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Contradições I
NY é a cidade do consumo, meu espírito é consumista mas o turismo de consumo de NY me incomoda.
NY não é cidade pra mim. É cosmopolita, super cultural, de tudo se acha, de tudo e todos se vê. Mas tudo se paga, tudo se compra, tudo abunda, tudo sobra, tudo ilumina, tudo parece um pouco demais.
Então porque passei o reveillon em Nova Iorque, imagino que você – caro leitor – esteja prestes a me perguntar.
Porque fui convidada, porque tinha milhas e porque não sei dizer não para viagens. Porque eu sou consumista.
No fim, eu me divirto. Sempre.

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O mundo é injusto I
Porque o clima seco é ótimo para meus cabelos e péssimo para minha pele e o clima úmido é divino para minha pele e péssimo para meus lindos cabelos em cachos? O mundo é injusto.

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Não, não é exagero.
– Where are you from?
– Brazil.
– Sorry?
– Brazil?
– Hã?
– Brazil, carnival, football.
– Oooohhhhhh… do you live in a city?
(tire suas próprias conclusões. será que – nesse contexto – Brasil virou uma cidade? Ou será que meu amigo interlocutor me imaginou morando numa selva? Ou será ainda que nunca ouviu falar em Brasil e simplesmente quis prosseguir o papo? Ou será – será mesmo? – que sabe bem onde está o Brasil, conhece o conceito de cidade mas gostaria de saber se moro no campo? Eu, no meu melhor estilo camponesa: maquiada, vestido lindo e sexy bebendo champagne em festa em NY?)

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Eu me amo, eu me adoro, não posso mais viver sem mim.
Odeio frio mas adoro meus chapéus e cachecóis, e mais ainda, adoro combiná-los e sobrepor roupas e casacos, deixar tudo colorido e me sentir super fashion, linda e cheia de charme. Hoje estou em um daqueles dias em que “me acho”.

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(pausa para o clima)

Acho que começei a entender a neve e sua magia.
Os flocos ficaram maiores dessa vez, e contra um fundo escuro, gostei de seus formatos e dos reflexos.
Não acho lindo, não me emociona profundamente como um sol se pondo na praia em dia quente de céu azul, mas talvez um dia eu chegue lá. Seguirei experimentando.

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O mundo é injusto II.

38C. É meu tamanho americano para sutiã. Descobri.
Quase chorei de emoção quando – pela primeira vez – experimentei um sutiã lindo e ele ficou grande em mim.
Difícil explicar o prazer que senti em pedir um número menor. Acho que nasci no país errado.
Ainda que, pela quantidade de ‘hola, que tal?’, decididamente nasci no hemisfério certo do continente.
Porque eu não nasci toda latina ou toda americana? Minha vida seria mais fácil, certamente.

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Latinos.
A América Latina é formada por todos os países americanos de língua latina. Ou seja, do México para baixo – e não somente o México, como pensava o interlocutor – salvo um ou outro pequeno país caribenho. A América Latina não é uma delimitação geográfica, ao contrário da América do Sul, do Norte, a Central. Qualquer povo que fale um idioma oriundo do latim, pode também ser chamado de latino. Incluem-se italianos, espanhóis, franceses.

Latino também é um cantor de música brasileira de qualidade questionável, mas isso não vem ao caso. E essa parte da explicação eu deixei de fora do meu discurso sobre a latinidade. Não tive culpa, foi o novaiorquino quem perguntou. E quem pergunta quer saber.

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Você já se deu conta que só brasileiro tem essa coisa de usar branco no reveillon? Coisas de Iemanjá, influência africana. Talvez seja assim também pela África, quem sabe em outros países de América Latina, mas nos EUA definitivamente não é. Nunca havia atentado pra isso. Apesar de que eu mesma nunca me visto de branco, estranhei a ausência dele. Fica tudo com cara de uma festa como qualquer outra.

Faz anos que eu resmungo que o reveillon é uma festa super estimada. Que não gosto da obrigação de celebrar, é só mais uma noite, ora bolas. Eis que em Nova Iorque, entre prum queens, cheerleaders, quarterbacks e um ou outro ser simpático, eu estranhei a ausência de fogos, de comida típica, de supertições, de Roberto Carlos, de uvas, de pular ondas, de ‘adeus ano velho, feliz ano novo’. E do branco. Contradições. E eu adoro ser contraditória. E controversa.

Costumo ser tomada por um espírito nacionalista que não sei de onde vem, sempre que viajo. Não é que eu não ame o Brasil, mas não gosto de ser aquela ultra-nacionalista cega, tipo assim, uma average american. Pois em terras de Tio Sam, não há NADA que me irrite mais do que alguém olhando pra mim e disparando um ‘Hola, que tal?’ ou um ‘Siñora’ mal educado como fez um guarda no aeroporto. Quem foi que disse que eu falo espanhol?? E porque sempre implicam comigo em aeroporto? Tamanha implicância só me deixa com mais orgulho dos meus ares de latina. E tenho dito. Y siñor, yo no hablo español.

E isso é o que me espera. Tenho medo.
Boa festa de reveillon e feliz 2009 para todos!!
City that never sleeps

Seguindo a onda da Elisa, também ouso confessar: gosto da argentina, dos argentinos, torço pela argentina. pronto, falei e disse. me sinto mais leve agora.

Também confesso que nunca havia ouvido falar em Charly García até trabalhar em Caracas, conhecer um grande grupo de latinos, todos chocados-inconformados-incrédulos de minha ignorância. Vai explicar que não, brasileiro não ouve música latina que não sua própria. não, não celebramos o descobrimento da américa. sim, fazemos parte da américa de Colombo, mas temos data de descobrimento própria. é que os portugueses vieram pelo Atlântico depois, em 1500. não, não nos achamos melhores porque somos grandes, não temos complexo de megalomania ou superioridade (ok, também confesso que talvez um pouquinho).

Charly García é argentino, um ídolo do rock latino, num estilo meio Marilyn Manson, uma coisa assim meio gótica meio louca que faz uma música que soou bem estranha aos meus ouvidos já adultos. quizá me gustase se yo fuera más joven. no sé. ah, também confesso que não gosto de espanhol. hablo por obligación, pero no me gusta. hoje em dia, me gusta un poquito más, mas sigo sem entender porque espanhol se fala com língua presa. me dá ganas de decir: “solta esa lingua, carajo!” no meu melhor portuñol.

No mais, digo que não conhecia a música que cita a Elisa, e que diz ‘la alegria no es solo brasilera’ – música do tal Garcia. mas gostei. não é exclusividade brasileira mesmo, mas que bom que nuestros vecinos cucarachos nos vêem como um povo feliz. o que só me lembra o “êee ôoo vida de gado.. povo marcado êeee, povo feliz!”. que por sua vez me lembra meu momento ‘curral’ no último show do The Police no Maraca, quando alguém decidiu espontaneamente começar a cantar a música e de repente éramos centenas de pessoas cantando juntas, compartilhando aquele curral na saída mas sem perder o espírito carioca.

Me perdi no que dizia, e o que queria mesmo era confessar que me gusta la Argentina. y los argentinos de la selección de futbol, que sempre são guapos. e ficam ainda mais guapos com aquelas carinhas de perritos abandonados, tristinhos quando perdem pro meu Brasil-sil-sil, meu brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro, vou cantar-te nos meus versos…

A-D-O-R-O escrever assim, o que vem na cabeça. me sinto livre, me acho meio louca, fico feliz e pronta pra dormir. Boa noite. Ou Bo-a Noi-te, assim em sílabas, pronunciado por quatro adolescentes – uma por sílaba – para receber um pai que voltava diariamente de barca e que buscávamos de carro. Vixe, mais lembranças desordenadas na mente. Um pouco mais louca. boa noite de novo. fui.

“Uma das minhas lojas favoritas em Paris fica no Marais, e, ao contrário do que se possa imaginar, não tem nada a ver com moda, não vende nenhum item de comida, e muito menos perfume – para listar três coisas pelas quais a capital francesa é famosa. A loja chama-se Photographie (Fotografia, em português), é de um cara (aparentemente) cinqüentão – magro e, como bom francês, fumante inveterado (já o peguei fumando mesmo dentro da loja, próximo da hora de fechar…) -, chamado Fabien Breuvart. Fica na Rue Charlot, quase esquina da Rue Bretagne.”
“… São fotos anônimas, esquecidas em gavetas antigas, álbuns abandonados, ou simplesmente jogadas no lixo. Monsieur Breuvart faz um inestimável garimpo por feirinhas de antiguidades (e, imagino, alguns depósitos de entulho) para resgatar essas obras-primas alternativas. Não custam caro (as mais baratas saem por menos de R$ 20,00), mas têm um valor inestimável para fãs do gênero (como eu)…”
(trechos tirados do blog do Zeca Camargo. para ler na íntegra, clique aqui)

Me deu vontade de ir a Paris só para visitar essa loja. A idéia é genial. Me pergunto se não há algo parecido por aqui. Zeca ainda dá a dica dos livros “Anonymous: enigmatic images from unknow photographers” e “Other pictures: anonymous photographs from the Thomas Walther collection” – variações sobre o mesmo tema.

Inspirada pelo post de Zeca e pela ode as fotos ‘descartadas’, resolvi rever meu próprio arquivo fotográfico. Costumo fotografar bastante sempre que viajo. Por princípio, nunca apago fotos. Sempre acho que uma foto considerada ruim hoje pode me parecer bela em um futuro próximo ou distante.

Editar fotos dá um trabalhão, mas em cerca de 1h de trabalho consegui rever uma pequeníssima parte do meu acervo (acervo me soa como pretensão, mas tudo bem :)), com foco no último ano e meio. Encontrei coisas que gostei muito, por motivos diversos. A foto não muda nunca, mas o meu olhar muda o tempo todo.

A edição deu origem a galeria “Descartadas”. Sinta-se convidado a ver, comentar e entender porque a foto descartada de ontem é a que agrada meus olhos hoje.
* as fotos foram postadas exatamente como foram tiradas, sem nenhum tipo de correção digital. a idéia é valorizar a ‘imperfeição’ que me fez descartá-las, e portanto nada de photoshop.
** assim que encontrar mais tempo, continuarei o processo de seleção. gostei da brincadeira. farei dela um live project.


Eles dizem que é o maior do mundo. Eu não duvido. De 08 a 31 de agosto, em Edimburgo. Ainda dá tempo de ir, eu recomendo. Leve seu guarda-chuva.

É tanta coisa pra escolher que dá até dor de cabeça. São vários eventos dentro do evento. A Underbelly é uma enorme estrutura na forma de uma vaca roxa, onde acontecem diversos shows. O Fringe é um evento com várias pequenas salas – algumas em estrutura móvel, outras dentro de teatros – apresentando peças de teatro de 10:30 a 00:00. Exposições espalhadas pela cidade. Grandes cias convidadas, inclusive uma cia de dança israelense, a Batsheva Dance Company, que sempre quis ver. Não dei sorte, se apresentam em outro fim de semana. A Royal Mile fica fechada para o trânsito, e artistas divulgam suas peças ou fazem suas performances livremente. Várias praças da cidade tem programação de artistas de rua, com seus números variados – circenses, dramáticos, dançantes, conceituais, sátiras, críticas e protestos. Tem artista do mundo todo.

Na minha curtíssima estadia, vi performances variadas nas ruas e assisti a três peças: dois excelentes dramas e uma comédia sem graça. O primeiro drama foi um monólogo sobre um imigrante iraniano vivendo em londres. O segundo, sobre a escravidão sexual de jovens do leste europeu, realmente me comoveu. A comédia era sobre um gaiato que fazia uma viagem de bicicleta da Índia até Pequim. Estava tão chatinha que saí no meio, e acabei fazendo ‘parte’ do espetáculo. Saí mais rápido ainda. Teve também parte de um espetáculo de dança performática, chamado “Alumnium”, que prometia ser algo como uma mistura de Stomp e Mummenchanz , mas tive que sair logo no início para não perder o vôo – aquele que me fez esperar 15h.

Fim de tarde e noite, os pubs lotados de gente – entre artistas, curiosos, espectadores e escoceses. Um grupo de adolescentes americanos, apresentando um número de mímica, foi deportado após serem flagrados ingerindo bebida alcóolica. Fiz amigos em um pub e experimentei o ‘ritual’ da noite deles: de pub em pub, até acabar a noite. Estranho, mas se estou na chuva é pra me molhar. Literalmente. Foram 7 pubs. E os escoceses, bem mais simpáticos que seus meio-irmãos ingleses, já estavam desinteressados da olímpiada: seu único atleta já havia sido eliminado.

Edimburgo é uma graça, medieval e super bem conservada. Tudo se faz a pé. Não bebi uísque – não por falta de opção. Não fui ver o monstro do lago Ness. Não visitei o castelo. Vi uns dois homens de saia na rua. Vi um noivo de saia e tocando gaita de fole. Entendi cerca de metade de tudo que me disseram, sotaque complicado. O garçom do primeiro pub que parei me fez trocar todas as minhas notas de libras inglesas por libras escocesas. Como vocês podem ver, não sou só eu quem implica com os ingleses 🙂

Madonna completa meio-seculo de vida amanha.
Eu adoro a Madonna.
Acordei hoje com a BBC mostrando imagens de sua mais recente turne, da Blond Ambition e de seus filmes.
Passei 1:30h num taxi a caminho do aeroporto ouvindo um especial de Madonna no radio.
(get into the groove, boy you`ve got to prove your love to me. yeah…
… i`m tired of dancing here all by myself, tonigth i wanna dance with someone else!
life is a mistery, everyone must stand alone. i hear you call my name, and it feels like home.
cherish, cherish!)

A sala de espera do aeroporto toca Madonna. Em versao com Justin Timberlake.
Odeio esperar. Madonna Louise Ciccone torna minha espera mais agradavel.
Viva a material girl.
E pode botar agua nesse feijao que eu to voltando.
(sem acentos no teclado do quiosque do aeroporto!!)

Manhã chuvosa de segunda-feira, eu bebia meu café com muffin de chocolate no aeroporto de Edimburgo, quando ouvi o anúncio:

“Flight BE7254 has been delayed undefinetly as aircraft got hit by a bird.”
(Vôo BE7254 está atrasado, pois a aeronave foi atingida por um pássaro)

Sempre achei que essa história de pássaro que entra na turbina de avião fosse lorota. Dessas histórias que todo mundo conhece, jura que acontece, mas ninguém nunca viu.

Eu vi. Passarinho espírito-de-porco. Foi mirar justamente a aeronave reservada para o vôo que deveria ter saído na noite anterior, justamente aquela que estava quebrada e foi consertada durante a noite. Diabo de passarinho que resolveu sacanear 78 pessoas que já esperavam há 12h por um mísero vôo de 1:30h até a Inglaterra.

Se não houvessem outras 77 pessoas comigo, eu diria: essas coisas só acontecem comigo. Poucas horas depois, chegou nova aeronave – em perfeito estado de funcionamento e fora da trajetória de pássaros. As 13h de segunda, pisei em solo inglês. Com deliciosas 15h de atraso, esplendidamente desfrutadas entre filas, frio, espera por táxi e pouquissimas horas de sono em um quarto com cara de motel na beira de estrada.

That’s my life.
E Edimburgo? Uma graça de cidade. Fui para conhecer seu Festival de Arte, tido como o maior do mundo. Dura todo o mês de agosto, e é realmente impressionante. Mas o assunto fica para outro post.

Costumo viver dentro dos limites da lei. Sou certinha. Pago as contas em dia, todos os impostos e as multas que me cabem. Estacionava -quando tinha carro – nos locais permitidos, atravesso na faixa para pedestres e me recuso a ter uma carteira de estudante para obter descontos indevidos. E a lista continua.

Não é a primeira vez que me sinto uma constante infratora em terras britânicas. Trabalho para uma empresa situada numa antiga fábrica. São vários prédios, com uma área de estacionamento central, aberta.

Fim de tarde, peço meu táxi e vou aguardar na portaria principal. Cansada de esperar, encosto na guarita dos seguranças.

– Senhora, não é permitido enconstar aí.

Outro dia. Aguardo meu táxi no mesmo lugar. Vejo um gatinho, perto da saída dos carros. Vou até lá fazer um carinho.

– Senhora, não é permitido ficar aí. Muito perto da passagem de carros. É perigoso.
(nem sinal de carro)

Pego o gatinho para levá-lo até meus 10m2 de espaço permitido para aguardar meu táxi.

– Senhora, por favor, não pegue o gato.
(até agora não entendi o motivo. mas o moço foi enfático)

Saio do prédio para ir almoçar no refeitório, em outro prédio. “Corto” um caminho de cerca de 30m, atravessando pela área destinada a passagem dos carros que nunca passam.

– Senhora, por favor, vá pela calçada. Não é permitido andar aí.
(e volto 15m para refazer o caminho pela calçada)

Saindo do estacionamento, dessa vez de carona com um colega, ouvimos uma espécie de apito. Vem o segurança ‘simpático’:

– Senhor, a velocidade máxima permitida é de 10km\h. O senhor estava a 20km\h. Permita-me ver seu passe.
(eles usam os mesmos aparelhos móveis que se usa nas estradas, inclusive no Brasil. dia seguinte, havia uma notificação para meu amigo)

Em Londres, os táxis só podem parar em determinadas ruas. Na dúvida, leve sempre uma mapa, pois é possível que você seja despachado um pouco distante de seu destino.
No aeroporto, fila de raio-x, além da típica paranóia da retirada de sapatos, não é permitido ajudar outra pessoa. Já presenciei um homem com um bebê de colo tendo que amarrá-lo nas suas costas com o casaco, para tirar os sapatos. Não há uma cadeira. A moça que tentou ajudá-lo foi rapidamente repreendida pelo agente da polícia.

Me recebem com simpática fila para ‘the rest of the world citizens’.
Me fazem 5min de perguntas desconfiadas para me deixar entrar.
As lojas, a exceção de Londres, abrem de 09 as 17h. Super fácil comprar.
Pergunto aos meus colegas de trabalho, qual (e onde) seria a melhor loja para eu comprar alguns eletrônicos. 3 colegas ingleses me responderam:

– Tem várias. Dá uma olhada na internet.

Assim. Seco. Mudando de assunto. Acabei pegando carona com um alemão, que me deixou num shopping, me listou as lojas e deu inclusive dicas de melhores preços.

Não quero ser chata, mas é difícil gostar dos ingleses. Pra piorar, eles tem mau hálito. E, cada vez mais, gosto dos alemães.

Sábado, 02 de agosto, 17:30h. Saí de casa. Assim que cheguei ao aeroporto, as 18:00, e fiz meu check-in em 10min para o vôo com partida agendada para as 20:05, me arrependi – mais uma vez – por seguir a recomendação de 2h de antecedência para vôos internacionais. E tive a certeza absoluta de que o vôo atrasaria. Todo mundo sabe que check-in rápido é sinônimo de vôo atrasado, assim como check-in atrasado é sinal de vôo na hora.

Calmamente, troquei dinheiro pra viagem, fiz um lanche, fui a farmácia, comprei meu estoque de revistas de fofoca e fui pra sala de embarque. Tirei o laptop da mochila, passei no raio-x, apitou, voltei, tirei o cordão, passei de novo, guardei o laptop, coloquei a mochila nas costas, peguei a câmera, minha bolsa e a sacola de revistas e caminhei até o portão 32. Eram 19h.

Uma revista inteira depois e nada de chamada pro embarque. O moço da frente, acompanhado do filho de uns 6 anos que falava metade em português, metade em inglês e com umas palavras soltas em espanhol, queria puxar papo. Contou que mora em Miami, perguntou pra onde eu ia, reclamou do Brasil que nunca melhora, reclamou também da TAM e disse que American Airlines é a melhor companhia aérea que existe, a despeito de ter, possivelmente, os aviões mais apertados do mundo – fato que eu introduzi na conversa, confesso, pra ver se dava uma de antipática e o moço desistia do papo. Nada feito. Ele seguiu a conversa me perguntando o preço da gasolina na Inglaterra – porque eu saberia? – e reclamou de novo do Brasil e de sua gasolina cara, mas o pão de açúcar é mesmo lindo.

– “Esse aqui não queria sair do bondinho” – falou mexendo na barriga da criança que, a essa hora, já quase dormia.
– Ai, pai, tô dormindo!
– É, esperar dá um soninho, né? Também estou com sono.
– Viu, pai? Deixa a moça dormir, you talk too much!

Quis beijar aquela criança, enquanto ria pro pai que ria de volta em sorriso-amarelo e cheio de vergonha. Minutos de silêncio depois, já eram 20h, quando anunciaram a troca de portão de embarque. Peguei a mochila, minha bolsa, a bolsa da câmera, as revistas, me despedi de pai e filho, e fui me arrastando pelo aeroporto.

Mais meia-hora de espera, chamada para o embarque. Fila. Demorado trajeto até aeronave. Corredor estreito, minha mochila batendo nas pessoas, pedidos de desculpas até que sentei. Ao meu lado, o papo era sobre Pequim e me dei conta que muita gente estava a caminho da China. Me deu uma pontada de inveja. Dormi.

Acordei 50min depois, aeroporto de Guarulhos. 22:00. Mais 1h até novo embarque. Peguei a mochila, minha bolsa, a bolsa da câmera, a sacola de revistas e andei, andei. Fila de raio-x. De novo. Esperei. 30min. Tirei o laptop da bolsa, passei no raio-x, apitou, tirei o colar – de novo – voltei, guardei o laptop, coloquei a mochila nas costas, peguei minha bolsa, a bolsa das câmeras e a sacola de revistas e fui. De novo.

Fiz uma parada rápida para comprar um novo livro. Cheguei no portão de embarque com a moça, aos berros, perguntando se haviam mais passageiros preferenciais. Agradeci em silêncio, mais um vez, a classe executiva paga pelo trabalho. Me tornei a primeira da enorme fila.

15 min e um rápido trajeto de ônibus depois, eu estava guardando a mochila, bolsa e bolsa da câmera, deixando a sacola de revistas na poltrona vazia ao lado. Sentei, levantei o apoio para pés, reclinei um pouco o banco, escolhi uma revista, aceitei o proseco e as nozes, castanhas e avelãs quentinhas. Não sei o que será de mim na próxima vez que viajar a passeio, de econômica.

Foram 11h de vôo. Jantar servido logo após a decolagem, por volta de 01:30 da madrugada. Li um pouco do livro e tentei assistir a um filme, mas o sono me impediu. Reclinei os 180 graus da minha poltrona, me cobri, e dormi. Acordei pouco antes do café da manhã. Acho que eram 08:30. Comi, vi o resto do filme, li, preenchi formulário de imigração e cheguei. Com 1h de atraso, as 12:30 – hora do Brasil, 16:30 – horário londrino.

Mochila nas costas, bolsa, bolsa da câmera, sacola com algumas revistas a menos que deixei a bordo. E fui. Andei, andei, andei. Muito mais que em Guarulhos. Lá fora, chovia. Odeio aeroportos, odeio mais ainda esse aqui, e odeio esse tempinho mixuruca dessa cidade. Acho que estou de mau humor.

Fui recebida após simpática fila para ‘rest of the world citizens’ (cidadões do resto do mundo). Pelo menos, a fila foi rápida. É que sou um resto vip: a executiva me permite ser das primeiras a chegar, antes da fila formar-se. Amo essa business class. Rápida, mas nem por isso sem perguntas: porque veio, pra onde vai, trabalha pra onde, qual sua profissão, fica quantos dias, qual a cidade, qual o hotel, como vai até lá e enfim, o carimbo. Andei mais, peguei um carrinho, coloquei mochila, bolsa, bolsa da câmera e sacola de revistas, esperei minha mala, esperei, esperei. Chegou, peguei, saí.

Não sei que cara tenho, vai ver é minha cara de mau humor, mas um nada simpático senhor, da policia, me parou no trajeto entre a esteira de bagagens e a saída. Essas malas são suas? Sim, são. Vem de onde? Brasil. Veio fazer o que aqui? Trabalhar, pela minha empresa. Ah, é? Aquele senhor ali trabalha na sua companhia, você o conhece? Não, não conheço. Mas ele também é brasileiro. Sim, senhor, mas a empresa é grande.

Até agora não entendi bem o porquê, mas o policial chamou o moço, nos apresentou, trocamos duas palavras em português – acho que para mostrar intimidade e aplacar a possível (e incompreensível) desconfiança, pediu para ver nossos passaportes, os analisou calmamente e nos liberou, com o primeiro quase-sorriso de toda a conversa.

Eram 17:30h – horário local. Me aguardava o motorista com o logo da empresa. Perguntei quanto tempo de viagem, e fui informada que, com sorte, 01:30h. 01:15h depois, acordei, descobri que o motorista era bastante pessimista, e as 18:50h entrava no meu quarto de hotel. 14:50h – hora do Brasil. 23 horas e meia perdidas em trânsito. Chovia.

Troquei de roupa e gastei grande parte de minha energia acumulada em 40min de bicicleta, 200 abdominais, 30min de transport, 10min na piscina. Bateu fome, e as 21h ainda estava claro e eu estava no restaurante do hotel. Ainda chovia.

No momento, vejo a versão inglesa de BB – onde o Big Brother é Big Brother de verdade, os participantes falam besteiras, um casal briga, a namorada chora o tempo todo e é odiada pelo resto da casa, os participantes andam de roupão e tem gente embaixo do edredom – de novo ele. Parece que a fórmula é igual no mundo todo. Mesmo.

21:58h – hora do Brasil. 01:58h – hora local. Já li metade do livro comprado antes da viagem, alguns capítulos do anterior e me informei sobre a viagem de Luciano Szafir, Xuxa e Sasha a Paris. Escrevi um post (o anterior), e desandei a escrever aqui, no melhor estilo ‘meu querido diário’, minhas últimas 29h.

Adoro viajar, não me entendam mal. Mas sonho com a invenção do tele-transporte e com a revogação do fuso-horário. Pelo menos, o cobertor aqui é de lã. Acho que durmo sem pesadelos. Boa noite.

De tudo um pouco:

Conheça também:

O Jardim em fotos

Por onde viajo…

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