultâneos, mas sabe gerenciar memórias desordenadas e associá-las a momentos específicos. meu cérebro trabalha muito. será que exigindo tanto assim do pobre orgão, estou estendendo ou encurtando sua vida útil? faço bem ou faço mal? e se, ao invés de refletir sobre isso, eu resolva dar 5 minutos diários de descanso total e absoluto ao meu cérebrozinho? são tantas opções, tantos possíveis caminhos. não consigo decidir. se me leu até aqui, por favor me ajude.

Dia desses andei de metrô. Faz pouco mais de um ano que me descobri ligeiramente claustrofóbica. Prefiro encarar o trânsito, ver a luz do dia e me distrair com o movimento: gente que anda apressada, a mãe que ensina o filho a esperar o sinal, quem atravessa a rua correndo, o papo escandaloso das duas mulheres do banco da frente, o menino que equilibra incontáveis saquinhos de balas nos ombros, a contadora que detalha os últimos acontecimentos de sua vida para um quase sempre desinteressado motorista que, por vezes, comenta o resultado do futebol com o pipoqueiro e esquece que o sinal abriu, a menina que passa causando breve silêncio na conversa matutina dos machos no boteco. Como tem gente que não trabalha, ou pelo menos, não no mesmo horário que eu. Tenho meus segundos de inveja dos que pedalam suas bicicletas em direção a praia, de quem toma um café da manhã com cara de delicioso na padaria, dos que voltam calmamente de suas compras no hortifruti e dos velhinhos que jogam xadrez na praça. Me perco no meio disso tudo enquanto admiro a beleza do Aterro do Flamengo e quando percebo, cheguei.

No metrô, o tempo passa mais devagar. Do lado de fora é tudo preto, e no de dentro as pessoas raramente conversam, me restando poucas opções de auto-entretenimento. Ler eu não gosto porque odeio ser obrigada a parar um capítulo no meio. Até hoje não me entendi muito bem com meu ipod, de forma que música também não é opção. E também se eu ouço música, eu canto, e prefiro observar a ser observada. Pois na minha última viagem, me faltou o jornal do passageiro ao lado para eu esticar o olho, e depois de cansada de apreciar o mapa relembrando todos os nomes de estação das linhas 1 e 2, me deparei com uma propaganda das pastilhas Valda:

“Você pode não ser teleoperadora, mas sua voz também precisa de um alô!”

E ali encontrei devaneios para uma viagem inteira:
+ Porque teleoperadora, e não teleoperador? Seria uma campanha direcionada as mulheres, talvez menos ávidas consumistas de pastilhas Valda? Ou seria a propaganda simplesmente machista?
+ Seriam as pastilhas Valda tão antigas quanto a expressão “dar um alô”? Aliás, não conheço quem precise de um alô, muito menos o teleoperador que fala de tudo menos “Alô”.
+ Se a propaganda fosse em Portugal seria “Você pode não ser teleoperadora, mas sua voz também precisa de um estou?”. Foi nessa hora que lembrei do meu blog querido, porque esqueci de comentar esse fato que tanto me fez rir em Lisboa. A primeira vez foi na recepção do hotel, o celular da hóspede portuguesa ao lado toca, e ela atende prontamente:

– Estou?

Como não rir disso? Será que alguém atende telefone sem estar? E aí me pego pensando de onde surgiu a expressão “Alô” se não herdamos o ‘estou?’ dos amigos patrícios, imagino que deve ter vindo do “Hello” que nem forró veio de “for all”, e aí já viu. Devaneios e mais devaneios, livres associações na minha mente, e a estação chegou mais rápido. Viva a propaganda de qualidade duvidosa.

* os devaneios transformaram-se em curiosidade, e chegando no trabalho descobri: ‘As pastilhas Valda nasceram em 1902, época em que as doenças pulmonares eram comuns. O francês Henri Canonne, dono de uma farmácia em Paris, lançou uma pequena goma verde que aliviava a tosse’. E eu que tusso até hoje e nunca degustei uma pastilha valda para aliviar minha tosse? Vou tentar.
** A campanha não se limita aos teleoperadores. Tem também o genial: “você pode não ser cantor, mas sua voz não precisa dançar”. Ou “você pode não ser professora, mas sua voz também precisa de atenção”. É, parece que a campanha é ruim e machista mesmo.

Eu só queria comentar a obra-prima da filha do Costa Gravas, que assisti no último domingo, e que leva o nome do título do post. Na terça 19, Fidel Castro em persona atrapalhou meus planos e mudou forçosamente o rumo desse post.

Eis que o barbudo renunciou ao poder, 49 anos depois. Já era tempo, aliás era tempo faz muito tempo. Os fins que poderiam justificar os meios não foram suficientes, a ideologia que motivou o início de tudo foi perdendo seu sentido até transformar-se na aberração que é uma ditadura nascida do desejo de se acabar com outra ditadura. A essa altura, me parece estúpido discutir de quem é a culpa pela miséria dos cubanos, se foi o imperialismo dos americanos com seu embargo que fez falir o sistema comunista de Fidel ou se ele iria à falência por si só. O fato é que o tempo passou, o mundo mudou, e Cuba parou no tempo por teimosos e persistentes longos anos pela vontade de um homem só que se enxerga como um povo inteiro. Tem que existir algo de muito errado nisso.

Sobre o filme? No filme, Fidel é, de certa forma, injustamente culpado por Anna – menina francesa de 9 anos que vê sua vida mudar drasticamente quando seus pais – em um tipo de surto de “culpa burguesa” – resolvem aderir à causa comunista e engajam-se em movimentos de apoio a Salvador Allende e a favor do aborto. Anna se rebela ao mesmo tempo que, entre mudanças de casas e de babás, inicia uma longa e solitária busca por respostas que expliquem porque ela virou pobre, Mickey virou fascista, o catecismo é proibido e seu mundo foi invadido por barbudos.

Cuba e Fidel são citados em um único e divertidíssimo diálogo. Não é um filme sobre o comunismo, mas uma história sobre mudanças e adaptações. Merece muito ser visto. Sobre Cuba, confesso que não sei opinar sobre seu futuro – se pode ser o início de uma nova era ou se o irmão mais novo simplesmente seguirá a mesma cartilha até que uma doença o acometa. Torço para que entendam que a mudança já chegou faz tempo, e é hora de adaptações.

Houve um período em que carnaval no RJ era sinônimo de tranquilidade, e não faz muito tempo.Eu mesma já aproveitei praias vazias, cinema com meia-entrada, ausência absoluta de trânsito pela cidade.
E eis que o carnaval de rua do Rio foi voltando aos poucos, de ano em ano. Hoje em dia, é preciso planejar com antecedência a quais blocos comparecer tamanha a variedade e sobreposições de horários. Ou por quais ruas e bairros não passar, se quiser fugir de carnaval e engarrafamentos.

Eu gosto dos blocos. Gosto do conceito de carnaval de rua, de festa popular, da mistura. Tem a cara do Rio, é ótimo pro turismo (700.000 turistas estrangeiros!), é divertido. Por outro lado, o carnaval carioca sofre com o excesso de popularidade. Blocos que não saem mais em desfile devido ao enorme sucesso comprovado pelo público de milhares. Os tradicionais como o Cordão do Bola Preta e o Cordão do Boitatá já não desfilam há alguns anos, divertem seus foliões paradinhos no lugar. O Bangalafumenga, pagou o preço da popularidade e, sem o consentimento da prefeitura, não desfilou pela primeira vez desde sua existência. Fez seu carnaval paradinho ali na Pacheco Leão pra sei lá quantas mil pessoas.

Já o Quizomba resolveu manter a tradição, e saiu em desfile da Mem de Sá e Rua da Lapa até a Glória, voltando pela Praia até a Lapa pra acabar exatamente onde começou. O percurso de ida foi tranquilo: ruas pequenas, nenhuma grande via, a Lapa é um bairro isolado. Até que o bloco voltou pela praia. Não havia ninguém para controlar o trânsito, e o bloco arrastando sua multidão deu de cara com ônibus, carros, táxis. Dezenas ou talvez centenas de pessoas que não podiam movimentar-se, e viram-se obrigadas a aguardar calmamente o bloco passar. Foliões mais animadinhos e bêbados resolveram subir nos ônibus. Não houve nenhum acidente e não vi nenhuma briga ou confusão maior, felizmente. Mas que é um absurdo, é.

Quizomba no quizomba
Quizomba no quizomba II
(Fotos de Deise Lima)

O Quizomba estava ótimo, com músicas boas, divertido. Mas não dá pra ignorar a falta de organização. Culpa da prefeitura, que autoriza mas não está lá para organizar nada. Que fique o meu protesto.
E não me leve a mal, hoje é carnaval 🙂

Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez em sua vida?
Primeiras vezes são mais frequentes do que muitos imaginam. É questão de prestar atenção.

Em 2007, pela primeira vez em minha vida, desfilei na Sapucaí, assisti a uma partida de futebol no Maracanã, esquiei, vi neve e vi nevar, subi um morro e conheci o Jamelão, projetei fotos em festa na praça, assisti a um por do sol sentada na duna e a outro na neve e de bikini no frio de cinco graus negativos. Um eclipse solar me pegou de surpresa na rua. Fiz ski-bunda e guerra de neve. Aula de canto. Voltei aos palcos, mas pela primeira vez, com direito a entrada pela platéia. Tive minha primeira foto publicada em jornal. Assisti a Roger Waters, ao Pan no RJ, a uma competição de ginástica olímpica ao vivo, ao vôlei de quadra e de praia, e o Giba me fez suspirar ao vivo. Virei colunista no papocalcinha, fiz 30 anos e a primeira festa de década da minha vida. Cozinhei arroz pela primeira vez em vida adulta, me comuniquei por carta também pela primeira vez em vida adulta, e lembrei do meu tio-avô. E tantas outras coisas novas que é melhor parar por aqui ou não acabo nunca 🙂

O que espero para 2008? Que me reserve inúmeras pequenas e grandes novas experiências. Que eu seja surpreendida por inúmeras primeiras vezes, que me façam descobrir algo novo, relembrar algo velho, ou que simplesmente me tragam alguma emoção. Darei valor a todas elas.

E feliz ano novo para todos nós!

Numa dessas conversas paciente-médica para passar o tempo durante a realização de um tratamento corporal:
– É, eu ando com alergia a algumas lingeries, fica essa coisa avermelhada…
– Ah, você leu no jornal hoje? Roubaram uma carga enorme de lingerie na Frei Caneca.
(5 seg para pensar como isso se relaciona a minha alergia)
– é? e acharam a lingerie? impregnada com algum tipo de substância?
(essa foi a resposta mais adequada que achei, influenciada por um episódio de House em que 2 meninos quase morreram por usar calças jeans impregnadas de pesticida)
– não, menina! tô pensando em dar uma olhada nos camelôs… devem estar cheios de lingerie barata!

Não canso de ficar boquiaberta com uma declaração dessas. Argumentei da forma mais humana que encontrei:
– Além do roubo ser crime, você já pensou no que pode ter ocorrido com o motorista do caminhão que levava a carga? Talvez tenha sido um roubo violento, talvez ele seja penalizado por ter perdido a carga, talvez ele viva submetido a um nível altíssimo de stress devido ao medo de ter sua carga roubada a qualquer hora…
– É, né? É verdade… Ah, mas a gente gosta de uns produtos baratinhos, né?
(depois dessa, só encerrando o assunto… afinal, enquanto isso, ela me furava durante o tratamento. melhor não arriscar)
– Não, ‘a gente’ não gosta, você gosta. Eu não compro produto roubado.

Me lembrou a quantidade de pessoas que me aconselharam a comprar uma “frente” de rádio de carro no camelódromo (somente a frente destacável, o rádio ficou no carro), quando a minha própria me foi furtada. “É bem mais barato!” – era o argumento mais comum. O risco de comprar a minha própria “frente” de volta foi o mais óbvio dos motivos para que eu não fizesse isso – beira a estupidez.

E continuarei meu tratamento com outra médica. É minha forma de protesto.

De tudo um pouco:

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O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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