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Ando assustada comigo mesma.

Inventei de simplificar minha vida, desde setembro passado. Foi um longo processo que culminou em pedido de demissão, viagem, decisões importantes, e a tentativa de um plano – que estou tentando colocar em prática – que me permita viver melhor com menos dinheiro, ocupar a maior parte do meu tempo com coisas que eu realmente gosto. Tem gente que acha tudo isso muito utópico, mas eu acho que tem jeito. E vou tentar até conseguir achar o jeito, ou até me dar conta que é impossível mesmo. Mas isso tudo merece um post a parte. Não é isso que me assusta, portanto vamos voltar ao assunto inicial.

Gastar tempo com as coisas que eu realmente gosto exige que eu saiba aquilo que eu realmente gosto. Algumas coisas são fáceis e óbvias – eu adoro fotografar, por exemplo. Outras (re)surgiram após praticamente uma regressão – lembrei que gostava de escrever, lá nos meus tempos de ginásio. Hábito que eu deixei para trás faz muito, muito tempo.

Eis que, a princípio empolgada com a viagem, resolvi criar esse blog. Voltei de viagem, e ele continuou por aqui firme e forte. Resolvi migrar do blogspot para o wordpress – não satisfeita, resolvi pesquisar outras ferramentas. E aí fui pesquisando, pesquisando… E meu tempo livre me fez perceber quanta coisa legal e nova tem pela Internet, e que eu não via antes porque nunca tinha tempo. Por muito tempo, internet pra mim era ferramenta de trabalho 95% do tempo. E trabalho era quase 95% do meu tempo.

A conclusão é que tenho passado de 4 a 5h por dia na internet, incluindo madrugadas afora. Acho que estou (re)descobrindo meu lado nerd, que eu tanto renego. Vai ver estou passando por todo esse processo para redescobrir aquilo que eu achava que havia sido meu erro inicial… Vai ver eu sou nerd mesmo 🙂 Ok, talvez uma nerd com alguma sensibilidade, com um lado artístico mais aflorado que o normal. Ou talvez eu finalmente perceba o óbvio e deixe esses rótulos imbecis para trás 🙂

A boa notícia é que, apesar das 4 a 5h diárias de internet, ainda sobra tempo para pedalar na praia, ver meus filmes, encontrar meus amigos, trabalhar no meu freela. E meu nível de stress anda mais do que baixo. Esquisitices a parte, parece que o plano está funcionando. Até agora.

Inicia-se o último mês do ano de 2006 e morre Augusto Pinochet – de forma natural – enquanto encontrava-se em prisão domiciliar por crimes como sonegação de impostos, dentre alguns outros. Pinochet foi preso em 1998 na Inglaterra – 10 anos após a queda de seu regime – e deportado em 2002 para o Chile.

Termina o mês e o ano de 2006, e Saddam Hussein é enforcado após ser considerado culpado pela morte de 148 xiitas, em 1982. Saddam foi preso pelos EUA, em 2003, durante a guerra do bem contra o mal – dizem por aí que ocasionada pela suposta existência de armas químicas em território iraquiano.

Ambos foram acusados de crimes contra a humanidade – crimes contra todos nós e inclusive contra eles mesmos, pois me parece que eram humanos. Pelo menos Pinochet usufruiu de tal condição e, fazendo valer seus direitos internacionalmente reconhecidos, nunca foi julgado pelos tais crimes já que sua saúde sempre fraca o impediria de sobreviver a tal julgamento. É, me parece justo. O engraçado é que morreu do mesmo jeito – definitivamente era humano. Bom, talvez Saddam não o fosse.

O questionamento da condição de humano de Saddam, sem dúvidas, abre precedentes. Talvez não sejamos todos humanos. E sendo assim, nem todo ato de perseguição, agressão ou assassinato contra um grupo de indivíduos pode ser caracterizado como crime contra a humanidade. Aaaaaaaahhhhhhhhhh, agora acho que estou entendendo…

Entre uma morte e outra, e no meio dessa confusão, eu lamento mesmo é a condição de humano do meu querido GodFather of Soul – condição esta comprovada por sua morte natural, já que a morte é a única certeza que nós humanos temos nessa vida. Esse vai me fazer falta ao longo de minha humana existência. Aliás, sua morte me lembra seu velório que me traz a imagem de uma certa criatura branquela, mais pálida que o próprio defunto… Será que é humano????

Amsterdã não fez sua fama por ter bons museus. Além do Van Gogh, o outro único razoável que achei por lá foi um museu de fotografia, chamado FOAM.

Dentre outras exposições, estava em cartaz uma chamada “The Kate Show” – inspirada no ícone da moda e dos fofoqueiros de plantão Kate Moss. Eis a definição oficial:

“The Kate Show is an investigation into an image that reflects an age in which the fashion world feeds the art world, and vice versa, in which photo models have become super-women and in which minor private misfortunes become inflated out of proportion into world news. The artists in this show explore the rise of a phenomenon, the effect of the media and the creation of an icon based on images. Kate Moss is the personification of an empty canvas on which everyone projects his or her own desires, ideas or frustrations.”

Dentre outras coisas, a “exposição” contava com um longo e estreito espelho no chão com fileiras de cocaína (supostamente, claro), que ficava entre várias fotos alteradas da carreira da modelo. No centro da exposição, uma suposta matéria de jornal informando que Kate Moss morreu aos 33 anos, vítima de overdose, deixando uma filha pequena, e que contava detalhes das circunstâncias da morte e da vida banal, fútil e sem sentido da modelo. Entre outras coisas de um mau-gosto similar.

Ok, entendi o conceito de uma investigação sobre o poder da mídia na criação de ícones. Só que mais me pareceu uma ode a esse tal de poder do que uma investigação imparcial. E um desrespeito enorme a Kate Moss que, vale ressaltar, é das figuras mais reservadas (e conturbadas, ok) do mundo da moda – dificilmente aparece em entrevistas ou topa ir para alguma ilha passar um feriado em troca de algumas páginas de revista. E que, ironicamente, por isto mesmo deve ter sido a figura escolhida como protagonista da exposição.

Quando vejo coisas assim, fico me questionando que diabos é essa tal de arte moderna. E quais limites existem pra isso. Não sei dizer exatamente quais são os limites, mas “The Kate Show” certamente os ultrapassou.

E você, o que acha?

Voltar pro Brasil é meio estranho.
Um gostinho de quero mais. Um misto de tristeza e alegria.

É bom ver o mar, sentir o calor, rever a família, ouvir português, música brasileira, falar com os amigos.

Mas o trânsito me irritou, o guardador da minha rua mais ainda. A maré no caminho de volta pra casa. Fechar a janela e ligar o ar porque é perigoso. Lembrar que, apesar de ser elite por aqui, tenho que ralar muito para levar uma vida descente. 1000 impostos, plano de saúde, previdência privada. E a consciência de que reclamo de barriga cheia, porque sou a minoria da minoria da minoria que pode se dar ao luxo de largar o trabalho, viajar e decidir dar um tempo para repensar a vida. E na Europa, todo mundo viajando pra todo canto… Tudo é tão mais fácil.

Talvez o meu destino não esteja aqui. Talvez eu durma e acorde melhor amanhã. E ainda esqueci meu caderninho com todas as anotações da viagem no avião. Fiquei arrasada.

Certamente acordarei melhor amanhã. Enquanto isso, vou postar mais historinhas da viagem.

Brasil.
No cinema, só se retrata a pobreza.
Nas novelas, só riqueza.
Pobre assiste novela.
Rico vai ao cinema.

Esse mundo é muito louco.

Viajar nos faz concretizar a rotacao da Terra.
Meu dia de ontem teve 21h.
Por um lado, ganhei 3h e cheguei ao futuro mais rapido que vcs.
Por outro, perdi 3h de presente.
As 3h da manha, bares fechavam, alguns bebados pelas ruas, muito frio. E eu percebendo que era impossivel recuperar minhas horas de presente perdidas, pois elas ja eram passado.
As 4:30h, eu tentava dormir e so conseguia pensar em presente, passado, futuro, relatividade, Albert Einstein.
Tudo me parecia muito filosofico, a concretizacao de algo sempre presente mas que nos eh imperceptivel na maior parte do tempo.
As 8h, acordei para meu dia de turismo, ainda pensando nisso – soh que apos 3 miseras horas de sono jah nao me parecia mais tao belo assim.
Tudo eh relativo. E o tempo nao para.

Tudo isso me fez lembrar uma musica – gravada por Marisa Monte – que eu amo: “Enquanto isso“.

“… and if we could see faster, we could watch everything” – este eh o meu sonho impossivel.

Eh isso aih. Einstein, Cazuza e Marisa Monte no mesmo post.
Deve ser efeito do tal ocio criativo 🙂

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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